Exposição fotográfica marca encerramento de projeto em terra indígena
Exposição fotográfica marca encerramento de projeto em terra indígena
Exposição de fotos em terra indígena marca o encerramento do projeto de pesquisa e extensão que levou às comunidades atividades de orientação sobre o uso consciente da energia elétrica.Uma exposição de fotos no Colégio Estadual Indígena Benedito Rokag, dentro da Terra Indígena do Apucaraninha, marca o encerramento do projeto de pesquisa e extensão “A relação do Povo habitante da Terra Indígena Apucarana com o Território e a Energia Elétrica”, que ao longo dos últimos três anos levou às comunidades atividades de orientação sobre o uso da energia. Além da exposição fotográfica, o projeto entregou aos moradores uma cartilha realizada na língua Kaingang com orientações sobre boas práticas no uso do recurso.
Segundo a coordenadora do projeto, Juliani Piai, professora do Departamento de Engenharia Elétrica (CTU), a realização da exposição na Terra Indígena foi a maneira encontrada para retornar à comunidade alvo do projeto os resultados da pesquisa que identificou, principalmente, situações de risco para as pessoas e o patrimônio, oportunidades de economia de energia e necessidade de informação sobre o seu consumo de eletricidade. A ideia do projeto partiu de uma demanda dos próprios indígenas por meio da Assistência Social da Prefeitura de Londrina e de docentes do curso de Serviço Social da UEL.

A série, com mais de 30 fotos em exposição, traz um registro imagético de todo o projeto, desde as primeiras reuniões e sempre com a participação dos moradores e lideranças indígenas. As atividades contaram com a participação de três estudantes indígenas da UEL, além de pesquisadores kaingang moradores da aldeia. As fotos ficam no Colégio até o dia 19 e depois a exposição completa, com mais uma dezena de fotos, vem para o Campus, dentro da programação do Abril Indígena 2026.
Para Piai, é importante que a exposição aconteça dentro do território. “Isso facilita a visitação tanto para os adultos como para as crianças das escolas de ensino fundamental. Além das fotos, está sendo exibido um vídeo com indígenas de diferentes idades, gênero e posição falando sobre a Usina Hidrelétrica existente no território e dando orientações sobre o consumo da energia elétrica”, explica. O projeto é alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que integram a Agenda 2030, através da promoção da eficiência energética e segurança nas instalações elétricas (Meta 7), além do incentivo à sustentabilidade do território (Meta 11) e a redução das desigualdades (Meta 10).
O Departamento de Engenharia Elétrica já começou a tratar os desdobramentos do projeto, sempre em parceria com a Copel Geração e Transmissão e a Electra Hydra. As fragilidades identificadas com o trabalho foram encaminhadas ao Ministério Público, Funai e demais órgãos atuantes na Terra Indígena Apucaraninha, além do Cacique e lideranças indígenas.
Na avaliação da professora, o que parece algo corriqueiro, como o recebimento da fatura de energia elétrica, não acontece na terra indígena e a falta do documento é um dos problemas apontados pelo relatório. “Na menor aldeia, conseguimos realizar a entrega da fatura e atualizar cada unidade consumidora. Existe uma necessidade grande de acompanhamento da parte da medição de energia elétrica, da entrega das faturas, até para que eles tenham conhecimento do quanto estão consumindo e que, mesmo indiretamente, estão pagando por esse consumo. A partir dessas informações, ações muito simples de eficiência energética, como, por exemplo, não deixar lâmpadas acesas durante o dia, podem se tornar efetivas”, comenta. “Uma das recomendações do projeto é que essas faturas sejam entregues de forma individualizada, até mesmo para esse documento funcionar como um comprovante de residência”, pontua.

O projeto, realizado com financiamento da Copel Geração e Transmissão e Electra Hydra para a orientação da população Kaingang sobre boas práticas com a energia elétrica, envolveu cerca de 25 pessoas, entre professores, estudantes e pesquisadores indígenas, antropólogos e funcionários das duas empresas. “Foi uma experiência gratificante. A Universidade cumpre seu papel ao levar o conhecimento para além do meio acadêmico, e o projeto permitiu ampliar esse alcance. O diagnóstico foi entregue às autoridades e agora está em posse do Cacique, que passa a contar com um documento técnico para orientar decisões e apoiar a busca por melhorias no acesso à energia elétrica da comunidade.”, completa a pesquisadora.





