Programa de extensão leva cursinho pré-vestibular ao Assentamento Eli Vive

Programa de extensão leva cursinho pré-vestibular ao Assentamento Eli Vive

Colégio Estadual do Campo passa a integrar a Rede de Cursinhos Territórios Populares (CPOP), do Ministério da Educação.

Mais de uma dezena de professores vinculados ao programa de extensão Práxis Itinerante, ministrarão aulas preparatórias para o Vestibular e Enem no Colégio Estadual do Campo Maria Aparecida Rosignol Franciosi, no Assentamento Eli Vive que passa a integrar a Rede de Cursinhos Territórios Populares do Saber, vinculada à Universidade Estadual de Londrina (UEL).

A iniciativa de extensão universitária é voltada à democratização do acesso ao ensino superior, focada em estudantes de escolas públicas e comunidades em situação de vulnerabilidade e é fruto da ampliação de vagas da Rede de Cursinhos Territórios Populares (CPOP), do Ministério da Educação.

As aulas acontecerão de segunda à sexta-feira, das 13h30 às 17h40, utilizando materiais do Cursinho Especial Pré-Vestibular da UEL, o CEPV, distribuídos gratuitamente aos estudantes.

O CPOP, lançado neste ano em todo o Brasil, oportuniza às juventudes todas as condições para se prepararem para o vestibular, incluindo a bolsa de R$200,00 com duração de nove meses, além da bolsa de fomento para a equipe pedagógica, para que possam atuar e fazer a gestão do cursinho.

Democratização do acesso à educação

Edelvan Carvalho, diretor político do Eli Vive, esteve Brasília em diálogo com o Ministro da Educação, Leonardo Barchini e o cursinho popular foi “aplaudido de pé”. Carvalho acrescenta: “a partir da nossa iniciativa, abriram mais dez cursinhos para territórios de reforma agrária em todo o Brasil”, informa.

Germano de Almeida coordenará o Cursinho Popular do Campo, iniciativa pioneira no PR. Foto: Leiliani de Castro

Germano Almeida estuda Ciências Sociais na UEL e assumiu a coordenação do cursinho popular. Seu trabalho perpassa a interlocução entre UEL e Eli Vive, apoio aos professores e o transporte da equipe de Londrina até o assentamento, sendo ele um facilitador da democratização do acesso à educação. Para Almeida, a equipe precisa compreender o contexto histórico e cultural do Eli Vive: “Quando trazemos um cursinho para o território rural com histórico de luta pela reforma agrária, com mais de 20 anos e mais de 500 famílias que ali habitam, onde tudo foi conquistado com muita luta, é preciso compreender que eles enxergam a educação de modo diferente”, salienta.

Almeida destaca significativas distinções entre a escola do campo e a escola das cidades: “Nós não temos, por exemplo, um portão enorme, muros, um sinal que dita as regras o tempo todo. Há o cuidado, mas não na mesma lógica e perspectiva da cidade. Será uma troca muito significativa”, prevê.

Ciclo de Cultura

Óscar Domingos é um dos professores aprovados no mais recente concurso da UEL. Convidado pelo Programa de Extensão Práxis Itinerante, conduzirá o Ciclo de Cultura no Cursinho Popular do Campo. A gratuidade e o fomento federal são diferenciais previstos em edital, bem como aulas voltadas ao ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena, de acordo com a Lei 10.639/2003, a ser trabalhado por Domingos, na perspectiva da educação popular.

“A ideia é trabalharmos a partir da realidade do assentamento. Estamos prevendo também visitas a terreiros, espaços históricos, museus, bibliotecas. E a partir dessas visitas, proporcionar reflexões que tenham impacto na realidade social dos assentados”, assinala o docente.

Tais vivências no Ciclo Cultural visam preparar os estudantes para enfrentamentos que não escapam às instituições: “este cursinho é também um espaço de preparo para o enfrentamento de todas as problemáticas que atravessam a vida dos estudantes universitários. Estamos a falar de homofobia, racismo, xenofobia e tantos outros tipos de violência às quais o espaço universitário não está alheio”, explica.

Oportunidade pedagógica e cultural

Arnaud Ayemenet, Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura da UEL, se dedicará ao ensino de ciências exatas: matemática e química. Ayement compôs a aula inaugural, ao passo em que teve o primeiro contato da vida com um assentamento e com a luta pela reforma agrária. “Minhas impressões foram no sentido da desconstrução. A gente sempre vai criar um cenário na cabeça antes de conhecer. Cheguei lá e fiquei surpreso com o que vi. São organizados, têm uma estrutura, e podemos ver até onde a luta está chegando e aonde pode chegar”, comenta.

Victor Hugo Merede, é estudante de Letras e dará aulas de redação. Ele partilha com Arnaud Ayemenet a primeira experiência no Eli Vive. Antes de chegar, imaginava que a área rural apresentaria determinadas precariedades, ao passo em que foi surpreendido com a abundância do lugar e o senso de coletividade partilhado pelos assentados.

“Na cidade, vemos todos os dias aquele “cada um por si”, os alunos aprendendo individualmente. Ali eles têm um pensamento coletivo, comentam em cima de comentários, se ajudam, trocam entre si. É um diferencial”, comenta Merede. “Foi uma impressão totalmente desconstruidora, de chegar com um senso comum e perceber que é muito além e vou aprender muitas coisas ali”, relata. Merede ministra aulas no Cursinho Práxis na Zona Norte de Londrina desde o ano passado.

*Bolsista na Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Sociedade

Vestibulandos receberão fomento de R$200 do Governo Federal em incentivo aos estudos. Foto: Leiliani de Castro
Edelvan Carvalho recepciona os vestibulandos do Eli Vive. Foto: Leiliani de Castro
Germano de Almeida coordenará o Cursinho Popular do Campo, iniciativa pioneira no PR. Foto: Leiliani de Castro
Egressa da UEL, a vereadora Lenir de Assis participou da aula inaugural. Foto: Leiliani de Castro

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