Agenda global dos ODSs ganha abordagem interativa na SBPC Jovem

Agenda global dos ODSs ganha abordagem interativa na SBPC Jovem

Ações da Agenda 2030 estão sendo trabalhadas na SBPC Jovem por Programas de Educação Tutorial (PETs).

Em 2022, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou o Ano Internacional das Ciências Básicas para o Desenvolvimento Sustentável (IYBSSD), cujo objetivo foi chamar atenção para o papel da ciência na concretização dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030. Parceira da iniciativa, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) mobilizou as instituições participantes da sua 75ª Reunião Anual, realizada entre os dias 23 e 29 de julho, em Curitiba, para apresentarem ações voltadas ao desenvolvimento sustentável na SBPC Jovem, braço do evento voltado à Educação Básica.  

De acordo com o Diretor de Programas, Projetos e Iniciação Científica da Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Sociedade (Proex), Paulo Liboni, algumas ações presentes na Agenda 2030 estão sendo trabalhadas na SBPC Jovem por professores e alunos bolsistas dos Programas de Educação Tutorial (PETs) da UEL. O conjunto de ações ganhou o nome de “Gaia no PETrilhas”, em alusão ao elemento primordial na mitologia grega, a Mãe-Terra (Gaia).  

Neste sentido, graduandos dos cursos de Geografia, Matemática, Educação Física, Zootecnia e Física estão realizando ações e propondo desafios interativos que abordam temas como agricultura sustentável, cuidados com o solo e até a importância dos cuidados com a saúde mental por meio das atividades de lazer.

Educação Física

Para “testar” a qualidade de vida dos visitantes, alunos do curso de Educação Física estão traçando o “Perfil do Estilo de Vida”, que analisa o bem-estar sob cinco perspectivas: nutrição, atividade física, comportamento preventivo, relacionamento social e controle do estresse, comportamento sedentário e sono. Neste “jogo da vida”, as respostas satisfatórias são marcadas com peças coloridas e as peças da cor branca representam a insatisfação com algum aspecto, de modo que quanto mais colorido for o quebra-cabeças, mais qualidade de vida os entrevistados possuem. Este conteúdo está relacionado com o terceiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável e adota uma metodologia criada pelo professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Markus Nahas, o chamado Pentáculo do Bem-Estar.  

Graduandos em Educação Física aplicam o Pentáculo do Bem-Estar aos visitantes do estande da UEL. (Fotos: Vitor Struck/Agência UEL)

Zootecnia

A redução da fome e a promoção da agricultura sustentável estão presentes no segundo ODS da Agenda 2030 (ONU). Por esse motivo, estudantes do curso de Zootecnia da UEL estão abordando métodos sustentáveis de produção animal na busca pela redução da emissão dos gases do efeito estufa por ruminantes, como bovinos, o que envolve uma melhor interação do processo de produção animal com o meio ambiente.  

“Este CO2 (carbono) que está sendo liberado, nós queremos que ele seja incorporado no crescimento do animal. O carbono está presente no organismo desse indivíduo, então se conseguirmos diminuir a emissão, estamos também melhorando a produtividade e o desempenho dos animais. Então, hoje a pesquisa está melhorando, sendo mais eficiente, com uso de aditivos na ração para que ocorra fermentação, com maior absorção dos ácidos graxos voláteis (ácidos acético, butílico e propiônico) para que o animal tenha essa energia para crescimento e não liberação de metano ou CO2”, explica a docente do Departamento de Zootecnia da UEL, Ana Maria Bridi.  

Matemática

Dentre os desafios propostos no estande da UEL, um deles busca aumentar o interesse dos jovens sobre o paradoxo, um conceito cuja aplicabilidade extrapola o campo da língua portuguesa como figura de linguagem, emprestando à matemática argumentos para a compreensão de problemas complexos. Neste sentido, alunos do PET de Matemática estão demonstrando o Paradoxo do Hotel de Hilbert, um experimento sobre conjuntos infinitos apresentado pelo matemático alemão David Hilbert (1862-1943) em 1924. 

O objetivo deste desafio, conta o diretor da Proex e coordenador do grupo PET de Matemática, Paulo Liboni, é cultivar o interesse dos estudantes sobre conteúdos complexos, atendendo ao quarto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, ou seja, garantir o acesso à educação inclusiva, de qualidade equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos. “A nossa mente não lida bem com o conceito de infinito, então ele (Hilbert) fez essa brincadeira para as pessoas entenderem melhor, de uma forma visual”, compara Liboni. 

Física 

Buscando atender ao mesmo objetivo, bolsistas do curso de Física trouxeram um experimento bastante conhecido que tem como objetivo mostrar a composição da luz branca e abordar o fenômeno da persistência da visão. É o Experimento do Disco de Newton, que pode ser facilmente realizado com cartolina, cola, marcadores ou tintas com as cores vermelha, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. 

Com o experimento é possível mostrar aos estudantes secundaristas que quanto mais rápido o círculo gira, maior será o efeito da composição da luz branca diante dos olhos, abordando diversos conteúdos. São eles, a velocidade de propagação da luz, o complexo processo bioquímico que explica a incidência da luz sobre a retina e até como funcionam as células fotorreceptoras da visão. 

Alunos envolvidos na ação “Gaia no PETrilhas”, de conscientização para o desenvolvimento sustentável.
Geografia

“Combater a desertificação, restaurar a terra e o solo degradado, incluindo terrenos afetados pela desertificação, secas e inundações, e lutar para alcançar um mundo neutro em termos de degradação do solo”. Estas são ações estabelecidas no 15º ODS e que estão sendo abordadas na ação coordenada pela professora Jeani Delgado Paschoal Moura, do Departamento de Geografia da UEL. 

Nesta ação, os visitantes estão sendo convidados a participarem de pinturas coletivas utilizando amostras dos diferentes tipos de solo encontrados no Paraná como matéria-prima. As amostras do solo paranaense, tais como siltito, argilito, arenito, basalto, são do Laboratório de Geologia da UEL e a intenção da brincadeira é demonstrar a variedade de solos do estado. 

Quem passou para conferir o estande da UEL foi a estudante de engenharia florestal Sthefany Campos Ambrósio, 22. “Achei interessante porque o solo é a base de tudo, não estaríamos aqui sem o cuidado com o solo”, diz. 

Estande da UEL recebeu a visita de centenas de estudantes, como a graduanda em engenharia florestal Sthefany Campos Ambrósio, 22.
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