Teatro Ouro Verde recebe atrações do Festival de Dança de Londrina 2026
Teatro Ouro Verde recebe atrações do Festival de Dança de Londrina 2026
Programação tem nove dias e traz espetáculos, oficina e conferência em diferentes espaços da cidadeEntre 23 e 31 de outubro, o Festival de Dança de Londrina 2026 convoca todas as pessoas a dançar, agir e pensar em outras possibilidades de existência e a abrir frestas no cotidiano. Durante a programação de nove dias, o Festival oferece espetáculos, oficina e conferência em diferentes espaços da cidade, com a presença de companhias de diversos Estados e atração internacional. A cerimônia de abertura acontece na noite de sexta-feira (23), às 20 horas, no Teatro Ouro Verde.
O evento tem coordenação geral de Danieli Pereira e curadoria dividida com Renato Forin Jr., também coordenador de comunicação. O Festival é uma produção da APD – Associação dos Profissionais de Dança de Londrina e Região Norte do Paraná, com patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura – Prefeitura Municipal de Londrina. Também é fruto de projeto aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura – Governo do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Ministério da Cultura – Governo Federal, e realização da HotMilk e PUC-PR. O apoio é da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina.
A bilheteria para todas as atrações já está aberta pelo Sympla. Os ingressos custam R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada para os beneficiários legais, com comprovação) e, para as apresentações gratuitas, os bilhetes podem ser retirados pelo mesmo site, com o limite de três por CPF. Um percentual dos gratuitos será reservado para distribuição no teatro, no dia dos espetáculos.

Para a abertura, o Festival oferece de presente ao público, com entrada gratuita, a última criação do Ballet de Londrina – uma das estreias de maior sucesso e impacto da trajetória da companhia oficial da cidade. Com música ao vivo interpretada pela Orquestra Bravi, o espetáculo “A vida é um dia” baseia-se em poema homônimo de Renato Forin Jr., que também assina a direção artística, e tem coreografia do premiado Alex Soares. Multiplicando-se entre os corpos da bailarinas do elenco, a montagem traz à cena uma senhora quase centenária, num leito de UTI em meio à pandemia da covid-19. Entre recordações e alucinações, ela caminha regressivamente para outras épocas de sua vida, como o momento áureo da vanguarda artística, a geada de 1975, até o processo da colonização de Londrina.
Na noite do sábado, dia 24, a programação no Ouro Verde segue com o espetáculo para as infâncias “Fica Comigo”, da trupe Ateliê do Gesto, de Goiânia (GO). Com 150 caixas de papelão no palco, a obra conta a estória de um antigo Guardador de Memórias que passou a vida encaixotando suas lembranças nos porões de sua imaginação. Por meio dessas histórias acumuladas, ele decide reviver momentos especiais de sua trajetória e, para isso, conta com a ajuda de três bonecos que ganham vida. Apesar de utilizar a estrutura de palco italiano, o espetáculo rompe com as vestimentas de rotunda e coxias, utilizando um palco nu para criar a atmosfera do sótão onde se guarda memórias e experiências revividas pelos personagens.
No domingo, uma prata da casa entra em cena na Usina Cultural (Av. Duque de Caxias, 4159), às 20h30. Edna Aguiar, com o espetáculo solo “Brasiliana”, dá vida às diferentes histórias de uma família, todas atravessadas por uma mesma marca: a experiência da perda do território, dilacerado pela passagem de uma estrada violenta chamada progresso. Enquanto essas vidas se cruzam, o palco se transforma nos diferentes lugares de suas memórias. A peça é uma escrevivência na qual Edna resgata memórias silenciadas de mulheres referenciais em sua vida. A autoclassificação indicativa é de 18 anos.

A segunda-feira, dia 26, marca o início da turnê brasileira do grupo belga Dame de Pic/Cie Karine Ponties, que completa 30 anos de existência e se apresenta pela primeira vez no país dentro da programação do festival 2026. A companhia traz ao palco do Teatro Ouro Verde, às 20 horas, o espetáculo “Soute à bagages”, um diário de viagem corporal com coreografia de Karine Ponties e interpretação do bailarino Maxime Cozic. O espetáculo investiga como o corpo reage aos deslocamentos e às instabilidades de uma viagem.
O dia 27 tem dupla programação. À tarde acontece a oficina “Cofo de histórias e brincadeiras dançadas”, com a mestra da cultura popular do Maranhão Ana Maria Carvalho. A atividade é gratuita, das 15h às 17h, no Museu de Arte de Londrina. À noite, a partir das 20h, no Teatro Ouro Verde, acontece o Dança Londrina Clássicos, com suítes de “O Quebra-Nozes” e “Dom Quixote”, interpretadas por bailarinos da Escola Municipal de Dança de Londrina (Funcart) e do Ballet Luana Prado, respectivamente – oportunidade de conferir talentos londrinenses da dança de repertório que estão ganhando destaque em outros palcos do Brasil e do exterior.

No dia 28, quarta-feira, Ana Maria Carvalho encanta o Festival com a beleza da cultura popular, no show “Bordados de Música”, gratuitamente, na Concha Acústica, a partir das 18h30. De forma intimista, a cantora e compositora interpreta um repertório autoral, em diálogo com clássicos da MPB maranhense, apresentando ao público autores como Chico Maranhão, Ubiratan Marques, Humberto de Maracanã e Papete. O estilo tem grande influência rítmica e imagética das brincadeiras populares do bumba meu boi, tambor de crioula, tambor de mina e outros gêneros musicais típicos do Maranhão.
Na noite do dia 29, às 20 horas, a celebrada Quasar Cia de Dança, de Goiânia, apresenta “Menos da metade”, um olhar cênico para a devastação do Cerrado brasileiro, que já perdeu mais da metade de sua vegetação nativa. Com coreografia de Henrique Rodovalho e direção geral da companhia de Vera Bicalho, o espetáculo é o primeiro do grupo a abordar diretamente a crise ambiental a partir do Centro-Oeste, região onde o grupo foi criado.
Com direção de Denise Stoklos e Alessandra Maestrini, a montagem “Do cavalo nada sabemos”, no dia 30, sexta, às 20 horas, traz para a cena João Paulo Lorenzon em uma atuação aclamada pela crítica. O espetáculo parte de episódio real da vida do filósofo Friedrich Nietzsche, quando, ao presenciar um cavalo sendo violentamente açoitado, ele se lança sobre o animal em um gesto radical de compaixão, que antecede seu colapso definitivo. A montagem se desenvolve como um campo de tensão entre impulso e consciência, onde o gesto de Nietzsche reverbera como pergunta: o que ainda pode ser salvo em nós diante da brutalidade do mundo?
Na manhã do dia 31, sábado, a partir das 10 horas, no hall do Teatro Ouro Verde, um convidado especial, o crítico e professor Henrique Rochelle (São Paulo-SP) ministra a conferência “Dançar para contar outras histórias”. Com mediação do curador Renato Forin Jr. e entrada gratuita, a atividade também contará com bate-papo sobre a programação do Festival, já que Rochelle acompanhará todas as atrações pelo site Outra Dança.
À noite, a filósofa, poeta e psicanalista Viviane Mosé encerra em grande estilo a edição 2026 do Festival de Dança com “Um sim à vida”, espetáculo que atravessa e entrelaça dois de seus livros, “A espécie que sabe – do homo sapiens à crise da razão” e “Meu braço esquerdo: Um sim à vida”. A encenação une teatro, filosofia, poesia e dança com o objetivo de produzir um enfrentamento direto com a condição humana, sua fragilidade, sua lucidez e sua potência singular de existir.
Confira a programação completa – AQUI.
(Com texto e informações da Assessoria do Festival/FOTOS: Divulgação/Fábio Alcover).




