Projeto de música da UEL estuda Marchinhas de Carnaval
Projeto de música da UEL estuda Marchinhas de Carnaval
Pesquisa estuda a dimensão política que extrapola o período das festividades e desempenha um papel fundamental na ocupação do espaço público.Um Projeto de Extensão vinculado ao Departamento de Música e Teatro da UEL (MUT/CECA), propõe dialogar com marchinhas para além das datas festivas que marcam o Carnaval no Brasil. A iniciativa nasceu de forma autônoma com o nome de Cordão de Vila Brasil em 2023 na Vila Cultural Alma Brasil, em Londrina, por meio do encontro dos professores e músicos Alexandre Remuzzi Ficagna, do Departamento de Música da UEL e Guilherme Mendonça, com o propósito de celebrar a força do Carnaval como uma manifestação artística, política e coletiva. Pouco tempo depois, o grupo passou a contar com a participação do percussionista Ronaldo Prascidelli e assim se formou o núcleo central do projeto antes chamado “Turma do Funil”.
Os três integrantes seguiram o objetivo de expandir o grupo para a formação do Cordão. Com o crescimento, a ideia ganhou novas dimensões inclusive no âmbito institucional e transformou-se também em um projeto de extensão da Universidade Estadual de Londrina sob o título “Trançar o cordão: invenção e performance com marchinhas de Carnaval”, consolidando a dimensão formativa do projeto. Desde então, o Cordão se ampliou e atualmente possui dois núcleos de ensaio, um na Vila Cultural Canto do Marl e outro na UEL, conectando mais pessoas à alegria e à politicidade do Carnaval.

Teatro de Londrina). (Foto: Fábio Alcover).
O professor Alexandre Remuzzi Ficagna , coordenador do Projeto na UEL, explica que o ano de 2024 marcou um outro momento importante para o grupo. Foi quando Londrina discutia a realização do carnaval de rua e o Cordão atraiu pessoas interessadas em criar e trocar experiências, tornando-se um espaço de convivência, formação coletiva e celebração. Para o docente, a temática do Carnaval é um campo rico e muito importante para estudos, sobretudo, por se tratar de uma celebração milenar. “E para além da cultura brasileira, o Carnaval é parte marcante da cultura mundial”, diz.
Desde a Idade Média, a celebração esteve paralelamente presente a diversas tradições e no Brasil ganhou uma dimensão especial. Segundo o professor, no âmbito social, a tradição de Carnaval possui também uma dimensão política que extrapola o período de festividades, pois desempenha um papel fundamental na ocupação do espaço público.

Para Ficagna, a dimensão pedagógica do projeto está presente na possibilidade para músicos, em diferentes níveis de proficiência técnica, de se inserirem na prática instrumental coletiva já que o repertório apresenta um grau intermediário de dificuldade técnica, nem muito fácil, nem muito difícil.
Ele destaca que “o grupo traz o repertório como forma de ativar a memória simbólica das pessoas, mas com uma identidade própria e composições autorais”. Não pretende realizar um “resgate da tradição das marchinhas” ou rearranjá-las em versões mais “modernas” mas sim, dialogar com elas e com toda a bagagem simbólica que carregam. Na avaliação pessoal dele, as marchinhas fazem uma interface com esse repertório simbólico da tradição carnavalesca, tratando-as como algo em constante transformação.
Na opinião do docente, a importância de projetos como esse e de grupos como o Cordão da Vila Brasil, se dá na escassez de produções locais e regionais de marchinhas e eventos que dialoguem com o Carnaval para além das festividades. “Por isso, a existências de grupos como o Cordão, tem por função ocupar uma lacuna deixada no cenário. Na época tinha trio elétrico, com o Bloco Bafo Quente, escola de samba com a Explode Coração, entre outros, mas não tinha um grupo dedicado à esse repertório das marchinhas”, explica.
Apresentações e agenda do grupo
Enquanto o Cordão completo inclui amadores e tem como foco a realização de cortejos em espaços públicos, sua versão condensada (chamada de “pocket”) busca uma atuação profissional, atuando mais na realização de shows. Hoje, além do núcleo inicial, este grupo é constituído por Maia Mazamboni, Luiz Filipe Ferreira Protásio e Stavros Augusto.
Para quem quiser saber mais e acompanhar as apresentações do Cordão da Vila Brasil, segue a agenda do grupo para o Carnaval 2026:
- 13 de fevereiro às 21h no Bar Barbearia (Rua Benjamin Constant, n°1614 – Centro);
- 14 de fevereiro às 15h, Cortejo do Cordão no evento CarnaMARL (ponto de encontro em frente a Secretaria de Cultura (Antiga Casa da Criança próximo da Concha Acústica);
- 15 de fevereiro às 15h no Sabor & Ar (Av. Aminthas de Barros, 46 – Ipanema).

Estagiário de jornalismo na Coordenadoria de Comunicação Social*
