Estudo avalia ação fúngica no desenvolvimento de plantas nativas da Mata Atlântica
Estudo avalia ação fúngica no desenvolvimento de plantas nativas da Mata Atlântica
Um estudo em desenvolvimento do Programa de Pós-graduação em Microbiologia da UEL está pesquisando esta relação simbiótica do Rhizophagus clarus para atuar na recuperação de espécies nativas da Mata AtlânticaO fungo Rhizophagus clarus é bem conhecido e existe no mundo todo, em zonas tropicais e temperadas. Ele é chamado de micorrízico arbuscular, porque pratica uma relação de simbiose com raízes das mais diversas plantas, formando estruturas (arbúsculos) que potencializam a absorção de nutrientes e fornecem alguma proteção aos vegetais.
Um estudo em desenvolvimento do Programa de Pós-graduação em Microbiologia da UEL está pesquisando esta relação simbiótica do Rhizophagus clarus não com espécies agrícolas (como o algodão), bastante conhecida, mas para atuar na recuperação de espécies nativas da Mata Atlântica, contribuindo assim para o meio ambiente, degradado por ação antrópica.

O professor Galdino Andrade Filho (Departamento de Microbiologia) encabeça o projeto de pesquisa e enfatiza a participação dos fungos, de maneira geral, na evolução da flora mundial. Segundo ele, e a Paleobotânica, as plantas não teriam saído da água para o solo não fosse a contribuição dos fungos, em relações simbióticas.
No caso do Rhizophagus clarus, por exemplo, ele retira fósforo (P) do solo, mesmo degradado, e o fornece para a planta, que em troca lhe dá energia (açúcar). E detalhe: quanto piores as condições do solo, pela acidez e baixa fertilidade, por exemplo, mais o fungo trabalha, e mais é eficiente e útil para a planta. Tanto é que espécies localizadas em solo rico até “dispensam” o fungo.
De acordo com o professor, a ação do fungo eleva a qualidade da planta de forma ampla, em seu crescimento e produtividade, que pode aumentar em 30%, em se tratando de espécies agrícolas.
Mestrado

Gabriela Salvador Guidugli é mestranda no Programa de Pós em Microbiologia e orientanda do professor Galdino. Sua pesquisa se encaminha para os últimos meses e ela começa a analisar os dados coletados até aqui.
Ela conta que seu estudo avalia a ação do fungo no fornecimento de fósforo e de nitrogênio (N) para espécies da Mata Atlântica, como embaúba, jangadeiro e fruto-do-sabiá. Mudas são cultivadas em viveiros e depois plantadas nas áreas degradadas. A expectativa a ser comprovada é que elas rapidamente “vinguem” e cresçam mais saudáveis. Este cultivo em que fungo e planta são colocados juntos é chamado de micorrização e leva entre 3 e 4 meses.
Com a enfática intenção de desenvolver uma pesquisa aplicada, Gabriela espera que os dados coletados comprovem os benefícios do Rhizophagus clarus, não só na recuperação dos solos e no desenvolvimento das plantas, mas ainda em outros aspectos, como a redução do uso de fertilizantes químicos.
Sobre isso, a pesquisadora traz em sua trajetória uma experiência na Austrália onde trabalhou com reflorestamento e lhe chamou a atenção a quantidade de fertilizantes químicos empregados no processo.




