Projeto avança na produção de vacinas contra doença infecciosa que atinge peixes de água doce

Projeto avança na produção de vacinas contra doença infecciosa que atinge peixes de água doce

Tilápias e bagres de cultivo estão entre as espécies mais afetadas por doenças e contaminações por bactérias que afetam a atividade produtiva

O Brasil é um dos maiores produtores de tilápia no mundo e o Estado do Paraná é o maior produtor do país. Segundo dados do Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, no ano passo, o Paraná alcançou a marca de 273 mil toneladas de pescados produzidos, um recorde para o setor. A Universidade Estadual de Londrina (UEL) desenvolve projeto cujo objetivo é assegurar a saúde e a qualidade dos peixes de água doce, sobretudo a tilápia. Presente em todas as regiões do Brasil e com expressivo potencial econômico, essa produção está sujeita a doenças e contaminação por bactérias.

O projeto intitulado: “Caracterização dos fatores determinantes de virulência relacionados a predileção patógeno hospedeiro nas diferentes espécies patogênicas para peixes do gênero edwardsiella e desenvolvimento de estratégias vacinais contra a edwardsielose”, coordenado pelo professor Ulisses de Pádua Pereira, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva do Centro de Ciências Agrárias (CCA), pretende elucidar os fatores de virulência relacionados a infecções em determinados tipos de peixes, bem como explorar melhores estratégias vacinais que irão resultar proteção para peixes produzidos no país (tilápias e bagres nativos).

Professor Ulisses de Pádua Pereira: projeto surgiu a partir de estudos realizados pela equipe do Laboratório de Bacteriologia de Peixes

O pesquisador atua na área de Medicina Veterinária Preventiva, com ênfase em Bacteriologia e Doenças Bacterianas (principalmente em peixes). Ele diz que o projeto surgiu a partir de estudos realizados pela equipe do Laboratório de Bacteriologia de Peixes (LABBEP), que há anos trabalha com pesquisas voltadas a saúde dos peixes sob a perspectiva de Saúde Única (abordagem integrada que reconhece a conexão entre a saúde humana, animal, vegetal e ambiental).

O docente explica que algumas espécies que compõem o gênero da bactéria edwardisiella possuem predileção por ciclídeos (especialmente tilápias), enquanto outras são mais inclinadas a peixes siluriformes (bagres). No entanto, pouco se sabe sobre os fatores que estão relacionadas a essa preferência que causa infecção e o desenvolvimento de doenças nesses peixes. Deste modo, a iniciativa pretende mapear o comportamento bacteriano sobre esses animais.

Eficácia pesquisada

A metodologia utilizada para o estudo é a análise de expressão gênica global, que segundo Pádua, “consiste em avaliar o momento em que a bactéria cresce no tecido da tilápia e pode então observar quais genes estão sendo mais e menos espessos quando comparado com o meio de cultura sem o tecido de tilápias e comparar também com o meio de cultura do peixe pintado”, explica.  

Pesquisador atua na área de Medicina Veterinária Preventiva

“Assim, analisando cada gene poderemos descobrir ou pelo menos sugerir quais estão relacionados com a predileção por cada peixe”, complementa. A edwardsiellose é considerada um dos grandes desafios sanitários e costuma aparecer em criações, por consequência pode representar prejuízos econômicos para a produção. Ulisses de Pádua explica que nos peixes a bactéria geralmente causa apatia/letargia, os animais ficam mais parados, pode apresentar barriga abaulada (acúmulo de líquidos), buraco na cabeça dependendo da espécie e até morte súbita. “Em órgãos internos percebe-se lesões brancas no baço e fígado”, diz Pádua.

Também o projeto irá desenvolver vacinas e validar a eficácia delas para bagres e tilápias por diferentes vias de administração das vacinas (injetável e por imersão dos peixes na água com vacina).

Resultados esperados

O cronograma de execução do projeto prevê um roteiro de 36 meses de produção, que ao final, espera contribuir com informações que levem a compreensão dos fatores de virulência destes patógenos (agente causador da doença), ao entendimento desta patogenia (em como o agente invade o organismo dos peixes e progride causando sintomas e até lesões), bem como, identificar a melhor estratégia vacinal a ser utilizada no controle da doença. O intuito é produzir e comercializar vacinas em grande escala em até cinco anos, finaliza o pesquisador.

Objetivo é produzir vacinas em grande escala

*Estagiário de jornalismo da Coordenadoria de Comunicação Social FOTOS: André Ridão/COMUEL.

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