Professora Emérita: UEL homenageia Estela Okabayaski Fuzii por legado acadêmico e cultural

Professora Emérita: UEL homenageia Estela Okabayaski Fuzii por legado acadêmico e cultural

Com seus mais de 90 anos, a própria homenageada esteve presente na solenidade realizada na Sala dos Conselhos.

Familiares, representantes da comunidade nipo-brasileira, docentes, servidores e autoridades universitárias acompanharam de perto, na tarde da última sexta-feira (29), a cerimônia de entrega do título de Professora Emérita da Universidade Estadual de Londrina (UEL) à professora Estela Okabayaski Fuzii. Com seus mais de 90 anos, a própria homenageada esteve presente na solenidade realizada na Sala dos Conselhos, marcada por relatos sobre sua relação com a Universidade e sua contribuição para a aproximação entre Brasil e Japão.

Concedida por meio da Resolução nº 73/2025 do Conselho Universitário, a homenagem proposta pelo Núcleo de Estudos da Cultura Japonesa (NECJ) e pela Assessoria de Relações Internacionais (ARI), reconhece uma história que se confunde com a da UEL e da cidade de Londrina. Ao longo da cerimônia, as falas ressaltaram não apenas a carreira acadêmica da professora, mas também sua relação de pertencimento com a Universidade.

A professora Estela Okabayaski Fuzii: “Tudo o que eu recebi não é para mim, é para a UEL”. Foto: André Ridão/Agência UEL

“Se algo foi feito, não fiz sozinha”, afirmou Estela ao agradecer a homenagem. A professora aposentada também destacou o papel da UEL na formação de pessoas e na transformação da cidade. “Tudo o que eu recebi não é para mim, é para a UEL”, declarou. Em outro momento, afirmou carregar a Universidade “no coração e na cabeça”.

Durante a solenidade, a reitora da UEL, Marta Favaro, que entregou o título à docente, destacou que Estela foi precursora de importantes processos de internacionalização junto ao Japão, contribuindo para que a UEL ampliasse suas relações acadêmicas e consolidasse parcerias de mobilidade estudantil e científica.

“Falar da Dona Estela é lembrar da UEL”, afirmou a reitora, ao citar a contribuição da docente para o curso de Pedagogia, para o então Núcleo de Tecnologia Educacional, atual Laboratório de Tecnologia Educacional (Labted), para a formação de professores e para a criação do Núcleo de Estudos da Cultura Japonesa (NECJ).

O atual coordenador do NECJ, Rogério Ivano, ressaltou que a cerimônia representou também um compromisso da Universidade com a preservação da própria memória institucional. “Mais do que uma homenagem, este momento é um serviço à história”, afirmou.

Uma vida ligada à história da UEL

Primeira filha de japoneses nascida na região de Londrina, em 1933, Estela Okabayaski Fuzii construiu uma trajetória profundamente ligada ao desenvolvimento educacional, cultural e universitário da cidade. À época de seu nascimento, Londrina ainda não havia sido oficialmente emancipada, o que fez com que seu registro fosse realizado em Jataizinho, município vizinho.

O próprio sobrenome da professora também carrega marcas dessa história. Embora o registro oficial traga a grafia “Okabayaski”, documentos históricos, relatos e referências ligadas à comunidade japonesa frequentemente utilizam a forma “Okabayashi”, escrita mais próxima da tradição japonesa e que acabou acompanhando sua trajetória pública e institucional ao longo das décadas.

Homenagem foi proposta pelo Núcleo de Estudos da Cultura Japonesa (NECJ) e pela Assessoria de Relações Internacionais (ARI). Foto: André Ridão/Agência UEL.

Sua atuação no ensino superior antecede a criação da UEL. Na década de 1950, participou ativamente da fundação da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), instituição que posteriormente integraria a estrutura da Universidade. Formada em Pedagogia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), também esteve entre os nomes ligados à criação do curso de Pedagogia em Londrina, contribuindo para a formação de professores em um período em que estudantes precisavam deixar a cidade para buscar formação universitária.

Integração cultural

Ao longo das décadas, atuou como docente e ocupou diferentes funções acadêmicas e administrativas na UEL, entre elas a chefia do Departamento de Educação, a direção do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA) e do então Núcleo de Tecnologia Educacional, atual Labted.

A professora também teve papel fundamental na aproximação entre a UEL e instituições japonesas. Repetidamente convidada pela Universidade para realizar mediações com universidades e comitivas do Japão, ajudou a fortalecer relações acadêmicas, culturais e diplomáticas que mais tarde resultariam na criação NECJ, idealizado por ela e implantado em 1995.

Inicialmente funcionando junto ao então Núcleo de Tecnologia Educacional, o NECJ consolidou-se como um dos principais espaços de integração cultural da Universidade. A construção do prédio próprio do núcleo ocorreu em 2006, resultado direto da atuação de Estela e das articulações institucionais construídas ao longo dos anos. Durante uma viagem ao Japão, nos anos 2000, o então reitor da Universidade de Meio apresentou ao prefeito da cidade de Nago, na província de Okinawa, a proposta de criação de uma estrutura específica para o NECJ. A iniciativa resultou na aprovação da doação de recursos financeiros destinados à construção do espaço.

Mesmo após a aposentadoria como professora da UEL, em 2004, Estela permaneceu vinculada à Universidade e à articulação das relações com o Japão. Entre 2008 e 2024, esteve à frente do NECJ, atualmente vinculado à ARI, dando continuidade às ações de cooperação, intercâmbio e mobilidade acadêmica entre a UEL e instituições japonesas.

Diversas reportagens produzidas pela Agência UEL ao longo dos anos registraram a recepção de delegações japonesas na Universidade e a presença constante da professora nessas articulações institucionais. A atuação contribuiu para consolidar acordos de cooperação, ações de mobilidade acadêmica e intercâmbios culturais entre a UEL e universidades japonesas.

A dedicação à preservação da cultura japonesa e ao fortalecimento das relações entre os dois países também rendeu reconhecimento internacional. Estela recebeu a “Comenda do Tesouro Sagrado Raios de Ouro com Roseta”, concedida pelo imperador do Japão em reconhecimento à contribuição para o fortalecimento das relações entre Brasil e Japão.

Professora Emérita Estela Okabayaski Fuzii . Foto: André Ridão/Agência UEL

*Fotos: André Ridão/Agência UEL

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