Orquestra Sinfônica da UEL inicia Temporada 2026 com grandes obras, solistas renomados e tributos especiais
Orquestra Sinfônica da UEL inicia Temporada 2026 com grandes obras, solistas renomados e tributos especiais
Programação vai de março a dezembro com alcance ampliado da música de concerto para diferentes públicosA Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (OSUEL) está prestes a iniciar sua Temporada 2026, que se estende de março a dezembro e reafirma o compromisso da instituição com a excelência artística, a diversidade de repertório e o acesso à música de concerto. A programação contempla obras fundamentais da música sinfônica, séries temáticas, espetáculos narrativos e um tributo especial ao cinema, reunindo regentes e solistas de destaque do cenário nacional e internacional. A maioria dos concertos será realizada no Cine Teatro Universitário Ouro Verde, porém, a itinerância será o foco de alguns eventos planejados para acontecer ao longo do ano.
O Diretor Artístico da OSUEL, o maestro Rossini Parucci, adianta que este será um momento de maturidade e expansão da Orquestra. “Mantemos nossa identidade artística e nosso compromisso com o grande repertório sinfônico, mas ampliamos nossa forma de dialogar com o público e com a cidade. A expectativa é consolidar esse crescimento, fortalecer nossa presença territorial e ampliar o alcance da música de concerto para diferentes públicos”, espera.
A OSUEL integra a Casa de Cultura da Universidade, órgão suplementar da instituição. Parucci explica que a Orquestra cumpre a missão institucional que cabe a todos os órgãos suplementares, “de desenvolver atividades culturais e de prestação de serviços à sociedade”. Exemplificando, disse que assim como o Hospital Universitário (HU) presta serviço público na área da saúde, a OSUEL presta serviço público na área da cultura.
“Ela leva a música de concerto à sociedade, amplia o acesso à arte, forma público e fortalece a identidade cultural da região. Manter a OSUEL por mais de quatro décadas é reafirmar a cultura como parte essencial do compromisso público da Universidade com a comunidade e com o desenvolvimento cultural de Londrina e região”, completa o maestro.
Concertos plurais
A temporada tem início neste mês com a Série Arábica, sob regência de Parucci e participação do pianista Lucas Thomazinho, apresentando o imponente Concerto para Piano nº 5 – Imperador, de Beethoven, e a consagrada Sinfonia nº 41 – Júpiter, de Mozart. Os concertos estão marcados para a próxima semana, nos dias 13 e 14, sendo que os ingressos já podem ser adquiridos pelo site da OSUEL. Os valores cobrados vão de R$ 20 a R$ 60, dependendo do setor e modalidade escolhida (meia-entrada ou inteira).
Em 10 e 11 de abril, a Série Especial traz Rodrigo de Oliveira na direção e violino, com um programa dedicado ao barroco, incluindo o Concerto para Violino em Mi Maior, de Bach, e o célebre ciclo As Quatro Estações, de Vivaldi.
O mês de maio (dias 8 e 9), pela Série Catuaí, conta com Winston Ramalho na direção e violino, interpretando Mozart e Beethoven, com destaque para o Concerto para Violino em Ré Maior.
Em junho, a Série Arábica recebe o regente convidado Jacob Harrison e o violoncelista Lucas Barros, em um programa que percorre Mozart, Schumann e Schubert nos dias 5 e 6.

Atrair mais públicos
A temporada segue em julho com destaque que vai além dos clássicos: “A Magia do Cinema – Tributo a John Williams”, pela Série Especial, novamente sob regência de Parucci, reunindo trilhas icônicas como Star Wars, E.T., Indiana Jones, Jurassic Park e Harry Potter.
O maestro explicou que a OSUEL busca contemplar novos nichos. “Nosso compromisso é com a excelência artística, seja interpretando Beethoven e Mozart, seja celebrando trilhas que marcaram gerações. A música de cinema é uma ponte poderosa entre o público e a orquestra, e ao incluir um tributo a John Williams, ampliamos o diálogo com novos públicos sem abrir mão da qualidade e profundidade musical”, pontuou. Os fãs dos clássicos poderão acompanhar os concertos de 3 a 4 de julho.
Em agosto, a Série Arábica apresenta Knut Andreas como regente convidado e a pianista Simone Leitão, com obras de Prokofiev, Beethoven e Haydn nos dias 7 e 8.
O mês seguinte traz duas propostas distintas. Primeiramente, a Série Bourbon, dedicada ao barroco em 11 e 12 de setembro, com direção de Nildo Baía e participação de solistas convidados. Voltada ao público familiar nos dias 26 e 27, a Série Contos apresenta Pedro e o Lobo, de Prokofiev, e Pequeno Polegar, de Ravel, sob regência de Werner Silveira e narração de Edinho Moreno.
Parucci celebrou o fato da série ter levado a um crescimento consistente da presença de famílias no Teatro Ouro Verde. “São pais levando filhos, crianças tendo seu primeiro contato com uma orquestra ao vivo, isso cria vínculos afetivos duradouros com a música. ‘Pedro e o Lobo’ é uma obra emblemática nesse sentido, pois une narrativa e orquestração de forma acessível e envolvente”, completou.
Já em 9 e 10 de outubro, a Série Especial mergulha no universo do tango com obras de Astor Piazzolla, sob direção de Jovana Trifunovic e com participação do violista Jairo Chaves.
A Série Conilon, em 6 e 7 de novembro, recebe o maestro Roberto Tibiriçá e o violoncelista Philip Hansen, em um programa que reúne Mozart, Saint-Saëns e Beethoven.
Encerrando a temporada, em 4 e 5 de dezembro, a Série Arábica traz Parucci à frente da orquestra, com o clarinetista Marcus Julius Lander, interpretando o Concerto para Clarinete K. 622, de Mozart, e a Sinfonia nº 5 – Reforma, de Mendelssohn.
Os concertos serão realizados sempre às 20h, às sextas e sábados, no Cine Teatro Ouro Verde, com a venda de ingressos realizada pelo site da OSUEL. Confira aqui o Caderno da Temporada 2026.
Além do Ouro Verde
A orquestra também vai lançar a Série OSUEL nas Igrejas, que levará programas a diferentes espaços de valor histórico e espiritual em Londrina ao longo da temporada, com repertórios que dialoguem com esses ambientes. “A ideia é descentralizar a música de concerto e aproximá-la de comunidades que, muitas vezes, não frequentam o Teatro Ouro Verde”, conta Parucci. No momento, os acordos com os templos que irão receber os concertos estão sendo finalizados, para o anúncio posteriormente.
A ideia é ampliar o conceito de uma série antiga da orquestra chamada O Som que Toca a Alma, que viabilizou concertos intimistas em espaços como a Catedral Metropolitana de Londrina. A iniciativa atual ultrapassa esta noção com “uma proposta estruturada de expansão territorial, com diversidade de repertórios e integração mais orgânica com diferentes comunidades da cidade. Se no passado a série representou um gesto de aproximação, agora buscamos consolidar essa presença como parte permanente da atuação da OSUEL fora do Teatro Ouro Verde”, ressalta o maestro.
Auxílio financeiro
Os deputados estaduais Goura (PDT) e Tercílio Turini (MDB) apresentaram uma emenda coletiva ao Orçamento de 2026 da Assembleia Legislativa, destinando R$ 1 milhão, em caráter emergencial, para assegurar a continuidade das atividades da OSUEL. O auxílio foi anunciado após o maestro Parucci enviar um memorando alertando para a redução drástica do quadro de músicos enfrentada pela orquestra, em razão de aposentadorias sem reposição, o que compromete a manutenção da programação.
Com seu alerta, o diretor artístico almeja “sensibilizar a sociedade e o Governo do Estado para o prejuízo cultural, educacional e social que ocorreria caso a orquestra não pudesse cumprir plenamente seus objetivos”. Reforça ainda que a Universidade se atenta à situação, empreendendo “todos os esforços possíveis para buscar soluções duradouras, responsáveis e estruturantes para a manutenção e o fortalecimento das atividades da OSUEL”. Garantiu que a Temporada 2026 seguirá normalmente ao longo do ano.
Em discurso proferido no plenário na última segunda-feira (2), Goura salientou que a OSUEL é patrimônio de Londrina e orgulho do Paraná, dando suporte às atividades acadêmicas dos cursos de música da UEL e ultrapassando um milhão de acessos anuais em suas plataformas digitais.
*Bolsista na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação
