UEL apresenta centros de inovação a autoridades de Portugal
UEL apresenta centros de inovação a autoridades de Portugal
Encontro discutiu programa de cooperação internacional em inovação, aceleração tecnológica e mobilidade empresarialA Universidade Estadual de Londrina (UEL) recebeu a visita do reitor Orlando Rodrigues, do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), em Portugal, para mostrar a aceleração tecnológica e a inovação viabilizadas por docentes e pesquisadores. A recepção partiu de um pedido feito por Rodrigues, que almejava conhecer o Ecossistema de Inovação da UEL e ampliar o convênio já firmado entre as universidades em dezembro do ano passado e fevereiro, quando comitivas londrinenses conheceram as instalações do IPB em duas etapas de uma missão internacional.
Como resultado do acordo com o Instituto na esfera da cooperação com o Estado do Paraná, foi assinado um acordo específico para oficializar que um doutorando em Biotecnologia da UEL seja o primeiro estudante a também obter o título do IPB, no âmbito da dupla diplomação. Ainda, foi sediado o primeiro encontro para discutir uma parceria na inovação e na aceleração de startups vinculadas às universidades paranaenses e portuguesas.
Programação
O reitor europeu veio ao Brasil acompanhado de João Alberto Sobrinho, professor no Instituto e colaborador da reitoria. Na segunda-feira (9), a dupla conheceu o Instituto de Pesquisa em Alimentos (IPA), no Centro de Ciências Agrárias (CCA), que comporta laboratórios especializados para o desenvolvimento e testes de processos e produtos alimentícios em escala piloto. Lá, o docente Eduardo José de Araújo, diretor de pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRoPPG), ministrou uma palestra intitulada “Ecossistema de pesquisa e inovação da UEL”.
Durante sua fala, evidenciou a atuação da Universidade em todas as áreas do conhecimento, com forte tradição em ensino, pesquisa e extensão. Apresentou aos visitantes as atribuições da PRoPPG, com destaque para a orientação e suporte a Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPI) em demandas estratégicas do Paraná. A UEL sedia 11 NAPIs e integra outros que se originaram em universidades parceiras, com as áreas temáticas variando entre saúde, biodiversidade, inteligência artificial aplicada ao agro, entre outras.
Araújo também explicou a Infraestrutura Multiusuária de Pesquisa (IMP), composta por laboratórios distribuídos em todos os centros de estudos, além de estruturas de uso compartilhado voltadas à pesquisa avançada. Completou definindo o Ecossistema da UEL como “ampliado”, dispondo da PRoPPG, da Agência de Inovação Tecnológica (AINTEC) e do Centro de Inovação Tecnológica (CIT).

Foto: André Ridão/Agência UEL
Elencando as funções de cada um, informou que a pró-reitoria em que atua organiza a base científica, a pós-graduação e os programas de pesquisa e inovação acadêmicos. A AINTEC assume a proteção da propriedade intelectual, transferência de tecnologia, incubação – por meio da Incubadora Internacional de Empresas de Base Tecnológica (INTUEL) – e articulação com o próprio CIT. Por sua vez, o recém-inaugurado Centro amplia a conexão entre a universidade, startups e empresas de base tecnológica, consolidando a presença da UEL no ecossistema de inovação do Paraná.
Rodrigues e Sobrinho se mostraram interessados em toda a apresentação, com Araújo aprofundando os temas com base em perguntas dos convidados. Os europeus também conheceram os laboratórios do IPA em um tour guiado.
Docência e empreendedorismo
Ainda na segunda, na parte da tarde, a visita foi na AINTEC, com professores empreendedores apresentando seus casos de sucesso de empresas montadas a partir de pesquisas. Confira os docentes que relataram suas experiências quanto à inovação:
- Gerson Nakazato – Departamento de Microbiologia/CCB;
- Doumit Camilios Neto – Departamento de Bioquímica e Biotecnologia/CCE;
- Admilton Gonçalves de Oliveira – Departamento Microbiologia/CCB;
- Wilma Aparecida Spinosa – Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos/CCA
Na terça (10), os convidados conheceram o CIT e assinaram um desdobramento do convênio firmado entre a UEL e o Instituto Politécnico de Bragança em fevereiro, financiado pela Fundação Araucária. Esta parceria garantiu a possibilidade a doutorandos nos Programas de Pós-Graduação em Agronomia, Biotecnologia e Ciência de Alimentos a obter uma dupla diplomação, realizando parte de suas pesquisas no IPB.
Niumaique Gonçalves da Silva, doutorando em Biotecnologia, está na universidade portuguesa desde setembro do ano passado e, a partir da assinatura realizada na terça (10), foi oficializado como o primeiro estudante da UEL que será contemplado com a dupla diplomação, assim que finalizar a sua pesquisa. Ele é co-orientado pela professora Maria Antonia Celligoi em Londrina e por uma docente portuguesa.
Acordo na área da inovação
Finalizando a programação, foi discutida a minuta do Contrato-Programa para a Cooperação Internacional em Inovação, Aceleração Tecnológica e Mobilidade Empresarial entre as Universidades Estaduais do Paraná, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), a Fundação Araucária e o IPB.
Viviane Furtoso, Assessora de Relações Internacionais (ARI), explicou que a UEL sediou o primeiro encontro entre as instituições participantes para a viabilização da parceria. “Do mesmo jeito que foi feito um acordo para dupla diplomação, agora vai sair um projeto para o ecossistema de inovação, também gestado no âmbito da Fundação Araucária. Já tem a minuta e os documentos preliminares deste acordo, que estão sendo discutidos pelas universidades, e vão ter atividades até chegar no documento final para que todas possam assinar também”, relatou.
Instituições que possuam um ecossistema de inovação próprio poderão ser contempladas, com Furtoso exemplificando a presença de ambientes promotores de inovação.
Comercializar a ciência

Orlando Rodrigues, reitor do IPB, apontou que existem grandes possibilidades de cooperação entre a UEL e a universidade portuguesa no campo da inovação, “com interesse para todos”. Adiantou que o programa idealizado irá permitir a mobilidade e a aceleração tecnológica no desenvolvimento de startups, a pesquisa e apoio em relação a novos mercados, auxiliar as empresas quanto à propriedade intelectual – patentes brasileiras e portuguesas – e o compartilhamento de infraestruturas científicas.
Ele observou que a UEL “é uma das universidades mais performantes em termos de capacidade científica”, e que o novo acordo ajudará a sanar um problema a nível mundial: fazer com que a ciência desenvolvida internamente chegue ao mercado. “Frequentemente, esses resultados acabam sendo apropriados pela China ou por outros países que criam condições para explorá-los comercialmente, e todos nós precisamos nos centrar nessa parte. Naturalmente, é fundamental investir na nossa capacidade científica, mas também é importante que isso passe para o mercado e que a mais-valia dos resultados fique nas nossas comunidades e regiões”, almeja Rodrigues.
*Bolsista na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação
