UEL lidera novo NAPI voltado à inovação e sustentabilidade na aquicultura paranaense
UEL lidera novo NAPI voltado à inovação e sustentabilidade na aquicultura paranaense
Em parceria com instituições nacionais e internacionais, a iniciativa científica investe em biosseguridade, genética e economia circularA aquicultura paranaense ganha reforço científico e tecnológico com a estruturação de um Novo Arranjo Pesquisa e Inovação, o NAPI Aqua (NAPI Inovação na Aquicultura: Sanidade, Genética, Ambiência e Nutrição Funcional). Fruto de uma articulação de mais de dois anos e meio liderada pelos professores da UEL, Ulisses de Pádua Pereira, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva do Centro de Ciências Agrárias (CCA) e Nelson Mauricio Lopera Barrero do Departamento de Zootecnia, também do CCA, o projeto conta com o apoio da Fundação Araucária e do Governo do Estado do Paraná para impulsionar a produção sustentável no setor.
Diferente de abordagens tradicionais restritas à piscicultura, o arranjo adota uma visão ampla e estratégica. A proposta abrange soluções voltadas também à carcinicultura e à ranicultura, setores que apresentam expressivo potencial de crescimento regional. O projeto tem como objetivo principal consolidar um ecossistema robusto de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltado à aquicultura no Estado do Paraná, promovendo avanços científicos e tecnológicos que contribuam para a sustentabilidade, biosseguridade e competitividade das cadeias produtivas de organismos aquáticos. O financiamento é da Fundação Araucária com um aporte de R$ 5 mi e da Seti, com R$ 1 milhão.
Protagonismo da UEL e conexão global
A UEL assume o papel central na articulação e execução do NAPI Aqua, sediando a coordenação geral do projeto e liderando diretamente três das cinco frentes de trabalho. A iniciativa consolidou uma sólida rede interinstitucional. Na esfera estadual, integram a rede a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Universidade Estadual de Maringá (UEM), a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), a Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

Também de forma integrada, o projeto contará com a relevante participação da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR) e do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), instituições estratégicas para a sanidade, a extensão rural e o desenvolvimento produtivo do Estado.
A articulação entre academia/pesquisa, defesa agropecuária e extensão permitirá transformar o conhecimento científico em soluções aplicadas, fortalecendo a cadeia aquícola paranaense de maneira coordenada, segura e sustentável. Nesse contexto, a busca é por construir, em conjunto com esses órgãos estaduais, ações voltadas ao aprimoramento dos protocolos de biosseguridade, ao suporte técnico aos produtores, à prevenção e controle de enfermidades e à qualificação das práticas de manejo aquícola. Essa união institucional será fundamental para ampliar o impacto do projeto, promover inovação no campo e contribuir para uma aquicultura mais competitiva, organizada e resiliente no Paraná.
O projeto se estende nacionalmente com participação do professor Rommel Thiago Juca da Universidade Federal do Pará (UFPA), e da professora Flavia Aburjaile da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No cenário internacional, a rede conta com a cooperação da Washington State University, com o pesquisador Thomas Waltzek, nos Estados Unidos e da instituição CorpaVet, na Colômbia, com a pesquisadora Paola Barato.
Inovação científica aplicada à cadeia produtiva
As pesquisas do NAPI Aqua se dividem em cinco eixos integrados que buscam responder aos principais desafios sanitários, ambientais e tecnológicos da aquicultura. Sob a coordenação da UEL em conjunto com a ADAPAR e o IDR-Paraná, a primeira frente de trabalho se concentra no levantamento dos principais patógenos que afetam os peixes e na implementação de um laboratório especializado em doenças virais e cultura de células. O foco principal do grupo está no desenvolvimento de testes rápidos de diagnóstico.
Segundo o professor Ulisses de Pádua Pereira, a agilidade do diagnóstico é um divisor de águas para o setor. “Esta tecnologia é fundamental, pois permite identificar patógenos em minutos, garantindo a biosseguridade no manejo. É um passo crucial para evitar que alevinos infectados sejam introduzidos em fazendas livres de tais doenças, prevenindo prejuízos significativos aos produtores”, destaca o coordenador.
A UEL também lidera o segundo subprojeto, dedicado ao monitoramento da resistência bacteriana aos antimicrobianos, analisando desde os microrganismos patogênicos até a microbiota bacteriana do trato gastrointestinal dos animais e do ambiente aquático. Adicionalmente, por meio de questionários epidemiológicos, os pesquisadores também buscam mapear os fatores de risco associados ao aumento da resistência aos antibióticos. “Trata-se de uma investigação alinhada com as exigências sanitárias mundiais, uma vez que a resistência aos antibióticos se tornou um gargalo crítico e uma prioridade crescente em nível mundial, afetando diretamente pesquisadores, trabalhadores do campo e toda a cadeia produtiva e consumidores, a famosa uma só saúde”, pontua Pereira.
Bioinsumos e sem “gosto de barro”
Na terceira frente de pesquisa, sob liderança da UEL em parceria com o professor Nelson Mauricio Lopera Barrero (UEL), do professor Eduardo Ballester da UFPR, o professor Petrônio Pinheiro Porto da UENP e da professora Jesiane Stefania da Silva Batista, da UEPG, o foco é o desenvolvimento de aditivos nutricionais, como óleos essenciais e bactérias probióticas voltadas a peixes, camarões e rãs.
O estudo também irá prospectar e validar microrganismos biorremediadores capazes de degradar matéria orgânica e reduzir resíduos nitrogenados tóxicos, além de aplicar estratégias biológicas para neutralizar toxinas que causam o chamado off-flavor, o característico “gosto de barro”, da carne dos peixes. A parceria com a UEPG explora essas bactérias para metabolizar toxinas e controlar cianobactérias, visando eliminar impactos negativos na qualidade final do produto e garantir maior excelência comercial para a indústria.
Tilápias mais resistente às doenças
A quarta linha de ação, voltada ao melhoramento genético de peixes, é coordenada pelos professores Ricardo Pereira Ribeiro e Carlos Antonio Lopes de Oliveira, da UEM, contando com o suporte da equipe da UEL. A escolha da UEM reflete a expertise da instituição, responsável por uma das linhagens de tilápia mais importantes do país. O objetivo principal é identificar marcadores genéticos associados à resistência natural contra os principais patógenos da piscicultura. “Com base na minha experiência prévia com empresas multinacionais, este é um projeto altamente viável, visto que existem linhagens naturalmente mais resistentes; e ao mapearmos esses marcadores, poderemos selecionar e desenvolver futuras gerações de peixes mais resilientes a doenças”, pontua o pesquisador.
Filtros tecnológicos e sustentabilidade
O quinto subprojeto é conduzido pela Unioeste, sob a responsabilidade das professoras Veronice Slusarski Santana, Mônica Lady Fiorese e Fabiana Gisele da Silva Pinto e esta etapa se dedica ao desenvolvimento de protótipos de alta tecnologia para o reuso de água. Diante dos cenários recorrentes de escassez hídrica, a equipe utiliza materiais adsorventes produzidos a partir de resíduos industriais, como ossos, escamas, zeólitas, resinas, casca de arroz, bagaços, resíduos florestais e até dejetos da produção animal, para criar filtros capazes de assegurar a qualidade química e microbiológica da água.
O sistema visa permitir o escalonamento sustentável da produção, prevenindo a transmissão de patógenos entre tanques, reduzindo perdas financeiras e fortalecendo as práticas de economia circular no campo. Além da articulação acadêmica e do suporte governamental, a liderança do projeto busca agora aproximar as pesquisas do setor produtivo, atraindo investimentos da iniciativa privada para acelerar o desenvolvimento, a validação e o lançamento de novas soluções e produtos no mercado.
*Assessora especial na Coordenadoria de Comunicação/UEL – FOTOS: Arquivo COMUEL.




