Suporte psicológico a pacientes e profissionais de saúde que lidam com Covid-19 completa dois anos

Suporte psicológico a pacientes e profissionais de saúde que lidam com Covid-19 completa dois anos

Projeto ativo desde abril de 2020 já atendeu quase 250 pacientes em hospitais, unidades de saúde e batalhões de polícia.

A pandemia de Covid-19 trouxe uma série de efeitos deletérios à saúde da população mundial que ainda estão sob estudo da comunidade científica. Até agora, sabe-se, por meio de estudos desenvolvidos em vários países, inclusive no Brasil, que uma parte importante dos curados da doença passaram a sofrer de ansiedade e depressão, sintomas recorrentes e comuns para a maioria dos que se curaram.

O projeto de extensão “Suporte Psicológico – Covid-19: Atendimento aos Profissionais e Pacientes do Hospital Universitário da UEL”, desenvolvido no Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento (CCB) e coordenado pela professora Josy de Souza Moriyama, está ativo desde abril de 2020 e completou dois anos com 248 atendimentos realizados. Inicialmente pensado como uma ação circunscrita ao HU, o projeto se estendeu para outras instituições, como escolas e batalhões da Polícia Militar (PM).

Em 2020, no primeiro ano da pandemia do novo coronavírus, foram realizados 83 atendimentos. Naquela época, segundo a coordenadora, o receio em sair de casa e enfrentar uma doença desconhecida e bastante contagiosa sem estar vacinado foi uma das explicações pela procura mais baixa. “O projeto sempre teve muitos envolvidos. São dezenas de profissionais da Psicologia e Psiquiatria, além de estudantes envolvidos e professores da coordenação e apoio”, contou. Cada paciente atendido passa por uma média de 4 encontros, podendo chegar a 8 atendimentos.

O projeto foi uma demanda do Hospital Universitário da UEL, mas, devido ao próprio ritmo de trabalho no momento inicial da pandemia, a procura foi abaixo do esperado. “Costumo dizer que, no momento do projeto, é como se um soldado estivesse em um campo de batalha. Absorvido pelo combate, ele não para e sente os efeitos daquilo. Só vai sentir depois”, avaliou.

De acordo com Josy, são 164 participantes do projeto, entre os quais 10 professores, 41 alunos de Graduação, 26 estudantes de Pós-Graduação e 87 colaboradores externos, de psiquiatras e psicólogos.

Equipe do projeto em atendimento no Hospital Universitári (HU). Média de atendimentos despencou por “naturalização” da pandemia (Arquivo pessoal)

“Boom” e queda

E o “depois”, enfim, veio. Em 2021, o número de atendimentos duplicou: foram 163. “As pessoas começaram a perceber que aquilo (a pandemia) não ia acabar tão cedo, aí começaram a procurar, até pelo cansaço”, definiu. Nesse montante, estão incluídos, além de profissionais de saúde do HU e outros locais, policiais militares (que receberam visitas presenciais em batalhões da cidade), professores e assistentes sociais, estes do HU, que passavam por um momento de muito estresse, perdendo pessoas próximas”, avaliou a professora.

O ano de 2021 prosseguiu com atendimentos à população em geral, no HU e no Hospital Zona Sul, com atendimentos em grupo (presenciais) e individuais (online). Porém, em 2022, com o avanço da vacinação e com o relaxamento das medidas protetivas contra a doença, a busca pelo serviço, de alta relevância para a área da saúde, teve grande queda.

O que explica essa diminuição de interesse? Para Josy, a própria condução da pandemia no Brasil causou o desinteresse. “Nós encontramos, neste ano, um brasileiro desinteressado pelas questões envolvendo a pandemia. Antes, existia um incentivo para o cuidado com a saúde mental, quando o isolamento era algo presente nas nossas vidas. Depois, isso foi passando”, explicou. 

Mudança de foco

A coordenadora do projeto de extensão aponta que as questões envolvendo problemas psicológicos e Covid-19, no entanto, seguiram, em muitos casos, negligenciadas. Os quadros de ansiedade e depressão, por exemplo, acabam surgindo na vida dos pacientes do pós-Covid depois do tratamento e não são reconhecidos como sequelas da doença.

Nesse sentido, o projeto pretende mudar o foco para o ano de 2022 em diante e atender pacientes do pós-Covid, em especial adolescentes e adultos. “Há uma série de problemas em voga atualmente, como a questão do luto, que devemos trabalhar. Os adolescentes em geral estão com dificuldades para se enturmar, com o fim das medidas de isolamento e retorno das aulas e atividades normais”, encerrou a professora.

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