UEL e Sociedade Rural impulsionam o futuro da equideocultura na ExpoLondrina
UEL e Sociedade Rural impulsionam o futuro da equideocultura na ExpoLondrina
Simpósio promovido em parceria com a SRP consolida papel da Feira no desenvolvimento técnico e prático do setor.A 7ª edição do Simpósio de Equideocultura, realizado ontem (segunda,13) foi um dos destaques da programação técnica da ExpoLondrina, reunindo médicos veterinários, zootecnistas, agrônomos, estudantes e profissionais do setor em busca de atualização e aprofundamento em temas estratégicos da área. Promovido em parceria entre a Sociedade Rural do Paraná (SRP) e a Universidade Estadual de Londrina (UEL), o evento reforça o papel da feira como um ambiente de troca de conhecimento e desenvolvimento para o agronegócio.
A programação incluiu palestras com especialistas que abordaram desde biotecnologias reprodutivas até práticas clínicas, esportivas e de manejo de equinos. A equideocultura é a área da zootecnia dedicada à criação, manejo, nutrição, reprodução e melhoramento genético de equídeos, abrangendo cavalos, asininos (jumentos) e muares (burros/mulas).
Oportunidades para profissionalização

À frente da organização do simpósio, Roberta Garbelini Gomes Zanin, egressa do curso de medicina veterinária da UEL, reforçou que a iniciativa busca aproximar o meio acadêmico e o mercado, criando oportunidades tanto para profissionais quanto para estudantes que desejam se qualificar. “É um espaço de atualização técnica e também de conexão com o que há de mais atual no setor”, ressalta Roberta, que é Diretora de Fomento da SRP, reforçando que o simpósio é uma oportunidade de apresentar informações sobre o setor para melhorar a criação e a vida dos cavalos.
Entre os participantes, estudantes de medicina veterinária aproveitaram a oportunidade para ampliar o repertório e ter contato direto com especialistas. “É o segundo ano que participo e eu gosto muito da diversidade e qualidade das palestras”, pontuou Giovana Prado. A estudante de veterinária Carolina Sanches também concorda que a variedade dos temas abordados é um diferencial, mas este ano um dos seus principais interesses era a palestra que falava sobre ortopedia. “É uma área que não vemos ser tão explorada em eventos, então foi muito interessante ter esse tema aqui neste evento”.
Biotecnologias reprodutivas
Um dos palestrantes do simpósio, o médico veterinário e professor da UEL Fábio Morotti, do Departamento de Clínicas Veterinárias (CCA), abordou o cenário da equideocultura no Brasil e no mundo, com destaque para o avanço das biotecnologias reprodutivas. Segundo ele, técnicas como a transferência de embriões têm ampliado as possibilidades de melhoramento genético, inclusive permitindo o aproveitamento de fêmeas que não poderiam mais gestar naturalmente, seja por questões clínicas ou limitações físicas.
“O Brasil possui hoje cerca de 8 milhões de equídeos (cavalos, asininos, muares) e ocupa a terceira posição no ranking mundial, atrás apenas dos Estados Unidos e do México no número de cavalos. Em termos de uso de biotecnologias reprodutivas, já estamos equiparados aos Estados Unidos”, comemorou.
De acordo com o especialista, o País também se destaca pela qualidade da mão de obra técnica, com profissionais reconhecidos internacionalmente e atuação crescente no exterior. “Hoje, o Brasil não só utiliza essas tecnologias como também exporta conhecimento, especialmente na área de reprodução animal”, afirma.
Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta desafios importantes. Cerca de 75% da tropa brasileira é utilizada em atividades de lida no campo, um segmento que ainda demanda maior acesso a tecnologias, investimento em genética e melhorias no manejo.
Terapias integrativas
As terapias integrativas têm conquistado cada vez mais espaço no cuidado com equinos, especialmente como complemento aos tratamentos convencionais. Durante o simpósio, o professor Vitor Hugo dos Santos destacou que essas técnicas vêm sendo amplamente utilizadas tanto na recuperação de animais quanto na prevenção de lesões.
Segundo ele, práticas como acupuntura, terapia com células-tronco, fisioterapia, quiropraxia e reabilitação estão entre as mais aplicadas atualmente, principalmente em cavalos atletas e em animais em recuperação. “Elas não substituem o tratamento convencional, mas atuam como importantes aliadas, ajudando a acelerar a recuperação e melhorar a qualidade de vida dos animais”, explica.
Apesar do avanço no campo prático, Santos chama atenção para um desafio: a falta de aprofundamento sobre o tema na formação acadêmica. “Muitas vezes, os proprietários já chegam com essa demanda, mas nem sempre os profissionais tiveram contato com essas técnicas durante a graduação”, aponta.
Nesse contexto, eventos como o Simpósio de Equideocultura ganham ainda mais relevância. Para o professor, iniciativas como essa são fundamentais para difundir conhecimento e aproximar estudantes, profissionais e mercado. “Esses encontros são essenciais para levar informação atualizada, instigar o interesse e complementar o que, muitas vezes, não é abordado em sala de aula”, afirma.
Com quase 14 anos de experiência na área, ele reforça que a troca de conhecimento fora do ambiente acadêmico contribui diretamente para a evolução do setor e para a adoção de práticas mais modernas e eficientes no cuidado com os equinos.
*Com informações da Assessoria de Imprensa da SRP
Fotos: Henrique Campinha/SRP Divulgação




