Rumos do ensino superior são discutidos em reunião sobre o VII Plano Nacional de Pós-Graduação

Rumos do ensino superior são discutidos em reunião sobre o VII Plano Nacional de Pós-Graduação

Pró-Reitora da UEL defende o PNPG como instrumento de planejamento necessário e de fortalecimento da pós-graduação.


Os rumos da pós-graduação no Brasil estiveram em discussão na primeira reunião da comissão especial para acompanhar e monitorar a implantação do VII Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) ocorrida no início do mês. Promovido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o encontro serviu como ponta pé inicial para os trabalhos dos integrantes da comissão de acompanhamento do Plano, que têm atribuições como avaliar a implementação das ações previstas, elaborar propostas e recomendações, além de subsidiar a Capes na formulação de políticas públicas.

Na reunião, foram discutidos temas relevantes como a baixa proporção da população brasileira com graduação presente na pós-graduação stricto sensu, cerca de 1% apenas, e um ponto impactante: apenas 0,2% dos brasileiros são mestres ou doutores. Também foi destacado o papel relevante que a Capes faz na condução da pós-graduação, salientando-se que atualmente 40% dos pós-graduandos têm bolsa da agência e que 80% dos benefícios concedidos aos estudantes dos cursos de mestrado e de doutorado são do órgão. A reunião também tratou da Agenda Nacional de Formação de Pessoal de Nível Superior, que será implementada em conjunto com o Plano.

Integrantes da Comissão de Acompanhamento do PNPG na primeira reunião sobre o Plano” (Foto: Julia Prado – Ascom/Capes)

A titular da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRoPPG) da UEL, a professora Silvia Márcia Ferreira Meletti, participou da apreciação e da aprovação do Plano representando o Fórum Nacional de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação (Foprop). Segundo ela, a discussão foi intensa e produtiva e os conselheiros reconheceram a importância do documento como instrumento estratégico e, ao mesmo tempo, indicaram a necessidade de criação de um mecanismo de acompanhamento das ações previstas, para que o Plano não se esgotasse na sua elaboração. “Na gestão diária da pós-graduação de uma universidade pública estadual como a UEL, sabemos que sem planejamento de longo prazo o sistema corre o risco de crescer de forma desordenada”, salienta.

Aprovado em maio do ano passado pelo Conselho Superior da CAPES, o PNPG 2025-2029 orienta o Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG), estabelecendo diretrizes, objetivos e recomendações para os diversos atores envolvidos, como instituições de ensino, programas de pós-graduação e agências de fomento, com o objetivo de promover o desenvolvimento da pós-graduação e da pesquisa no Brasil.

A ideia é atualizar a rota do SNPG a partir de temas complexos e estratégicos, tais como: assimetria regional e mobilidade intranacional, equidade e diversidade, fomento e relações com o setor produtivo, extensão e inovação, internacionalização e visibilidade global, relação com a educação básica e pesquisa institucionalizada. O PNPG também visa contribuir para as discussões sobre a formação de mestres e doutores mais alinhados com as necessidades atuais e com o fortalecimento das relações Sul-Sul.

Sobre as assimetrias na pós-graduação, Meletti diz que no Paraná, convivemos com um cenário que ilustra bem os desafios nacionais: ao lado de programas que alcançaram notas 6 e 7 na avaliação da Capes, há uma concentração significativa de programas com conceitos 3 e 4. Nesse sentido, a Pró-Reitora destaca um dos aspectos do Plano, que é a avaliação multidimensional dos programas, que passa a considerar seu impacto social, cultural e econômico e não apenas métricas quantitativas de produção bibliográfica.

Meletti ainda aponta que o tratamento dado pelo PNPG sobre equidade e diversidade como eixo temático com diretrizes próprias representa um avanço importante e indica que o Plano reconhece que fortalecer a pós-graduação passa, necessariamente, por torná-la mais representativa da sociedade brasileira.

Sobre a intenção do Plano de visar a integração entre a pós-graduação e a educação básica, a professora comenta o que já se faz na UEL: “Na universidade, nossos programas já desenvolvem ações de formação continuada de professores, capacitação em educação inclusiva e parcerias com redes municipais e estaduais de ensino”, informa.

Sobre a importância do Plano, Meletti diz que, após um período sem um plano vigente, o Brasil volta a contar com um instrumento de planejamento para a pós-graduação. “Isso importa porque o primeiro PNPG, em 1975, já nos ensinou que a expansão desse sistema não é espontânea, ela depende de política pública deliberada. Décadas depois, o desafio permanece, agora com a complexidade de um país que precisa que ciência, tecnologia e inovação dialoguem efetivamente com suas demandas sociais e que a pós-graduação seja, de fato, mais inclusiva e representativa da sociedade que a sustenta”, defende.

Silvia Márcia Ferreira Meletti: “Na universidade, nossos programas já desenvolvem ações de formação continuada de professores, capacitação em educação inclusiva e parcerias com redes municipais e estaduais de ensino” (Foto: Agência UEL)

Cada um dos temas abordados no PNPG 2025-2029 constituiu um grupo de trabalho para o qual foram indicados relatores, levando-se em conta sua atuação profissional e presença em grupos de pesquisa e colegiados estaduais e federais voltados à pós-graduação.

Foram mais de dois anos de trabalho até chegar à aprovação do Plano e, pela primeira vez, um PNPG passou por consulta pública, na qual recebeu cerca de 1.800 contribuições, dadas por 434 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas de todos os estados do Brasil, além do Distrito Federal. O Plano é composto por 23 diretrizes, 45 objetivos e 186 recomendações.

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