Pint of Science entra para o calendário oficial de Londrina
Pint of Science entra para o calendário oficial de Londrina
Criada em 2018, com participação direta da UEL, edição londrinense é a segunda maior do mundoA Câmara Municipal de Londrina aprovou, por unanimidade, o Projeto de Lei 193/2026, que inclui o festival de divulgação científica Pint of Science no calendário oficial de eventos do município. Encaminhada ao Executivo, a matéria foi sancionada pelo prefeito de Londrina, Tiago Amaral.
A proposta de inclusão partiu do Projeto Ciência Pé Vermelho, que protocolou o pedido e reuniu a documentação técnica e manifestações formais de apoio de entidades como a Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial (SEIA), a Codel e o Instituto Estação 43. Com a aprovação, Londrina torna-se o terceiro município do Paraná a oficializar o evento por lei, juntando-se a Maringá e Pato Branco.

(Foto: Divulgação)
Com a inclusão na legislação municipal, o festival passa a ter respaldo institucional para colaboração com secretarias públicas e cessão de espaços civis. “Quando o município reconhece formalmente o Pint of Science, o evento deixa de depender exclusivamente do esforço de cada edição e passa a colaborar formalmente com a política pública de divulgação científica da cidade. Isso ajuda a divulgação oficial, o apoio logístico, a cessão de espaços públicos, a articulação com as secretarias de cultura, turismo e desenvolvimento econômico, e abre portas para novas parcerias institucionais”, afirma o coordenador da Regional Sul do Pint of Science Brasil e professor do Departamento de Física, do Centro de Ciências Exatas (CCE), da UEL, Eduardo Inocente.
Origem na UEL e expansão do evento
O Pint of Science foi implementado em Londrina no ano de 2018 por iniciativa de quatro pesquisadores da UEL: Eduardo Inocente e Carlos Appoloni, do Departamento de Física, Luiz Henrique Dall’Antonia (Departamento de Química) e André Bacchi (Departamento de Ciências Fisiológicas). A instituição atua como a espinha dorsal do projeto na cidade, articulando a produção de conhecimento acadêmico, com a apresentação acessível ao público em espaços informais, como bares e cafés.
“A universidade pública é a instituição que produz a maior parte da ciência brasileira e, ao mesmo tempo, tem o dever de devolver esse conhecimento à sociedade que a sustenta. O festival é uma forma concreta e de baixo custo de fazer essa devolução, sem burocracia, sem muro e sem jargão científico”, ressalta Inocente. Atualmente, a gestão local é coordenada de forma compartilhada entre a professora Marna Sakalem (UEL) e o professor Helton de Azevedo (Universidade Positivo), com a participação de representantes das 11 instituições de ensino superior da cidade.
Dimensão local e projeção internacional
Em 2026, a edição de Londrina consolidou-se como o segundo maior evento do festival no mundo em volume de atividades e pesquisadores envolvidos, atrás apenas de Londres, onde o projeto foi criado em 2013. Durante três noites de programação gratuita, a etapa londrinense promoveu 88 palestras em 18 estabelecimentos comerciais, com o suporte de 13 parceiros institucionais.

O Pint of Science tira o pesquisador do laboratório e o coloca em um bar, um café, uma praça, conversando de igual para igual com os presentes. “Isso significa pessoas de diferentes idades, classes sociais e níveis de escolaridade tendo contato direto com cientistas, muitas vezes pela primeira vez. E há um efeito de volta para a academia também: o pesquisador aprende a explicar o que faz e muitas vezes descobre que a sociedade tem perguntas muito boas”, comenta Inocente. “Quando a UEL, a UTFPR, o IFPR, o IDR-PR e a Embrapa se sentam à mesma mesa com as instituições privadas para organizar o evento, o que se constrói é a defesa pública da ciência. E, num tempo de desinformação, isso é essencial”, pontua.
O modelo de organização integrada adotado no município chamou a atenção da diretoria internacional do festival. Em reunião recente em Londres com a co-fundadora do Pint of Science, a pesquisadora Praveen Paul, representantes da comissão local apresentaram a estrutura que reúne instituições públicas e privadas em uma mesma comissão organizadora. “Ela ficou surpresa e muito feliz. Não imaginava que o festival havia alcançado esse nível de articulação com tantos atores da sociedade, ainda mais em uma cidade do interior do Brasil. Para quem criou o Pint of Science, ver a ideia crescer desse jeito e agora ser reconhecida por lei é a confirmação de que o modelo funciona em qualquer lugar onde exista uma comunidade científica disposta a sair dos seus laboratórios”, analisa o coordenador.
Números no PR
Na esfera regional, o estado do Paraná registrou 44 cidades participantes em 2026, liderando a presença nacional no festival. Na Região Sul, o total de municípios engajados subiu para 73, contra 54 registrados em 2025. Realizada por pesquisadores, estudantes de graduação e de pós-graduação, todos voluntários, sem cobrança de ingresso e sem fins lucrativo, a nona edição do Pint of Science em Londrina já está confirmada para acontecer entre os dias 10 e 12 de maio de 2027.
*Assessora especial na Coordenadoria de Comunicação/UEL.




