Pesquisa transforma resíduos de indústria em material sustentável para uso no campo
Pesquisa transforma resíduos de indústria em material sustentável para uso no campo
Com reutilização de casca de aveia e bagaço de laranja, estudo viabiliza melhor frutificação de produtos agrícolasLetícia Gonçalves, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia, integra o grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que produz materiais biodegradáveis a partir de resíduos da agroindústria, que foram transformados pela ação de microrganismos. O produto final da dissertação ReMush-AgroScience é o desenvolvimento e a caracterização de micomateriais, para a análise de seu potencial benéfico na agricultura, construção civil e indústria da moda, como alternativas sustentáveis aos produtos utilizados.
A pesquisa reaproveita casca de aveia e bagaço de laranja, abundantes no Paraná, e os une a fungos filamentosos, capazes de degradar a matéria orgânica destes resíduos para produzir biocompósitos. Os materiais servem como fonte de energia para o crescimento fúngico e, à medida que o fungo consome esses substratos, ocorre a formação do micélio. Por sua vez, o micélio vai compactando as partículas do resíduo e agindo como uma cola, formando os micomateriais, denominação dada aos biomateriais sustentáveis produzidos a partir de fungos.
Estes micomateriais já são utilizados na construção civil para substituir plásticos de origem não renovável, como concreto e tijolos convencionais, por serem sustentáveis e auxiliarem na contenção de fogo. Assim, a dissertação objetiva a caracterização de novos micomateriais a partir de fungos e resíduos ainda pouco explorados. Além disso, podem ser aplicados em isolamento acústico, embalagens e como alternativa ao couro animal.
A pesquisa ReMush-AgroScience receberá R$ 200 mil do Programa Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime), coordenado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e Fundação Araucária com apoio do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Paraná (Sebrae/PR). O valor será destinado a aquisição de maquinários para validar a solução em campo, objetivando maior produção em escala industrial e aplicabilidade mais rápida dos micomateriais ao solo.
Excelência internacional
O trabalho foi iniciado quando Gonçalves ainda era graduanda em Biotecnologia, no âmbito da Iniciação Científica. Seguindo no Mestrado, a aluna é coorientada por André Martinez e Beatriz Marim, professor e pesquisadora de pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia, respectivamente. Esta foi uma das pesquisas que impulsionou o programa a alcançar o conceito máximo na avaliação quadrienal 2021-2024 da CAPES, atestando excelência internacional com a nota 7.
André Martinez e a atual coordenadora do programa, Daniele Sartori, elencaram as iniciativas que levaram ao reconhecimento, com foco em parcerias internacionais, oferta de disciplinas em línguas estrangeiras e desenvolvimentos de produtos que impactam a sociedade.
Confira a matéria completa na reportagem da TV UEL:
*Bolsista na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação
