GT de Vigilância do Aedes inicia campanha de conscientização para controle da dengue

GT de Vigilância do Aedes inicia campanha de conscientização para controle da dengue

Protocolo prevê que estudantes, professores e agentes universitários façam um checklist diário para evitar criadouros para o mosquito.

A partir de 2 de março, com o início do ano letivo, o Grupo de Trabalho de Vigilância e Controle do Aedes aegypti da UEL (GT Aedes) vai promover uma campanha de conscientização junto à comunidade universitária para ampliar o monitoramento e controle do mosquito e contra acidentes envolvendo escorpiões. O protocolo prevê que estudantes, professores e agentes universitários façam o checklist diário que inclui observar qualquer possibilidade de água parada, que possa servir de criadouro para o mosquito.

A iniciativa ganha importância porque o início do ano, verão brasileiro, é marcado por chuvas constantes e temperaturas altas – cenário perfeito para o desenvolvimento de criadouros do Aedes. A preocupação ocorre porque Londrina se encontra em intensificação da vigilância. Segundo o professor João Zequi, do Departamento de Biologia Animal e Vegetal (BAV), coordenador do Laboratório de Entomologia Médica do CCB, as aulas na UEL significam o movimento rotineiro de mais de 20 mil pessoas no campus.

Muitos estudantes têm origem em outras cidades e estados, o que propicia a migração de novos vírus e sorotipos. Paralelamente ao checklist semanal, a Prefeitura do Campus (PCU) iniciou trabalho preventivo que inclui limpeza, roçagem de mato e grama e manutenção de calhas.

De acordo com o professor João Zequi, em todo o Campus estão instaladas 61 armadilhas para o Aedes, que são monitoradas semanalmente por alunos bolsistas de Ciências Biológicas.  Esse sistema oferece informações aos pesquisadores do Laboratório de Entomologia, que conseguem dessa forma estabelecer um índice de infestação do mosquito na área do Campus (satisfatório/alerta ou risco). Ele explica que as armadilhas capturam ovos, possibilitando a geração de índices para tomadas de ações de controle.

Integração

Essas informações sobre o controle no Campus Universitário são compartilhadas com o município. Os dados epidemiológicos da Prefeitura de Londrina dão conta que existem hoje 1643 casos notificados de dengue, com 77 positivos. Esse número, aponta o professor, chama a atenção das autoridades de saúde para o pleno movimento de intensificação de monitoramento do vetor e ações integradas de controle para evitar aumento da população do Aedes.

“É preciso trabalhar de forma integrada, sempre monitorando o vetor, o vírus, verificando os quatro sorotipos para dengue e se há circulação de Zika e Chikungunya “, orienta João Zequi. Em Londrina, da mesma forma que o Campus, estão instaladas 1,5 mil armadilhas distribuídas em todas as regiões. Além de limpeza e monitoramento, os pesquisadores, juntamente com agentes do município, também realizam um mapeamento utilizando drones. Por meio de imagens aéreas é possível verificar locais que podem servir de criadouros para o mosquito, que não seria possível apenas com visitas de agentes de endemias, além de realizar aspiração de mosquitos em áreas de circulação viral para detecção precoce dos arbovírus.

“É preciso trabalhar de forma integrada, sempre monitorando o vetor, o vírus, verificando os quatro sorotipos para dengue e se há circulação de Zika e Chikungunya “, orienta João Zequi

Escorpião

Paralelamente os pesquisadores estão monitorando locais propícios para o desenvolvimento do escorpião-amarelo (Tityus serrulatus). O trabalho já instalou armadilhas / abrigos para monitoramento e coleta dos animais, juntamente com um plano de manejo que consiste e vedar ralos, frestas e evitar o acúmulo de resíduos de construção civil e matéria orgânica. Esse trabalho é feito semanalmente com apoio de dois bolsistas e técnicos do Departamento de Controle de Endemias da Autarquia Municipal de Saúde (AMS) de Londrina.

O trabalho também envolve o professor Fernando Jerep, do Departamento de Biologia Animal e Vegetal e o professor Camilo Guidoni, do Departamento de Ciências Farmacêuticas, coordenador do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) do Hospital Universitário (HU), responsável pela assistência e orientação em casos de intoxicação, acidentes com animais peçonhentos e exposição a agentes tóxicos.

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