Doutor pela UEL é finalista no Prêmio Jabuti com tradução de “O Cantar de Roldão: Chanson de Roland”
Doutor pela UEL é finalista no Prêmio Jabuti com tradução de “O Cantar de Roldão: Chanson de Roland”
Obra narra a derrota das tropas de Carlos Magno na batalha de Roncesvales em 778, na Europa; Ronald Costa traduziu 4.002 versos em sua teseCom a sua tese de Doutorado em Letras pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), o professor Ronald Costa é finalista do 68º Prêmio Jabuti, na categoria tradução. Ele traduziu “O Cantar de Roldão: Chanson de Roland”, que narra a derrota sofrida pelas tropas de Carlos Magno nos Pirineus em 778, na qual o rei Carlos perdeu seu paladino, o herói épico Roldão, e seus doze pares da França. A cerimônia de premiação está marcada esta terça-feira (27), na capital paulista.
Costa é docente no Instituto Federal do Paraná (IFPR) e atua na área de Letras, tendo a Filologia como foco de pesquisa. A tradução da obra foi fruto de seu Doutorado, defendido em 2019. Ele foi orientado pelo professor Frederico Garcia Fernandes, do Departamento de Letras Vernáculas e Clássicas/CLCH, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Letras, além de Antoni Rossell, da Universitat Autònoma de Barcelona. A ideia de traduzir o manuscrito partiu de sua experiência na Europa, onde teve acesso a materiais pouco estudados no Brasil.
Fernandes elencou que seu orientando prezou por uma perspectiva filológica ao desenvolver o trabalho, por meio de documentação, registros escritos e iconográficos, compilando “uma pesquisa bastante grandiosa”.

Obra cantada
O poema épico anônimo, composto no século XI da Era Cristã, retrata a derrota que Roldão, sobrinho de Carlos Magno (742-814), sofreu diante dos mouros na batalha de Roncesvales em 778, nos confins da França com a Espanha. “Por se tratar de matéria épica, o evento é histórico, mas muitos aspectos se revestem de ficcionalização a fim de enaltecer a ideologia cristã e normanda da obra. Outra característica fundamental do gênero épico é sua matriz oral, razão pela qual minha tradução foi integralmente pensada, verso a verso, para a transmissão oral, ou seja, a obra literária resultante se presta tanto à leitura quanto à declamação e ao canto”, explicou o professor.
São 4.002 versos transcritos e traduzidos poeticamente, em decassílabos assonantados e em ritmo de martelo agalopado. “Esta obra pode ser cantada, como o faziam os jograis nas cortes da Idade Média para entreter os nobres e para insuflar os soldados no campo de batalha, como se comprova com registros históricos”, pontuou Costa. A experiência já foi reconstituída em adaptações com coro de ópera barroca no Cine Teatro Ouro Verde, sempre com o apoio do Grupo Neuma, o Núcleo de Música Historicamente Informada da Casa de Cultura da UEL, sob a direção de Elimar Plínio Machado.
Apoio e gratidão

Para Costa, é uma satisfação ser reconhecido em âmbito nacional com o seu primeiro trabalho, à venda no mercado e “fruto de tanta pesquisa e apoio familiar de orientadores e colegas, sempre tão generosos nesse processo”. “Qualquer que seja o resultado, este é um lugar de reconhecimento e o que fica é a gratidão a todos aqueles que deram sua parcela de contribuição, de apoio e que apostaram em um projeto relevante de resgate de uma obra monumental como a Chanson de Roland”, completou.
O professor estará presente na cerimônia de premiação em São Paulo, almejando levar a estatueta do Jabuti e o prêmio de R$ 5 mil. O orientador, Frederico Fernandes, adiantou que irão celebrar a conquista, mérito de Costa, do co-orientador europeu Antoni Rossell, da Pós-Graduação em Letras e do Departamento de Letras Vernáculas e Clássicas da UEL.
*Bolsista na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação




