Estudantes analisam adaptações do Studio Ghibli
Estudantes analisam adaptações do Studio Ghibli
O projeto do curso de design comparou os filmes pelo diretor Hayao Miyazaki e as obras da qual eles foram adaptadosO Studio Ghibli, um dos estúdios de animação mais conhecidos do Japão, é conhecido mundialmente por suas histórias que inspiram gerações. Em 2024, seu último filme, “O menino e a garça” foi visto no cinema por mais de 440 mil brasileiros, e ganhou o Oscar de melhor animação.
Esses filmes, dirigidos em sua maioria por Hayao Miyazaki, utilizam de outras obras como base, como mangás, livros ou até mesmo lendas, adaptando-os à tela grande. O projeto “Adaptação de HQ e literatura nas animações de Hayao Miyazaki e do Studio Ghibli” estuda justamente o processo de transformação dessas histórias de uma mídia a outra.


O professor Marcelo Castro Andreo, coordenador do projeto e professor de Animação 2D no curso de Design, afirma que o objetivo é entender como a adaptação modifica uma história. “A tradução de uma mídia para a outra não é literal, personagens, cenários, até mesmo a própria narrativa são modificados por esse processo, acrescentando ou simplificando aspectos, o diretor cria sua própria versão da obra”, relata.
Segundo o coordenador, a ideia surgiu pelo interesse dos alunos de Design, muitos dos quais se inspiraram na produção do estúdio para a escolha da área de estudo, complementando as aulas do curso e explorando essas obras de forma aprofundada. “Entre os alunos, é difícil achar um que não seja fã do trabalho do Miyazaki desde muito jovem, é um tópico recorrente nas conversas de corredor”, afirma.
Andreo argumenta que um diferencial do estúdio está na liberdade que os diretores possuem para desenvolver sua própria visão. “Diferente de outros estúdios, em que as escolhas são feitas pelas pesquisas de mercado, o Studio Ghibli está em uma posição especial, visto que os autores desses filmes também são os donos do estúdio”, explica.
Análise das Obras


O processo de estudo das obras consiste na análise de trechos de um dos filmes escolhido, em paralelo à leitura de trechos da obra que o inspirou. Os alunos protagonizam a discussão a respeito de ambos, tanto em suas similaridades quanto nas diferenças observadas, e procuram compreender as escolhas feitas pelos produtores no desenvolvimento da animação e dos roteiros.
Até o momento, já foram analisados os filmes Nausicaä do Vale do Vento (1984), O Serviço de Entregas da Kiki (1989), O Castelo Animado (2004) -dirigidos por Miyazaki- e O Conto da Princesa Kaguya (2013) – por Isao Takahata – com mais obras sendo escolhidas para o futuro.
Além dos integrantes regulares do projeto, ele também conta com três estudantes de Iniciação Científica, que pesquisam um aspecto em específico de uma das obras que escolheram para aprofundar seus estudos.

Adaptação

Andreo apresenta como exemplo “O Castelo Animado”, filme de 2004 dirigido por Hayao Miyazaki, e inspirado pelo livro homônimo de Diana Wynne Jones. “Quando você coloca as duas obras lado a lado, as diferenças são claras. O Castelo Animado do livro quase não é descrito, enquanto no filme ganha uma aparência marcante, com Miyazaki usando como inspiração até a Baba Yaga, do folclore russo ou as máquinas voadoras do ilustrador francês Albert Robida”, explica.
A mudança de mídia tem algumas exigências. “Traduzir uma obra para o cinema é uma ação que, por si só, já exige uma simplificação da narrativa, devido primeiramente pela duração do filme, que não seria capaz de comportar 200 páginas de conteúdo”, expõe.
Para o professor, mais importante do que ser completamente fiel à obra original, o que seria impossível, uma adaptação deve focar em respeitar a obra original, ao mesmo tempo em que acrescenta sua visão, argumentando que “nenhuma tradução de uma mídia para a outra é literal, o diretor cria sua própria versão da obra, mas mantém o espírito da história que ele se baseou”.
Para fazer parte
Para aqueles que se interessaram pelo projeto, a inscrição pode ser feita por meio do sistema de projetos de extensão da UEL, ou entrando em contato com o professor responsável pelo projeto pelo email marceloandreo@uel.br.
*Estagiário de jornalismo na Coordenadoria de Comunicação Social.




