Pesquisa investiga como a Inteligência Artificial transforma o aprendizado de línguas estrangeiras

Pesquisa investiga como a Inteligência Artificial transforma o aprendizado de línguas estrangeiras

Iniciativa cria grupos de trabalho e de estudo para capacitar educadores e analisar criticamente o uso ético e pedagógico das novas tecnologias

A popularização do uso da Inteligência Artificial (IA) tem transformado profundamente as estruturas sociais e a educação não poderiam ficar inerte diante desse cenário. O projeto de pesquisa “Inteligência Artificial e Ensino de Línguas: Espaço Colaborativo para Inovação e Reflexão em Práticas Pedagógicas Multilíngues”, do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas (LEM) da UEL pretende investigar como a IA impacta o cenário educacional com ênfase no ensino de línguas estrangeiras.

Coordenado pela professora Samantha Ramos, o projeto vai além do uso da tecnologia. A iniciativa promove análise detalhada e crítica dessas novas ferramentas, explorando suas possibilidades éticas, linguísticas e culturais dentro das práticas pedagógicas.

As tecnologias educacionais são objeto de estudo da professora há mais de 20 anos. A popularização do ChatGPT, no final de 2022, indicou à docente um novo campo de pesquisa. “A inteligência artificial trouxe grandes mudanças para o cenário educacional como um todo, e para ensino superior, surgiram  desafios  relacionados à escrita acadêmica. Inicialmente, percebi um posicionamento bastante negativo em relação à IA no ensino superior. Era o momento certo de começar a estudar o que, hoje, já sabemos que é inevitável: as ferramentas de IA já são amplamente utilizadas pelos discentes.  A proposta do projeto e suas ações extensionistas visa, primeiramente, darmos conta da existência destas ferramentas para,  depois, aprendermos a usá-las e aí sim,  avaliar criticamente seus  impactos”, explica Ramos.

Equipe do projeto de pesquisa: ciência colaborativa

Aprender na prática

Para tirar as reflexões do papel, o projeto estruturou uma ação extensionista dividida em duas frentes complementares. A primeira delas é o Grupo de Trabalho (GT) Inteligência Artificial no Cenário Educacional.

O grande diferencial do GT é a sua abordagem prática: o objetivo é capacitar professores, graduandos e pós-graduandos da área da linguagem, funcionando como um laboratório de experimentação. Os participantes são convidados a testar ativamente uma vasta gama de ferramentas de IA que podem ser utilizadas para aprimorar o cenário educacional. A intenção é descobrir como essas tecnologias podem otimizar a criação de materiais didáticos, promover a acessibilidade e engajar os estudantes de formas totalmente inovadoras.

Teoria, Ética e Cognição

Complementando as experimentações práticas, o Grupo de Estudo (GE) foca no aprofundamento teórico. Afinal, para que a IA colabore efetivamente com a aprendizagem, é preciso entender seus limites.

O cronograma de debates do grupo é organizado em quatro grandes eixos temáticos: Fundamentos e contexto, para a construção de uma base conceitual comum; depois Dimensões Linguísticas e Pedagógicas, onde se faz a análise de como a IA afeta a autoria, a criação de conteúdo e a avaliação; Questões Éticas e Críticas, para o desenvolvimento de um olhar atento para identificar vieses, erros factuais e inconsistências das ferramentas, pensando também na inclusão escolar; Cognição, Aprendizagem e Confiança, com debate sobre os reais impactos biológicos e cognitivos no ato de aprender e os critérios para o uso responsável.

Ciência de forma colaborativa

Para a pesquisadora, o uso da IA na aprendizagem de línguas estrangeiras tem uma relação direta com a cognição, que é como o cérebro processa, armazena e recupera informações linguísticas. “Como pensa essa nova geração com acesso à inteligência artificial?”, questiona. Na atualidade, a escrita se processa de uma outra maneira e nesta elaboração, a figura do professor que entende sobre IA se torna decisiva. “É um novo processo que deve ser mediado pelo docentes letrados em IA. Em um processo em que o próprio docente não está letrado e não sabe usar as ferramentas, pode haver prejuízo tanto para quem ensina quanto para quem quer aprender”, comenta.

Em relação ao ensino de línguas, os aplicativos deram um passo à frente ao incorporar a IA e isso também será interesse de estudo do projeto. Ramos diz entender a linguagem como prática social. “Aprendemos a língua ao estar em sociedade, na interação. E como será que vamos aprender na interação com a máquina que simula uma interação humana? Alguns estudos já estão sendo publicados e essa é uma área de pesquisa bastante interessante onde ainda temos muito a estudar”, preconiza.

A professora ressalta que todo o trabalho é estritamente colaborativo e conta com o apoio de doutorandos e mestrandos do Mestrado Profissional em Letras Estrangeiras Modernas (MEPLEM) e do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (PPGEL). “O êxito das nossas ações extensionistas deve-se inteiramente ao empenho desse grupo”, afirma.

Tanto as atividades práticas quanto os debates teóricos acontecem de forma totalmente online e síncrona via Google Meet, estendendo-se, nesta etapa, ao longo de encontros realizados de abril a novembro de 2026.

A metodologia adotada pela equipe reforça o caráter democrático da pesquisa: encontros dialogados com a participação ativa de todos os envolvidos. Além disso, o projeto prevê um impacto duradouro para além dos muros dos domínios da Universidade: está nos planos a criação de um repositório educacional digital, um espaço para socializar e distribuir gratuitamente os materiais pedagógicos e os resultados desenvolvidos pelo grupo, ajudando a moldar o futuro do ensino de línguas na era digital.

Mais informações rede social do Projeto.

*Assessora especial na Coordenadoria de Comunicação/UEL

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