Audiência Pública discute pagamento de Residentes em Odontologia e Medicina Veterinária

Audiência Pública discute pagamento de Residentes em Odontologia e Medicina Veterinária

Participaram da audiência representantes da sociedade civil, dos poderes executivo e legislativo de Londrina, professores, agentes universitários e estudantes da UEL.

Representantes da sociedade civil, dos poderes executivo e legislativo de Londrina, professores, agentes universitários e estudantes participaram na última sexta-feira (25) de uma audiência pública virtual em que foram apresentadas as atividades desenvolvidas pela Universidade Estadual de Londrina durante a pandemia de COVID-19 e discutida a manutenção das atividades das Residências em Medicina Veterinária e Odontológica da Universidade, que, a partir do próximo ano, podem ficar sem previsão de pagamento dentro do orçamento estadual. Atualmente os 66 residentes de Medicina Veterinária e 28 de Odontologia recebem uma bolsa de R$ 3.330,43 para uma jornada de 60 horas semanais. Estes profissionais atuam diretamente no Hospital Veterinário (HV), Clínica Odontológica Universitária (COU), Bebê Clínica, no Hospital Universitário (HU/UEL) e Unidades Básicas de Saúde, garantindo serviços de enorme importância para a saúde pública da região, favorecendo sobretudo pessoas em vulnerabilidade.

Reunião foi transmitida e está disponível no canal youtube.com/ueloficial

Segundo o reitor da UEL, Sérgio Carvalho, o pagamento anual desses profissionais representa um investimento da ordem de R$ 3,8 milhões. Essas duas Residências existem há 25 anos. Desde sua criação o pagamento é de responsabilidade do Governo do Paraná. No ano passado, a Secretaria da Fazenda questionou a forma de pagamento dos mais de 400 Residentes médicos e das residentes das mais variadas áreas de saúde. Uma mobilização da sociedade Londrinense e garantiu alteração na forma de pagamento e a inclusão no orçamento deste ano para garantir a manutenção desses profissionais até dezembro de 2020. 

Sérgio Carvalho explicou que nas últimas semanas a Universidade foi informada que as bolsas dos residentes de odontologia e medicina veterinária não estão previstas para serem financiadas com recursos do Estado e que os vencimentos deveriam ser pagos com recursos do custeio da UEL. Destacou que a captação de recursos por meio dos serviços prestados pela Universidade não é suficiente para fazer frente a estes gastos. “Temos a convicção da importância do trabalho desenvolvido por esses profissionais. Gostaria que a sociedade fizesse o seu juízo de valor e das implicações que podem ocorrer com a extinção desses serviços”, pediu ele.

Ainda de acordo com o reitor, na próxima semana ele deverá participar de um encontro com o Secretário da Casa Civil do Paraná, Guto Rocha, juntamente como o Superintendente da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Bona para debater alternativas para contornar o problema. Essa semana diversas lideranças, informou o reitor, inclusive parlamentares da região, posicionaram-se a favor da manutenção desses serviços.

Impacto – O diretor da COU, Helion Lino Junior, demonstrou, em números, a importância dos residentes de Odontologia, responsáveis, entre outras funções, pela assistência na UTI do HU/UEL, no atendimento a pacientes especiais, no suporte de cirurgias de alta e média complexidade. No ano passado foram atendidos 67 mil pacientes com 120 mil atendimentos odontológicos e que geraram 273 mil procedimentos.

O diretor acredita que o corte do pagamento poderá acarretar a redução ou suspensão de alguns serviços fundamentais e que os pacientes não possuem outras alternativas na regional de saúde. Entre eles, destacam-se os atendimentos à primeira infância, de paciente especial que demanda atendimento com sedação, diagnóstico do câncer bucal, além de trazer impactos no serviço de urgência e emergência do Pronto Socorro da COU, único serviço público com esta característica de nossa região.

No Hospital Veterinário (HV) uma suspensão das residências traria prejuízos no atendimento de grandes e pequenos animais, cirurgias, estendendo o impacto na qualidade das aulas de graduação e de pós-graduação. Segundo a diretora do HV, professora Regina Breganó, a residência em Medicina Veterinária foi criada em 1973, trazendo melhorias às atividades acadêmicas. Os profissionais atuam em 15 especialidades. Nesses anos todos, mais de 500 Médicos Veterinários passaram pela Residência da UEL. 

Ela lembrou que o HV atende animais de companhia, sendo que a grande maioria é trazida por pessoas de baixa renda e ONG relacionadas a cuidados de animais. Também são atendidos grandes animais, como por exemplo os animais da Divisão de Cavalaria da Polícia Militar, que recebem atendimento totalmente gratuito. Para se ter uma dimensão do serviço, somente no ano passado foram 20 mil consultas/procedimentos e mais de 100 mil exames realizados.

Ainda de acordo com a diretora, a implantação das Residências em Medicina Veterinária oportunizou a ampliação dos atendimentos do Hospital Veterinário ao longo dos anos. As cirurgias passaram de três por semana para três diariamente. “A importância de um profissional da área vai além do atendimento à saúde, mas faz a diferença no PIB nacional”, afirmou a professora. A cadeia de produção de proteína animal garante dividendos de monta significativa para o Estado e para a União. A articulação entre pesquisa, projetos de extensão e atendimentos apoiam o crescimento desta produção. “São profissionais especializados que buscam conhecimentos e sua aplicação na prática, no serviço. Estamos falando de um prejuízo enorme nos laboratórios, na saúde humana e na economia”, resumiu a diretora do HV.

O reitor afirma que a UEL se fez atendendo à comunidade em um circulo virtuoso aprendizado e atenção. A comunidade londrinense concebeu e defendeu a construção da UEL a partir dessa concepção. Nessa história foram beneficiados os mais pobres e vulneráveis da sociedade além da contribuição para o desenvolvimento regional. A UEL fez dessa relação a sua missão. Com isso, possíveis restrições aos serviços prestados pela Universidade devem ser apresentadas a comunidade interna e, principalmente, externa da Universidade. “Fico feliz em ver a grande mobilização de parceiros da sociedade civil de Londrina. O governo do estado mostrou-se sensível ao problema e acredito, com o apoio de nossos representantes da sociedade civil e do poder legislativo e executivo estadual, conseguiremos solucionar o problema sem restrição no atendimento à sociedade”.

Participação – Participaram da audiência o Secretário Municipal de Governo da Prefeitura de Londrina, Juarez Tridapalli, o presidente da Câmara de Vereadores de Londrina, Ailton Nantes e a vereadora Daniela Ziober. Também estiveram presentes virtualmente o Sociedade Rural do Paraná, Antonio Sampaio, da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), Fernando Moraes e a diretora da 17ª Regional de Saúde de Londrina, Maria Lúcia Lopes. Também estiveram presentes virtualmente representantes do Conselho de Medicina Veterinária, seção Londrina, Conselho de Pastores, Sindicato dos Bancários, Sindiprol/Aduel, Assuel/Sindicato, Diretores de Centro, representantes de Lojas maçônicas, professores e estudantes.

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