Exposição no Campus resgata trajetória de Yá Mukumby

Exposição no Campus resgata trajetória de Yá Mukumby

Acervo reúne fotografias inéditas, além de objetos pessoais, reportagens e depoimentos. Mostra fica disponível até 13 de maio.

Hoje, (segunda, 13), a partir das 17h30, na réplica da primeira Igreja Matriz de Londrina (CCH-Cultural), acontece o lançamento da exposição “Vilma Santos de Oliveira: A trajetória de Yá Mukumby”. A mostra, que integra a programação do 3º Festival das Diversidades, apresenta ao público a vida e o legado de Yá Mukumby, percorrendo sua trajetória desde o nascimento até seu assassinato, em 2013. 

Vilma Santos de Oliveira, conhecida como Yá Mukumby, foi mãe de santo, reconhecida por sua atuação incansável no combate ao racismo, na promoção da igualdade racial e na defesa das religiões de matriz africana.

“A exposição surge como uma forma de preservar e difundir a memória de Vilma Santos de Oliveira, destacando sua trajetória de luta, resistência e contribuição social. A iniciativa busca valorizar sua atuação histórica, especialmente, nas pautas relacionadas à educação, igualdade racial e direitos sociais, além de inspirar novas gerações a conhecerem e darem continuidade a esse legado”, conta Solana Titiloyê Oliveira Rodrigues, estudante de História na UEL, neta de Yá Mukumby e uma das idealizadoras da exposição. 

O acervo reúne fotografias inéditas, além de objetos pessoais, reportagens, depoimentos, entre outros materiais. As contribuições partem da família, amigos, de movimentos sociais, também contempla registros institucionais que documentam os passos de uma das principais referências do movimento negro em Londrina. 

Dona Vilma atuou na implementação de cotas raciais na UEL em 2005. Foto: Solana Rodrigues/Acervo Pessoal 

Caminhando pela exposição, organizada através de quatro estações temáticas, os visitantes terão a oportunidade de conhecer diferentes momentos e dimensões da vida de Dona Vilma, desde a infância, sua iniciação no Candomblé, atuação no movimento negro, com destaque para sua participação na luta por direitos e pela implementação das cotas raciais na UEL, além dos impactos da violência e a permanência de sua memória.

Além de Dona Vilma, vitimada aos 63 anos, também foram mortas a sua mãe, Allial de Oliveira dos Santos, 86 anos, e a neta, Olivia Santos de Oliveira, 10 anos.

“A proposta é apresentar uma figura completa, evidenciando tanto sua atuação pública quanto sua história de vida”, reforça Solana.

Universidade inclusiva

Para ela, além de recuperar a história da avó, difundindo-a, principalmente, entre as novas gerações, a exposição tem como finalidade ecoar suas lutas, contribuindo para o fortalecimento de uma educação antirracista.

“A expectativa é que a exposição contribua para o reconhecimento da importância histórica de Dona Vilma, amplie o debate sobre questões raciais e sociais e fortaleça a valorização da memória de lideranças negras. Além disso, espera-se sensibilizar o público e promover reflexões críticas sobre desigualdades e justiça social”, afirma. 

Dona Vilma foi uma das principais lideranças que atuou na implementação de cotas raciais na UEL em 2005. Em 2022, a UEL concedeu o título de Doutora Honoris Causa in memoriam a Yá Mukumby, reconhecendo seu papel na construção de uma Universidade mais inclusiva.

Mais de duas décadas depois, Solana avalia que é possível identificar avanços significativos na inclusão de estudantes historicamente marginalizados na UEL. Ainda, segundo ela, a política afirmativa tem impactado a produção acadêmica, trazendo maior diversidade nas agendas de pesquisa, porém, a estudante ressalta que ainda há um longo caminho a ser percorrido em prol da democratização do acesso ao ensino superior, o que perpassa o fortalecimento de políticas de permanência.

“Ao mesmo tempo, o debate continua sendo necessário para garantir a manutenção e o aprimoramento dessa política”, diz.

Juventudes e Direitos Humanos

O lançamento da exposição marca a abertura do II Simpósio Internacional Práxis Itinerante: Juventudes e Direitos Humanos, que inicia nesta segunda-feira (13) e segue até a próxima quarta-feira (15).

Logo após o lançamento, a partir das 19h, no Anfiteatro do CESA (Centro de Estudos Sociais Aplicados), ocorre a mesa “Erradicação da pobreza, redução das desigualdades e desenvolvimento”.

A exposição permanece aberta à visitação até 13 de maio nos horários das 8h às 12h e das 14h às 18h. A entrada é gratuita.

“Convidamos todas as pessoas a visitarem a exposição ‘Vilma Santos de Oliveira: A trajetória de Yá Mukumby’. Será uma oportunidade única de conhecer mais sobre a história, as lutas e o legado de uma importante liderança. Esperamos vocês para esse momento de aprendizado, reflexão e valorização da memória”, diz Solana.

Serviço

Exposição: “Vilma Santos de Oliveira: a trajetória de Yá Mukumby”
Lançamento: 13 de abril de 2026
Horário: 17h30
Local: Réplica da primeira Igreja Matriz de Londrina (CCH-Cultural)
Entrada gratuita

*Com informações da assessoria de imprensa do evento

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