Lideranças e calouros da UEL acolhem vestibulandos do Cursinho Práxis Itinerante
Lideranças e calouros da UEL acolhem vestibulandos do Cursinho Práxis Itinerante
O ingresso no ensino superior, a acessibilidade e a gratuidade da iniciativa extensionista são pontos importantes para as comunidades.O início das aulas para os 90 vestibulandos atendidos pelo cursinho pré-vestibular Práxis Itinerante foi marcado pela visita de lideranças e aprovados(as) no Vestibular 2026 da UEL. O cursinho gratuito tem aulas de segunda a quinta-feira, das 19h às 22h30, nos colégios Albino Feijó Sanches, na Zona Sul, e Profa. Lúcia Barros Lisboa, na Zona Norte da cidade.
No Vestibular 2026 da UEL, as turmas somaram 24 aprovados. O ingresso no ensino superior, a acessibilidade e a gratuidade da iniciativa extensionista são pontos importantes para as comunidades.
O Programa de Extensão Práxis Itinerante articula 32 docentes voluntários, 16 em cada escola. As matérias ofertadas são: Língua Portuguesa, dividida em Gramática, Redação e Literatura; Matemática; Língua Estrangeira (Inglês e Espanhol); História Geral e História do Brasil; Geografia Geral e Geografia do Brasil; Física; Química; Biologia; Filosofia; Sociologia e História da Arte.

Foto: Leiliani de Castro/Agência UEL
Ingressantes de pedagogia recebem turma na Zona Norte
Quatro ex-colegas de cursinho, aprovadas em pedagogia na UEL, compareceram à aula inaugural para recepcionar os vestibulandos e contarem sobre suas trajetórias, partilhando dicas e levando palavras de incentivo.
Milena Carolina Mendes Vieira, aos 26 anos, equilibra o percurso acadêmico com a maternidade. Quem a inspirou a voltar aos estudos foi o falecido pai, Cecílio Ferreira Vieira: “A minha história é uma resistência. Perdi meu pai exatamente há um ano e um mês atrás. Nossa família sempre apoiou os estudos, mas tive que pausar para cuidar dele. Não me arrependo nem um pouco, porque acompanhei ele até o último momento de vida”, conta.
“Entrei em depressão e senti vontade de voltar a estudar, queria fazer pedagogia. Tenho uma tia pedagoga, formada pela UEL, tenho uma prima que está no terceiro ano, uma geração de pedagogas”, afirma. Foi aí que Milena começou a estudar em casa, até que a sua cunhada enviou a divulgação do cursinho Práxis. “Foi um divisor de águas na minha vida. Eu vi que podia dar andamento ao meu sonho, porque o sonho da gente nunca morre. Passei na primeira chamada, hoje estou aqui”, celebra.
Vieira pensou em desistir algumas vezes. A rotina de trabalho e a maternidade faziam com que ela chegasse já cansada às aulas. Nesse percurso, a caloura destaca o apoio emocional oferecido pela coordenadora Karen Ferreira e pelos professores, que não a deixaram desistir.
Em consonância, o recado para a turma era aproveitar o máximo possível dos materiais gratuitos e dos professores. Tatiane de Oliveira sonhava em ingressar na UEL desde 2020. Ela recebeu a divulgação no WhatsApp e, ao notar que o cursinho ficava a dez minutos de sua casa, decidiu se inscrever. Para ela, a aprovação “representa muita luta. Na minha família, todos os meus irmãos se formaram em outras universidades, só faltava eu. Queria dar esse orgulho para minha mãe e para mim mesma. Eu dependo dos estudos, acho que todo mundo depende”, reflete.
Inspiração e esforço
Ana Paula Damico trabalhava durante a semana e até mesmo em alguns finais de semana, quando ingressou no cursinho. Aos 24 anos e sem dispor de muito tempo livre, às vezes caía em comparação, em especial com os colegas recém egressos do ensino médio: “Eu não tinha ideia de que o Ensino Médio tinha mudado tanto assim, com a reforma. Isso me chamou muito a atenção”, considera. Damico já tem em mente o percurso acadêmico que deseja prosseguir: “Escolhi pedagogia porque tem relação com a psicologia. Pretendo fazer uma pós, na UEL mesmo, em psicopedagogia”, compartilha.
Já Letícia Karoliny Oliveira Martins estava no terceiro ano do Ensino Médio quando viu o pôster na parede da escola em que estudava. Sua presença no cursinho foi marcada por muito esforço. Martins estudava de manhã, trabalhava à tarde e frequentava o cursinho à noite. “Eu não sabia o que fazer caso não passasse na faculdade”, pondera. Ingressar na UEL era a sua prioridade e a acessibilidade do cursinho possibilitou sua preparação para o vestibular da UEL.
UEL e a demanda comunitária
Joel Gaspar é presidente do conselho comunitário de esportes e lazer da região Sul. O líder analisa os três anos de cursinho na Zona Sul: “Por mais que as pessoas digam que o ensino público não é tão bom quanto o privado, o alto índice de aprovações prova o contrário. Isso é de grande valia. O caminho é dar continuidade”, ressalta.
Para Gaspar, há uma sintonia com a equipe do Programa de Extensão Práxis Itinerante: “O contato com os professores do Práxis é maravilhoso. Somos periferia, líderes comunitários. Então, temos a mesma linguagem. O que a gente quer é abraçar todos. O comprometimento é muito importante. Eu vejo a preocupação deles em acolher os alunos, com a alimentação, por exemplo. Achei o projeto lindo”, diz.
Enquanto liderança, Gaspar se compromete com o futuro: “Vamos disseminar a iniciativa na região Sul. E assim como já está na região Norte, tem que levar para a Leste, para a Oeste. Entendemos que Londrina é uma só. Não temos região, a gente é londrinense, pé-vermelho”, finaliza.
Luis Carlos de Camargo, presidente da associação de moradores do Jardim Franciscato e coordenador da CMP, Central de Movimentos Populares do Município, articula: “diante de um público vulnerável, sem o mínimo de condições para sua sobrevivência e com uma política interessada em produzir pessoas para exercer o trabalho de chão de fábrica, vejo nesses projetos a grande importância de conscientização, por meio de conhecimentos adquiridos”. Para Camargo, o diálogo com o cursinho têm sido pautado pela transparência e pelo respeito, “principalmente por se tratar de um público que dificilmente teria acesso a uma universidade”, conta.
*Bolsista na Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Sociedade




