Delegado de Proteção ao Meio Ambiente do Paraná realiza palestra sobre crimes ambientais
Delegado de Proteção ao Meio Ambiente do Paraná realiza palestra sobre crimes ambientais
Evento pretende reforçar a importância na cooperação entre órgãos públicos e sociedade civil no combate aos maus-tratos contra animaisO tráfico e os maus-tratos contra animais não são considerados apenas crimes ambientais. Ações como essa representam uma ameaça direta à biodiversidade, à saúde pública e à ética social. E quem não pode falar, precisa de quem o defenda. Esse é o tema do evento que acontece no dia 10 de março às 14h, no Anfiteatro Cyro Grossi (CCB/UEL), com palestra do delegado chefe da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), Guilherme Luiz Dias, da Polícia Civil do Paraná.
O evento é uma realização das Pró-reitorias de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPPG) e de Extensão, Cultura e Sociedade (PROEX), do Laboratório de Ecologia e Comportamento Animal (LECA) e do Programa de Educação Tutorial (PET) do curso de Biologia, coordenado pelo professor Emerson Venâncio e do PET de Zootecnia.
O objetivo é discutir os impactos sociais dos crimes ambientais, brechas na legislação e os caminhos para o fortalecimento de políticas públicas de proteção à fauna e reforçar a importância de trabalhos cooperativos entre órgãos de segurança, comunidade científica e sociedade civil. A participação é gratuita e interessados podem se inscrever pelo link até o dia 09 de março.
O convidado Guilherme Dias é graduado em Direito, com especialização em crimes ambientais e segurança pública. Ao longo de sua atuação, coordenou grandes operações policiais e parcerias que resultam no resgate de milhares de animais silvestres, incluindo a megaoperação de junho de 2025, que desmantelou uma rede internacional de tráfico com mais de mil animais apreendidos e 16 prisões.

O delegado também atua como embaixador de iniciativas conservacionistas entre elas, o Criadouro Onça-Pintada, em Curitiba, cujo foco é direcionado ao acolhimento de espécies com risco de extinção. Atualmente, o Criadouro ocupa uma área de 168 hectares e abriga cerca de 2.200 animais de 190 espécies. Além disso, o Onça Pintada é um parceiro institucional do LECA e ambos possuem um convênio formal para atividades de pesquisa e extensão.
Segundo a professora Ana Paula Vidotto Magnoni, do Departamento de Biologia Animal e Vegetal, a palestra pretende direcionar a discussão de forma mais específica para maus-tratos e crimes ambientas, sem perder a conexão com a proteção da fauna, área de atuação de Guilherme Dias. Para ela, episódios de grande repercussão como o caso recente do cão Orelha em Santa Catarina, “recolocam o debate sobre maus-tratos no centro do debate social e mobilizam a opinião pública, ampliando a visibilidade do problema e reforçam a necessidade de discutir responsabilização, legislação e mecanismos de denúncia”, explica.
Ana Paula Vidotto fala da importância de promover discussões como essa na UEL. Para ela, a formação de estudantes, especialmente nas áreas de Ciências Biológicas, Direito, Medicina Veterinária, Gestão Ambiental e afins, “deve integrar fundamentos técnicos, responsabilidade ética e compreensão da legislação ambiental”. Para a docente, trazer esse debate para o espaço acadêmico, promove a articulação entre teoria e prática e aproxima ainda mais os alunos da realidade.
De acordo com a professora Ana Maria Bridi do Departamento de Zootecnia (CCA), que também participa da organização, a vinda do Delegado para a Universidade representa uma ampliação na discussão sobre o tema. Para ela, discutir o bem-estar animal não é falar somente sobre ações que coíbam maus-tratos. A docente salienta que o debate vai além e o bem-estar animal também representa, por exemplo, ” uma boa nutrição, um alojamento adequado que pense a temperatura do ambiente, cuidados que mantenham o animal livre de doenças e lesões de forma a evitar adoecimentos mais graves que levem ao óbito”, conclui.
*Estagiário de jornalismo na Coordenadoria de Comunicação Social.
