Integração entre UEL e Festival DOBRA impulsiona o universo das artes gráficas

Integração entre UEL e Festival DOBRA impulsiona o universo das artes gráficas

A Feira reúne 85 expositores de todo o Brasil, com exposições, intervenções artísticas e shows, a partir desta sexta-feira (24)

A Universidade Estadual de Londrina está presente na vida cultural da cidade. Nem bem terminou o 46º FIML, do qual era uma das promotoras, a instituição se move para acompanhar outro grande evento: a 9ª edição do Festival DOBRA de Arte Impressa que movimenta a cidade com intensa programação gratuita.

A iniciativa do coletivo Grafatório ofereceu ao longo da semana diversas oficinas formativas. A partir desta sexta-feira (24), até domingo, passa a realizar grande feira de arte impressa com 85 expositores de todo o Brasil, exposição, intervenções artísticas, atividades infantis, discotecagem e shows com nomes relevantes da cena musical brasileira, isso na sede do coletivo e na Funcart. 

O conceito geral dessa edição é sintetizado pelo slogan “Esse é o clima”. Partindo da sensação de instabilidade psíquica, política e climática que atravessa o presente, em que as certezas derretem mais rapidamente do que se solidificam, a DOBRA propõe a festa, o encontro e a criação artística como maneira de produzir outras formas de viver a contemporaneidade.  A programação completa, bem como a lista de expositores, pode ser consultada no site do evento.

Participam 85 expositores do Brasil
(FOTO: Sebastião Oliveira Neto)

O professor do Departamento de Arte Visual (CECA) da UEL, Edson Vieira, integra o Grafatório e é testemunha da participação orgânica e informal da Universidade em todas as etapas do Festival. Essa representação acontece por meio da intensa circulação de pessoas entre os dois espaços: professores, estudantes e egressos do curso de Artes Visuais da UEL que atuam no evento exercendo funções diversificadas, como artistas, oficineiros, expositores, pesquisadores, produtores, monitores ou integrando o público.  “O Grafatório é um lugar onde convivem artistas maduros, professores, estudantes, pesquisadores e pessoas da comunidade, todos aprendendo uns com os outros. Isso cria um ambiente muito rico de troca de conhecimentos e de experimentação, algo que considero essencial para a formação de qualquer artista”, analisa.

Fortalecimento mútuo

É nesse ambiente de troca que tanto o coletivo quanto a Universidade se fortalecem mutuamente, continua Vieira. “A academia leva para o coletivo a pesquisa, a reflexão e a produção acadêmica; o Grafatório devolve à Universidade a experiência prática, o contato com a comunidade e a vivência cotidiana dos processos artísticos. Muitas ideias discutidas em sala de aula acabam sendo testadas no ateliê, enquanto experiências desenvolvidas no coletivo retornam para a Universidade como objetos de pesquisa e ensino”, revela.

O professor de Departamento de Arte Visual da UEL, Edson Vieira (centro)
(Foto: Arquivo Pessoal).

Outro aspecto importante, para o professor, é a participação dos estudantes. “Muitos alunos que conhecem o Grafatório por meio das disciplinas e acabam se tornando colaboradores do espaço, atuando como monitores, assistindo na organização de eventos e, mais tarde, ministrando oficinas e desenvolvendo seus próprios projetos. Essa circulação de pessoas e conhecimentos cria um ecossistema muito interessante, em que todos aprendem: os estudantes, os professores, os artistas e a própria comunidade”, diz. É dessa forma que o Festival funciona como uma extensão do ambiente universitário, permitindo que as discussões teóricas e pesquisas desenvolvidas na UEL sobre gravura, fotografia, publicações independentes e curadoria ultrapassem os muros acadêmicos e alcancem o público externo. O evento complementa a formação ao colocar os discentes em contato com profissionais de diversas regiões, ampliando as perspectivas deles de inserção no mercado profissional.

Em seus espaços expositivos, o DOBRA apresenta as diversas possibilidades de atuação disponíveis no universo das artes gráficas. Os estudantes têm contato direto com editoras independentes, livros de artista, zines, feiras de publicações, ateliês coletivos e outras formas de produção e circulação da arte de uma forma diferente do que costumam ver na Universidade. “Isso oxigena o repertório e contribui para que eles comecem a ver as coisas por um prisma muito ampliado, tipo outras formas de inserção profissional. Além disso, a participação no festival costuma ser muito prática. Essa experiência ajuda que eles entendam que a formação em artes não acontece apenas na sala de aula, mas também na produção cultural, na convivência, nas redes de colaboração/circulação e nas trocas que acontecem nesses encontros”, analisa o professor.

“Acredito que esse talvez seja o maior aprendizado que o DOBRA proporciona: ela mostra que a arte é construída coletivamente. O Festival aproxima pessoas, cria conexões e muitas vezes dá origem a parcerias, pesquisas e projetos que continuam existindo muito depois que o evento termina. Os professores incentivam a participação dos estudantes e sempre vejo os colegas circulando no evento. Além disso, é comum professores de outros cursos realizaram atividades no espaço da Vila Cultural Grafatório”, comenta Vieira.

Criação coletiva e protagonismo de ex-alunos

O chefe da Divisão de Artes Plásticas da UEL, o professor Danillo Gimenes Villa, participa da DOBRA como artista integrante do coletivo Infestante, que nasceu dentro da DAP, numa conversa sobre como as exposições realizadas no espaço afetam o próprio interesse e as diretrizes das mediações oferecidas ao público. ”É  um trabalho de curiosidade, de pesquisa, de paixão. Com a DOBRA, espero viver esse caráter experimental de busca por alternativas de publicação, de impressão barata, de cada um colaborando com o seu saber e ajudando a construir um material interessante”, comenta. “São as trocas possíveis, o potencial de cada um aparecendo e sendo usado ao máximo, as provocações que um pode fazer no outro em função do conhecimento que tem a respeito daquilo que está sendo dito”, diz. Para a Feira, Villa leva “Os Nomes de Cecília”, um livreto com 60 nomes inventados para a sua gata de estimação.

A presença e o legado da UEL no evento também se manifestam em destaques específicos da programação. A abertura do festival conta com uma exposição individual “Marcenaria de Desenhos”, do artista londrinense Elias Andrade, também ex-aluno da UEL. Radicado em Curitiba há alguns anos, onde leciona na Universidade Federal do Paraná, Elias é gravurista, desenhista e marceneiro. A exposição no Grafatório irá reunir parte de sua produção recente, com xilogravuras em madeiras de gavetas que o artista encontrou na rua.

O chefe da Divisão de Artes Plásticas da UEL, Danillo Gimenes Villa com o livreto. Foto: Arquivo pessoal.

Nos dois dias de programação na Funcart, o público poderá conferir a instalação “Tenho uma paisagem dentro de mim”, baseada em uma obra de Márcio Diegues (in memorian) e executada pelo coletivo londrinense Cãosemplumas. Egresso do curso de Artes Visuais da UEL e frequentador do Grafatório antes de se consolidar como gravador, pesquisador e educador, Diegues faleceu precocemente em 2025. Foi um artista visual e gravurista com um trabalho que parte do desenho, sobretudo o desenho de paisagens, e se desdobra em gravuras, livros de artista e objetos. “Ele foi um exímio gravador, pesquisador dedicado e ótimo educador, o tipo de profissional que sintetiza tudo o que o evento representa”, comenta o professor Edison Vieira.

Programação multicultural

A programação artística da 9ª edição do Festival se destaca pela diversidade de linguagens e atrações culturais gratuitas. Além da exposição do gravurista Elias Andrade no Grafatório, o evento traz intervenções artísticas no espaço da feira, como a instalação em homenagem a Márcio Diegues, a performance sonora “O amor é rumor” de Márcio EXPUNKME e práticas gráficas abertas ao público.

O festival promove uma seleção expressiva de shows e discotecagens com artistas da cena independente e regional, incluindo performances de MEGE, Ema Stoned, Maria Beraldo, Lambada da Serpente, O Lendário Chucrobillyman, Rhai com o coletivo Front43, Laylah Arruda, e o encerramento com Alessandra Leão e Caburé Canela, além de DJs como OTTE, Meio Feel, VPORTTO, Pensanuvem, Gustavo Veiga e Abrakadan Sounds. As crianças também terão vez com atrações exclusivas como a banda Beca Brinca, as atividades circenses do Circo de Bambu e a Ecobrinquedoteca do coletivo Passarinha.

Serviço

9º Festival DOBRA de Arte Impressa

Quando:18 a 26 de julho.

Local: Funcart e na Vila Cultural Grafatório (entrada livre).

Programação completa em dobra.grafatorio.com.

*Assessora especial na Coordenadoria de Comunicação/UEL
(Fotos em destaque: Natália Lima Castro/Divulgação)

Publicado em

É autorizada a livre circulação dos conteúdos desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte.