Foco em internacionalização eleva programas de Biotecnologia e Ciências da Saúde a conceito máximo da Capes

Foco em internacionalização eleva programas de Biotecnologia e Ciências da Saúde a conceito máximo da Capes

Coordenadores dos programas de pós-graduação comentam ações que levaram ao reconhecimento

Com cinco programas de pós-graduação com excelência internacional, conforme avaliação divulgada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) na última semana, a UEL se consolida como a universidade com maior número de programas com conceito máximo entre as estaduais do Paraná. Os coordenadores dos novos programas com conceito 7 – Biotecnologia e Ciências da Saúde – avaliam que os resultados decorrem de um esforço conjunto voltado à internacionalização, aliado a ações institucionais que contribuíram para o reconhecimento obtido.

Na avaliação quadrienal 2021-2024 da Capes, os dois programas se unem aos três que já possuíam nota máxima – Ensino de Ciências e Educação Matemática, Ciência Animal e Patologia Experimental. Os mais recentes dados conferem à UEL o status de instituição com pesquisa consolidada de excelência em várias áreas e evidenciam uma pós-graduação estruturada, com evolução significativa, conforme avaliação da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (Proppg).

Criado em 2010, o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) é multidisciplinar, com corpo docente formado por biólogos, biomédicos, farmacêuticos, fisioterapeutas, médicos e profissionais de educação física atuantes em diferentes áreas das Ciências da Saúde. À frente da gestão como coordenadora, Rúbia Casagrande integrou o processo de autoavaliação do programa entre 2021 e 2024, auxiliando na montagem de um planejamento estratégico com base no trabalho realizado entre 2017 e 2020, período da penúltima avaliação quadrienal.

Com o esforço feito a várias mãos nos últimos anos, a nota do programa saltou de 5, o que demonstrava bom desempenho, ao conceito máximo. Casagrande, também professora associada do Departamento de Ciências Farmacêuticas, do Centro de Ciências da Saúde (CCS), destacou a reformulação do regimento e da matriz curricular como ações de destaque. Com a adição de disciplinas em inglês na grade em parceria com o Paraná Fala Inglês, as ações para internacionalização foram ampliadas, com maior estímulo ao Doutorado Sanduíche.

“Tivemos um aluno da Colômbia que fez o doutorado inteiro conosco. A CAPES tem movimentado mais para a gente conseguir captar esses alunos, além da cotutela, que é quando o aluno sai titulado tanto pela UEL, quanto pela universidade do exterior que fizemos a parceria. Estamos trabalhando para ter mais desse tipo de defesa, que também é considerado uma internacionalização”, adiantou Casagrande.

Os professores estimulam o contato de seus orientandos com instituições do exterior, com trânsito de alunos ou parcerias com universidades na Holanda, Austrália, Inglaterra, nos Estados Unidos e em Portugal.

Alunos coletando amostras no Laboratório Multiusuário do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde. Foto: Arquivo pessoal

Melhorias em vigência e futuras

No âmbito da publicação de artigos científicos, a coordenadora salientou que os focos são os periódicos de circulação internacional e o envolvimento dos discentes, visto que “o principal produto do programa é a formação do aluno”. Citou ainda a renovação no quadro docente promovida ao final do último quadriênio, com o desligamento de professores por aposentadoria e credenciamento de novos profissionais para o aprofundamento em áreas específicas.

Ainda no âmbito da autoavaliação, a comissão responsável foi além e analisou a contribuição dos egressos ao mercado de trabalho e à academia, considerando novas métricas para qualificação do impacto do programa. Entre os mais de 300 formados desde a implementação, 56% estão na carreira acadêmica como professores, pesquisadores, doutores em formação ou pós-doutorandos, com os 44% restantes atuando como profissionais da saúde em suas respectivas áreas.

O programa concentra ainda quase 40 bolsas de Mestrado e Doutorado, sendo que com a nova avaliação da CAPES, Casagrande objetiva uma maior captação, que deve estimular a dedicação exclusiva dos contemplados à pós-graduação. O programa irá manter o processo de autoavaliação, para montar um novo planejamento estratégico para o quadriênio 2025-2028 e seguir com o reconhecimento de excelência internacional.

Trabalho em conjunto

Já o Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPG-Biotec) acumula 24 anos de história, iniciado em 2002 com a implementação do curso de Mestrado. Em 2013, se consolidou com a primeira turma de Doutorado, ampliando o atendimento à demanda crescente por profissionais qualificados na área da Biotecnologia em uma região com vocação para o agronegócio.

O programa já apresentava excelência internacional com a nota 6 no conceito da CAPES, subindo ao último degrau com o 7 recebido na semana passada. Assim como no PPGCS, um foco da coordenação foi modificar a grade curricular para incluir disciplinas em outras línguas, sendo inglês e espanhol. A oferta anual desde 2022 ampliou a colaboração com universidades do exterior, com destaque para a Itália, Inglaterra, Portugal, Bélgica, Colômbia, Alemanha e Estados Unidos. Os editais de Doutorado Sanduíche da CAPES resultaram em amplas parcerias. 

André Martinez, coordenador do programa durante o período do quadriênio analisado, informou que as ações contaram com apoio direto da Assessoria de Relações Internacionais (ARI) e da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRoPPG), destacando a última pelo trabalho feito junto às agências de fomento para a ampliação no número de bolsas.

“Tudo isso vem melhorando a qualidade de produção técnica e tecnológica do programa de uma maneira consistente, direcionando estratégias de consolidação a curto, médio e longo prazo para que possamos ter melhorias nessas avaliações e na formação dos discentes”, pontuou o docente, que integra o departamento de Bioquímica e Biotecnologia, do Centro de Ciências Exatas (CCE).

Chefiando um trabalho em conjunto, André Martinez esteve à frente do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia no quadriênio avaliado pela CAPES. Foto: André Ridão

Impacto além da academia

Os trabalhos de pesquisa conduzidos em Biotecnologia Agroindustrial, a grande área de concentração do programa, buscam desenvolver métodos e produtos que agreguem valor às matérias-primas agrícolas, explorem a biodiversidade microbiana e suas funções biológicas, promovam o desenvolvimento sustentável e disponibilizem novas tecnologias limpas e não poluentes.

Como exemplos de produção tecnológica, Martinez citou “cosméticos com base biotecnológica que são comercializados no mercado há algum tempo, startups que estudantes fundaram a partir do conhecimento adquirido na pós-graduação e inúmeras patentes depositadas e concedidas pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial)”.

Mais de 90% de toda a produção conta com participação discente, objetivando impacto social, econômico e ambiental. Martinez ressaltou a importância da parceria com a Agência de Inovação Tecnológica (Aintec) para levar os bens ao setor produtivo, já embasados pela Propriedade Intelectual. “Não é possível que a universidade desenvolva, produza e leve a tecnologia ao mercado. Não é o papel, na minha visão, da universidade fazer isso. É extremamente importante que a Aintec, por exemplo, seja fortalecida para que essa produção chegue a quem pode desenvolver isso em escalas maiores e levar para a sociedade”.

O professor salientou que os participantes do programa são sempre encorajados a “transformar não só os seus dados de pesquisa em produtos tecnológicos, mas também que esses produtos possam virar um artigo científico. Contamos também com o esforço da PRoPPG para financiar o pagamento de traduções e publicações em periódicos em língua estrangeira, para ter maior alcance do trabalho que é feito”. 

Manter a excelência

Daniele Sartori, atual coordenadora do PPG-Biotec e professora do departamento de Bioquímica e Biotecnologia, informou que as ações tomadas ao longo do último quadriênio já estão sendo fortalecidas para manter a excelência internacional. No campo da internacionalização, os focos são mais colaborações, maior mobilidade de alunos e dupla diplomação. Um ponto essencial é tornar a produção tecnológica ainda mais robusta, sempre com o envolvimento do aluno como prioridade para que ele seja inserido no mercado de trabalho com experiência prática.

“Além disso, nós visamos melhorar e inserir mais ações de extensão dentro da pós-graduação. É uma forma de nós, também, repassarmos à comunidade o que está sendo feito, essa formação que estamos dando aos alunos, e aumentar a produção. Todas essas ações em conjunto vão colaborar para fortalecer as produções, a formação dos nossos estudantes e o programa”, que conta com cerca de 60 bolsas de Mestrado e Doutorado.

Daniele Sartori assumiu a coordenação do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia em junho de 2025. Foto: André Ridão

Sartori pontuou ainda que a trajetória dos egressos é bem dividida entre quem optou pelo empreendedorismo, pela atuação no setor industrial – contribuindo com o desenvolvimento de Londrina e região – e quem segue na carreira acadêmica, seja no próprio programa ou em outras instituições.

*Bolsista na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação

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