Projeto orienta população com cartilha educativa sobre animais sinantrópicos
Projeto orienta população com cartilha educativa sobre animais sinantrópicos
Material informativo alerta a comunidade para a preservação da biodiversidade urbanaA expansão dos centros urbanos tem contribuído cada vez mais com o aumento da presença de animais silvestres em ambientes que são frequentemente habitados por seres humanos. Neste contexto, muitos animais passam a ser considerados animais sinantrópicos, ou seja, que participam do convívio com humanos.
Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), o projeto de extensão, “Londrina Integrada – Fauna Urbana: Uma cartilha para descobrir e preservar a biodiversidade urbana para uma convivência sustentável”, busca conscientizar a população acerca dos animais comumente encontrados nas cidades, por meio da produção periódica de cartilhas educativas voltadas a alunos do Ensino Fundamental e Médio.

Coordenado pela professora Daniela Bortoli Becegatto, do Departamento de Anatomia, do Centro de Ciências Biológicas (CCB), o projeto surgiu da alta incidência de animais da fauna sinantrópica recebidos pelo Museu de Anatomia Professor Carlos da Costa Branco em contexto acidental, provenientes, por exemplo, de atropelamentos, segundo a docente.
Deste modo, “pensou-se na ideia de por meio da ação extensionista, produzir materiais educativos (cartilhas) para orientar a comunidade sobre hábitos, manejo e o que fazer ao encontrar esses animais”, complementa. Para tanto, Daniela Becegatto conta que a união entre a metodologia e participação estudantil foi fundamental para o início da produção.
Segundo ela, o projeto aproveita as habilidades de desenho dos alunos para criar as ilustrações das cartilhas, unindo o hobby ao estudo da anatomia de animais silvestres. Os discentes estudam esqueletos e cadáveres para entender características ósseas e externas, o que ajuda a compreender os hábitos e o manejo adequado de cada espécie. Eles também ficam responsáveis pela criação dos personagens, roteiro das histórias e arte final das cartilhas.
Material informativo para a Comunidade
Integrante do projeto desde 2025, a estudante do terceiro ano do curso de Ciências Biológicas, Ingrid Eduarda Martelli Correia, bolsista, conta que o trabalho desempenhado por ela é dividido em duas frentes principais. Portanto, a montagem de esqueletos – ligada diretamente à preparação e montagem das peças anatômicas e esqueletos dos animais sinantrópicos do laboratório.

E outra responsabilidade que coube à aluna foi a produção da cartilha. “Ajudo na pesquisa de informações e na elaboração do conteúdo teórico que fará parte do material informativo de conscientização para a comunidade”, completa Ingrid.
Ela explica que, além da experiência e da aprendizagem, a bolsa do Programa Institucional de Apoio à Inclusão Social, Pesquisa e Extensão Universitária – PIBIS, é fundamental para o custeio de gastos diários e relacionados ao transporte até a Universidade. O aporte financeiro, segundo a estudante, oferece a tranquilidade necessária para focar e dedicar parte de seu tempo livre semanal às atividades laboratoriais — como a montagem minuciosa dos esqueletos dos animais — e à pesquisa para a produção da cartilha. “Sem a necessidade de buscar outras fontes de renda que pudessem comprometer meu rendimento acadêmico e minha dedicação ao projeto”, finaliza.
O projeto conta também com a participação de estudantes do curso de Medicina Veterinária do Centro de Ciências Agrárias (CCA).
Primeira Cartilha
A primeira cartilha que já está pronta, focou no teiú, escolhido pela grande disponibilidade de espécimes para estudo no departamento. O teiú é um réptil da família Teiidae, popularmente conhecido como um dos maiores lagartos do mundo, podendo chegar até dois metros de comprimento. A espécie nativa da América do Sul é comumente encontrada em centros urbanos como Londrina, por exemplo.
A próxima espécie a ser abordada, segundo a docente, será o quati, mamífero silvestre de médio porte, da família dos guaxinins. O projeto tem previsão de continuidade até 2028, com a produção gradual de novas cartilhas para permitir estudo aprofundado de cada animal.
Além da versão impressa (piloto), o material será disponibilizado em PDF nas redes sociais e entregue a professores da rede pública para uso em sala de aula. O projeto pretende realizar atividades educativas conjuntas com escolas que visitam o Museu de Anatomia, localizado no Campus Universitário, utilizando exemplares como o esqueleto de um quati que apresenta fraturas, para ilustrar os impactos da interação humana na fauna sinantrópica, completa a coordenadora.
Ao final de cada material, são listadas informações de utilidade pública direcionada à população em geral e aos órgãos do poder público para contato.

Classificação da Fauna Sinantrópica
Daniela Becegatto detalha como a fauna sinantrópica é classificada. Dividida entre evitadores urbanos, adaptadores e exploradores urbanos. Os evitadores são os animais que evitam o contato, como tamanduás, onças e antas. Adaptadores: estão próximos aos humanos, mas podem não ser amigáveis se houver interação, como o teiú e a capivara. Exploradores: já integrados e adaptados ao meio urbano, como pombos, pardais e ratos.
*Estagiário de jornalismo na Coordenadoria de Comunicação Social – FOTOS: André Ridão.




