Nota da reitoria – eleições nas Universidades Federais

Nota da reitoria – eleições nas Universidades Federais

Posição do reitor Sérgio Carvalho sobre as eleições nas federais

publicado por

Agência UEL


A Universidade Estadual de Londrina, no processo de abertura democrática, foi a primeira Universidade Paranaense que teve seu Reitor indicado por ampla consulta à Comunidade Universitária. As entidades representativas de Servidores Docentes, Servidores Técnicos e de Estudantes organizaram, de maneira independente, uma Consulta à Comunidade e levaram ao Conselho Universitário a lista dos escolhidos. O Conselho, por seu turno, escolheu a chapa vitoriosa na consulta. Estava aberto o caminho para a eleição direta dos dirigentes das Universidades Públicas do Paraná. 

De lá para cá, a Universidade Estadual de Londrina teve à frente da Reitoria, homens e mulheres das mais variadas matizes ideológicas, filosóficas, religiosas e de temperamentos. Todos e todas profundamente comprometidos com o interesse público, que criou a Instituição, e com a própria democracia. A Universidade Estadual de Londrina tornou-se uma das melhores Universidades Brasileiras e mundiais. Na vivência democrática, as virtudes da democracia constituíram-se em força Institucional. 

A democratização interna da UEL e das demais Universidades Públicas Brasileiras surgiu do encontro das instituições com o interesse social. As Instituições Universitárias atenderam ao chamamento social e se inseriram na construção da democracia brasileira, saindo-se legitimadas para a constituição de suas democracias internas. O reconhecimento social da importância das Universidades, naquele momento, e para o próprio desenvolvimento do país, ficou consignado no artigo 207 da Constituição Federal. 

No período recente, marcadamente na última década, observou-se um esgotamento do modelo de crescimento econômico hegemônico na economia mundial.  Isto ampliou as tensões na forma de reprodução da existência humana, levando ao aprofundamento das desigualdades sociais. Houve uma escalada de tensões políticas e, como em outros momentos históricos, na busca da força como solução política, pessoas posicionadas no aparelho de Estado, escudadas por prerrogativas democraticamente garantidas pela Constituição, passaram a forçar as barreiras da convivência democrática. Isso se consubstanciou no ataque a inúmeras instituições que buscam o exercício pleno da democracia. No forçar das barreiras de contenção que protegem a democracia, as Universidades Públicas Brasileiras passaram a ser alvo de ataques constantes.

No momento atual, as Universidades se reencontraram com seu propósito de existência que é a Humanidade. As Universidades foram as instituições que mais se mobilizaram no combate ao coronavírus e em prol de todos e todas. Mobilização que surgiu espontaneamente, de uma instituição que sempre esteve pronta. Assim como na luta pela abertura democrática, a Universidade se encontrou na luta da sociedade contra uma doença que dizima vidas. Justamente neste momento de crise de saúde pública, a Universidade Brasileira sofre mais um ataque e as escolhas das Comunidades Universitárias são cassadas por meio da não nomeação dos vencedores nos pleitos. 

Eu, que neste período presido a primeira Universidade Estadual do Paraná a realizar eleições diretas para Reitor, não posso me calar diante das agressões sofridas pelas Universidades Federais. Particularmente, defendo a nomeação dos eleitos pela Comunidade da Universidade Federal do Paraná, Prof. Dr. Ricardo Marcelo Fonseca e Profª. Drª. Graciela Inês Bolzón de Muniz. É preciso estabelecer barreiras de contenção ao avanço autoritário presente na não nomeação dos vencedores nas eleições diretas nas Universidades Federais Brasileiras. 

Sérgio Carlos de Carvalho

Reitor da Universidade Estadual de Londrina

10 de setembro de 2020

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