Projeto enfatiza Anatomia Dentária na formação profissional e produz material didático

Projeto enfatiza Anatomia Dentária na formação profissional e produz material didático

Projeto surgiu a partir da necessidade de facilitar o processo ensino-aprendizagem da Anatomia Dentária, tornando-o mais objetivo possível, assim como divulgar a aplicabilidade clínica

Desde seus anos iniciais como docente temporário na UEL (2006-2008), o professor Rodrigo Castellazzi Sella (Departamento de Anatomia) conta que sempre esteve envolvido com os alunos de graduação em apresentação de trabalhos. Isso não mudou quando se tornou efetivo, em 2011, e até aqui já foram orientados 17 Trabalhos de Conclusão de Cursos.

Conforme o professor, o projeto “A Anatomia dentária como base fundamental para o exercício da Odontologia” surgiu a partir da necessidade de facilitar o processo ensino-aprendizagem da Anatomia Dentária, tornando-o mais objetivo possível, assim como divulgar a aplicabilidade clínica do domínio da área, por meio de relatos de casos apresentados em eventos científicos.

Ele explica que a Anatomia dentária é a parte da Anatomia Humana que se dedica ao estudo dos órgãos dentários e às suas estruturas de suporte e proteção. “Toda e qualquer área da Odontologia depende do domínio minucioso das faces, limites, acidentes anatômicos e todos os detalhes que compõem cada órgão dentário, permitindo ao profissional atuar em qualquer área, seja no âmbito restaurador e protético, endodôntico, ortodôntico, cirúrgico, periodontal, oclusão, entre outros. Assim, o conteúdo abordado neste projeto constitui base fundamental para a prática do cirurgião dentista, seja qual for a especialidade que ele venha exercer”, descreve.

Além disso, segundo o professor, a Odontologia é totalmente dependente de imagens, de modo que, em sala de aula teórica com alunos do primeiro ano de Odontologia, o professor precisa ser o mais objetivo possível e ter a sua capacidade de síntese em altíssimo nível, para tentar tornar um assunto complexo como a Anatomia Dentária, o mais simples possível, sem torná-lo simplista. “Depois existe o desafio de transportar todo este detalhamento e fundamentação, para o laboratório, para a atividade prática de escultura em cera”, informa.

Compreensão facilitada

O projeto permite ao aluno de graduação, em seu contato inicial com a Anatomia dos diferentes Órgãos Dentários, os elementos necessários para compreensão facilitada durante as aulas teóricas (exposição/apresentação docente) e consulta direta durante as aulas teóricas (roteiros) e práticas (roteiros e painéis). “As imagens têm contribuído de modo imensurável para o avanço da Odontologia e com o acesso simplificado dos estudantes à tecnologia, temos utilizado o aplicativo BoneBox – Dental Lite”, relata o professor.

Este aplicativo permite ao usuário selecionar o elemento dentário em questão e movimentá-lo, girá-lo, e avaliá-lo estudando suas inúmeras formas e acidentes anatômicos, seja da coroa, da raiz ou do elemento como um todo, em qualquer vista, permitindo também a análise tridimensional de cada órgão: altura, largura e profundidade.

O professor Rodrigo observa que todos os elementos de ensino são padronizados, o que torna a dinâmica ensino-aprendizagem atraente e facilitada, numa perspectiva extremamente ampla. Um dos objetivos é justamente organizar todos os conceitos, de cada dente, de modo individual. As imagens bi e tridimensionais (radiográficas e tomográficas) podem fazer parte do projeto no futuro, associando a Anatomia Dentária com a Imaginologia e o Diagnóstico Odontológico.

Os resultados são práticos. A aluna Nicole Moraes Polverini (2º ano), com experiência como auxiliar odontológica, está desenvolvendo um trabalho sobre fluxo digital na Odontologia, que em breve será disseminado em eventos científicos. O Escaneamento e a Impressão 3D para a Odontologia estão entre os destaques.

Um Mapa (ou Diagrama) Conceitual organiza os fatores importantes de um determinado assunto e como estes se relacionam. De modo clássico, cada ideia tem uma caixa, linhas conectam caixas e ideias dos conceitos envolvidos, mostrando a forma mais simplificada
da inter-relação entre os tópicos que compõem o assunto.

No projeto, a partir da revisão da Literatura e estabelecimento das definições, elabora-se entre os autores do projeto, o “Mapa Conceitual Anatômico” de cada dente.

Após a aula teórica de cada dente e disseminação de seu Mapa Conceitual Anatômico
para os 60 alunos do primeiro ano do Curso de Odontologia, eles podem ser orientados a elaborar e entregar os Mapas Conceituais Anatômicos dos Dentes como um trabalho.

Reuniões presenciais ou a distância, conforme demanda, entre os participantes para discussão da literatura, organização das ideias e dos conceitos, estudo e discussão de casos clínicos e elaboração de material didático. Cada aluno que participa do projeto mantém contato com o coordenador que vai orientando, corrigindo e atribuindo atividades, individualmente ou em dupla.

Ações

Conforme cronograma, todas as ações têm sido contempladas: revisão e atualização da Literatura, estabelecimento da Metodologia e a Execução dos Desenhos Esquemáticos / Seleção de Casos Clínicos. Alguns trabalhos já tiveram sua formatação e finalização, de modo que a fase de disseminação dos resultados do projeto em eventos, prevista para agosto de 2027, já está acontecendo, com mais de um ano de antecipação. A divulgação para o curso de Odontologia, prevista para agosto de 2027, iniciará em agosto de 2026.

O material didático produzido no projeto será utilizado na prática: projeções em aulas teóricas para o 1º ano de graduação; roteiro utilizado tanto em aulas teóricas como práticas; divulgação em eventos científicos e/ou publicações. Painéis e banners serão impressos e instalados no Laboratório de Anatomia, onde os alunos fazem uma disciplina, para explanações docentes imediatas e diretas, consulta discente e discussões em grupo sobre o assunto.

Tem mais. “Existe ainda a fase em que os Mapas Conceituais, bidimensionais, serão
aplicados em macromodelos dos dentes, ou seja, tridimensionais. Os acidentes
anatômicos serão identificados por linhas, pontilhados e diferentes cores, podendo esta atividade, ser realizada na presença dos alunos de graduação, favorecendo o processo ensino-aprendizagem”, conta o professor. Para esta fase, mais colaboradores serão incluídos no projeto. Este material didático físico será disponibilizado ao acervo do
Departamento de Anatomia.

Nesta fase inicial, o projeto conta com a participação de cinco alunos de graduação,
tanto de anos iniciais quanto finais. Com formação técnica em prótese dentária, Ana Isabel de Souza (5º ano) realiza o levantamento e a leitura criteriosa da
literatura científica pertinente, permitindo estabelecer o método que constitui o
parâmetro para produção e disseminação do material. O protético (técnico) integra parte da equipe multidisciplinar odontológica e, frequentemente, domina a Anatomia Dentária e as técnicas de escultura, mais do que o próprio dentista.

“Vindo de uma área técnica, antes eu não tive muito contato com trabalhos científicos, e durante a participação no projeto pude aprimorar a capacidade de elaboração de trabalhos e de comunicação de informação científica. O que me enriquece muito
profissionalmente. Além claro do conhecimento específico que estamos
sempre pesquisando e debatendo”, avalia Ana.

Já o aluno Gabriel Mosquiara Aguiar (5º ano) está envolvido com a discussão e seleção do conteúdo clínico relacionado com a Anatomia Dentária, já apresentou trabalho e Congresso e iniciará nova atividade no próximo semestre. Julia Eimi Miyashita (3º ano) está finalizando um trabalho de revisão da literatura com ilustrações esquemáticas, secções em cadáveres e um caso clínico envolvendo o desequilíbrio do mecanismo do Bucinador e seu envolvimento com a estabilidade do posicionamento dentário no sentido
vestíbulo-lingual.

Para o graduando, o projeto de ensino melhora o processo ensino-aprendizagem da Anatomia aplicada à Odontologia, no qual, através do desenvolvimento dos mapas conceituais anatômicos, é possível organizar, estruturar e representar visualmente o conhecimento. Além disso, para sua confecção é necessária uma revisão da literatura para encontrar fundamentação científica, o que auxilia no desenvolvimento de
pensamento crítico. “Com essa fundamentação, buscamos a aplicação clínica avançada dos conceitos básicos, de forma a unir os conceitos anatômicos estudados com a prática clínica reabilitadora, aplicação esta que se reflete nos casos clínicos apresentados. Portanto, o projeto de ensino agrega de forma teórica e prática em nossa formação,
além é claro do aprimoramento curricular”, afirma.

Participam ainda dois estudantes do 2º ano de Odontologia: Nicole Moraes Polverini, trabalhando com o fluxo digital na Odontologia, e Giovanni Correa de Moraes Zortea, o “caçula” do projeto. Novos alunos de graduação deverão ser incluídos.

À esquerda, o professor Rodrigo Sella e a estudante Ana Isabel de Souza, que tem formação técnica em prótese dentária. Acima, ele com o aluno Giovani Zortéa, que já apresentou um trabalho em evento científico
(Fotos: Arquivo pessoal)

Disseminação

Os Mapas Conceituais e outras partes do projeto foram ou serão logo apresentados em diversos eventos científicos, como o 14° Congresso da Faculdade de Odontologia de Araçatuba/Unesp, e 9º COL – Congresso Odontológico Londrinense 2026. Alguns trabalhos renderão artigos a serem publicados.

O professor destaca a difusão dos mapas conceituais. “Eles farão sua estreia na disciplina Anatomia e Escultura Dentária no segundo semestre de 2026, um ano antes do previsto, e serão utilizados no roteiro disponibilizado aos alunos, e ainda, apresentados em Eventos Científicos”, expõe.

Segunda fase

Na avaliação do coordenador do projeto, a relevância da segunda fase do projeto se encontra no impacto gerado no processo de ensino-aprendizagem da Anatomia aplicada à Odontologia, em que a maioria dos graduandos do curso, principalmente os que se encontram no início dele, tem dificuldade em visualizar e compreender os detalhes anatômicos, além de enxergar de forma prática seu impacto no atendimento clinico. “Assim, os Mapas Conceituais e pesquisas que os fundamentam se tornarão ferramentas fundamentais aos professores e monitores durante o processo de ensino aos alunos do primeiro ano, auxiliando-os a superarem esse impasse inicial”, pontua.

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