Estoque de sangue no PR atinge nível crítico e Hemocentro alerta para urgência de doações
Estoque de sangue no PR atinge nível crítico e Hemocentro alerta para urgência de doações
Frio e férias escolares agravam a queda nos tipos O+ e O -; demanda por doadores é permanente também em LondrinaA escassez de sangue no Paraná atingiu um patamar crítico, com atenção redobrada para o tipo O negativo (O-). De acordo com o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), o desabastecimento afeta toda a rede estadual e coloca o tipo O positivo (O+) em níveis alarmantes.
A situação se confirma em Londrina. De acordo com Fausto Trigo, coordenador do Hemocentro Regional de Londrina HU/UEL, a preocupação com os estoques de sangue dos tipos O negativo e O positivo é legítima, uma vez que não se trata de uma situação pontual, mas de uma realidade constante ao longo de quase todo o ano. “Como o O negativo é o doador universal e o O positivo é o doador ‘quase universal’, a demanda por ambos sempre supera a oferta disponível em todas as unidades de saúde”, explica. “A necessidade de doações é diária e permanente”, pontua. Na opinião do gestor, as campanhas de conscientização deveriam, idealmente, enfatizar que, embora todos os tipos sanguíneos sejam essenciais, o O positivo e o O negativo apresentam um déficit mais crítico.
Trigo revela que no primeiro semestre deste ano, foi possível manter e até elevar ligeiramente o número de doações em comparação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, diversos fatores limitaram um crescimento mais expressivo, como condições climáticas adversas e outros eventos imprevistos. A inauguração da Unidade de Coleta do Centro (UCC), continua o coordenador, tem facilitado o acesso para muitos doadores que anteriormente se deslocavam até a unidade do Hospital Universitário.

Na avaliação do coordenador, embora o mês de junho, tradicionalmente marcado pela campanha “Junho Vermelho” contribua para um maior engajamento, o frio intenso comprometeu significativamente a coleta. “Agora, com as férias escolares, enfrentamos um novo desafio que costuma impactar o volume de doações. Observamos também que a existência da UCC ainda é pouco conhecida por grande parte da população londrinense”, afirma.
Na tentativa de reverter a situação, o Hemocentro está trabalhando na estruturação de estratégias para o segundo semestre para incentivar a doação de sangue.
Acidentes nas estradas
Outra situação desfavorável é a maior incidência de acidentes nas estradas mais movimentadas nessa época do ano, o que significa um aumento da necessidade de sangue para cirurgias eletivas e emergenciais.
O sangue do tipo O Rh negativo (O-) é o mais valioso em emergências médicas, pois ele pode ser utilizado em todas as pessoas que necessitam. Em casos graves, quando alguém chega ao hospital com hemorragia e não há tempo de realizar o teste do tipo de sangue, os médicos utilizam o tipo O- para salvar a vida do paciente.

Já o sangue do tipo O Rh positivo (O+), embora não seja o doador universal absoluto (devido ao fator Rh), é o tipo sanguíneo mais comum na população brasileira. Por ser o mais frequente, é o tipo mais utilizado nos hemocentros. Além disso, ele pode ser doado para qualquer pessoa que tenha fator Rh positivo (A+, B+, AB+ e o próprio O+), o que abrange a grande maioria da população.
Além do atendimento a pessoas em estado grave, a doação de sangue é essencial para garantir o atendimento de cirurgias, tratamentos oncológicos e muitos outros procedimentos que precisam de transfusão. O sangue captado na Hemorrede é utilizado para atender a demanda de 95,6% dos leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) no Paraná.
Cada doação gera, em média, de 450 ml a 470 ml de sangue e cada bolsa pode ser fracionada em até quatro hemocomponentes: hemácias, plaquetas, plasma e crioprecipitado (plasma fresco congelado). Uma doação pode salvar, no mínimo, quatro vidas. A reposição do volume de sangue doado não causa nenhum prejuízo para o organismo. O plasma ocorre em 24 horas e a dos glóbulos vermelhos em 4 semanas.
Unidades Hemorrede
As doações podem ser feitas nas 23 unidades da Hemorrede Paranaense, que atendem mais de 380 hospitais de todo o estado. É possível fazer o agendamento no site do Hemepar, que evita filas e espera. Clique aqui para fazer o agendamento.
No Hemocentro Regional (HR) de Londrina, as doações podem ser feitas na Rua Claudio Donizeti Cavalliere, 156 (anexo ao Hospital Universitário) e na CCU, Unidade de Coleta Central – Rua Pref. Hugo Cabral, 677. O atendimento ao doador acontece de segunda a sexta-feira, por ordem de chegada (não é necessário agendamento). Aos sábados, necessário agendamento da doação via internet ou pelo WhatsApp (43) 99115-3927. De segunda a sexta-feira, das 8h às 18h e aos sábados, das 8h às 17h (necessário agendamento).
Quem pode doar
Para doar, é necessário ter entre 16 e 69 anos completos. Menores de idade precisam de autorização e presença do responsável legal. Homens podem doar a cada dois meses e, no máximo, quatro vezes ao ano. Mulheres, a cada três meses, num total de três doações ao ano.
O doador deve pesar no mínimo 50 quilos, estar descansado, alimentado e hidratado (evitar alimentação gordurosa nas quatro horas que antecedem a doação). Para doar sangue é obrigatório apresentar documento oficial com foto, nome completo, data de nascimento, nome da mãe, número do RG e/ou CPF.
*Assessora especial na Coordenadoria de Comunicação/UEL




