De arremesso a protagonista: o tomate como foco de pesquisa
De arremesso a protagonista: o tomate como foco de pesquisa
Projeto está em execução há mais de 10 anos e, além da Agronomia, envolve os Departamentos de Biologia e Química para o melhoramento genético de tomateirosCom a crescente preocupação com a disponibilidade de água potável e os impactos das mudanças climáticas, a agricultura tem impulsionado pesquisas voltadas ao desenvolvimento de culturas mais adaptadas a períodos de seca. Diante disso, o professor Juliano Vilela de Resende, do Departamento de Agronomia, do Centro de Ciências Agrárias (CCA), busca desenvolver cultivares de tomateiro tolerantes ao estresse hídrico, capazes de produzir os frutos utilizando menos água sem comprometer a produtividade.
O projeto “Desenvolvimento de cultivares de tomateiro tolerantes ao déficit hídrico” está em execução há mais de 10 anos. A pesquisa conta com a participação de professores, estudantes de graduação e pós-graduação, que atuam em todas as partes do estudo. Além disso, a pesquisa dialoga com o caráter interdisciplinar acadêmico, ao receber a colaboração dos Departamentos de Biologia Animal e Vegetal e Química para o melhoramento genético de tomateiros.
O tomate é uma das hortaliças que mais demandam água durante o cultivo, sendo
necessário cerca de 7 milhões de litros de água por hectare. Além do elevado consumo hídrico para irrigação, a produção também exige energia para aplicações de fertilizantes e defensivos agrícolas. Segundo o pesquisador, a falta de água pode comprometer diretamente o desenvolvimento das plantas e reduzir a produtividade e a qualidade das lavouras.

(Foto: André Ridão/COM)
A pesquisa utiliza espécies silvestres como: Solanum. pennellii, S. chilense e S.
galapagense, conhecidas pela resistência natural à seca, como a fonte genética para
cruzamentos com as linhagens comerciais. O objetivo é obter tomates híbridos que
mantenham características desejáveis para o mercado, como produtividade e resistência a doenças, mas que apresentem maior tolerância ao estresse hídrico.
Para identificar as plantas mais resistentes, os pesquisadores submetem centenas de
amostras a condições controladas de déficit hídrico e cruzamentos genéticos, um processo que leva de 7 a 8 anos para o resultado final. Ao longo de sucessivas gerações, são selecionados os materiais que mantêm melhor desempenho em meio ao estresse hídrico. “Os resultados obtidos até o momento são de tomates híbridos que conseguem se desenvolver com cerca de 30% da água necessária para os tradicionais comerciais” , indica Resende, sobre a redução significativa da necessidade de irrigação e o sucesso da
pesquisa.
Redução de gastos
Além da economia de água, a tecnologia pode diminuir gastos com energia, contribuindo para sistemas de produção mais sustentáveis, especialmente em regiões onde a disponibilidade hídrica representa fator limitante para a agricultura. “Os tomates híbridos também são relevantes para o mercado por apresentarem maior valor nutricional e diferenciais gastronômicos, como a diversidade na aparência e o sabor mais adocicado”, enuncia Resende.
A iniciativa também está relacionada a uma tese de Doutorado em andamento orientada pelo professor, que aprofunda os estudos sobre o melhoramento genético associado à tolerância à seca em tomateiros. A pesquisa tem parcerias estratégicas com universidades estrangeiras, entre elas West Virginia University, a Kentucky University e instituições brasileiras – Universidade Federal de Lavras.
Pesquisador do Departamento de Agronomia da UEL, Juliano Vilela de Resende trabalha com melhoramento genético de tomate desde de 1993 e é bolsista de Produtividade em Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico há 17 anos, reconhecimento concedido a pesquisadores destaque na produção científica e tecnológica.

*Estagiária de Jornalismo da COM/UEL.




