Livro: uso da retórica por historiadores dos séculos passados

Livro: uso da retórica por historiadores dos séculos passados

Publicado pela Editora da UNESP, lançamento é de autoria do professor Marcos Antônio Lopes, do Departamento de Ciências Sociais,.

José de Arimathéia

Agência UEL


A editora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) lançou um livro escrito pelo professor Marcos Antônio Lopes, do Departamento de Ciências Sociais, do Centro de Letras e Ciências Humanas (CCH) da UEL, intitulado “Um guia seguro para a vida bem-sucedida”. Embora o próprio autor brinque, sugerindo que parece uma obra de “auto-ajuda retrô”, na verdade o livro fala da História como conjunto e área de conhecimento.

O autor parte da ideia da “Historia magistral vitae”, ou seja, da “História mestra da vida” – expressão cunhada pelo pensador romano Marco Tulio Cícero, do primeiro século antes de Cristo. Ele entende a História como repositório de ensinamentos, sobretudo morais, pelos quais os homens devem conduzir suas vidas. Observando as experiências de outros (exempla), cada um pode seguir a sua própria vida da melhor maneira.

Obra tem 256 páginas.

Ao investigar este ponto de vista, o professor Lopes concluiu que, pelo menos até o século XIX, os historiadores entendiam que o estudo do passado implicava num compromisso com juízos e impressões morais, ao mesmo tempo em que exigia toda uma etiqueta na apresentação, ou seja, uma complexidade de forma, uma eloquência narrativa e uma retórica elegante. Havia a exigência de disciplina, rigor crítico e distanciamento do objeto de estudo, mas nem sempre era cumprida. E aí vem a pergunta: se a retórica se fortalece, a credibilidade histórica se enfraquece. Os exempla e esta “Ars rethorica” (expressão aristotélica) usadas pelos historiadores sobre o Antigo Regime (França da Idade Moderna) são o foco das indagações e reflexões do professor Lopes neste livro.

Pensamento político

Marcos Lopes é professor de História do Pensamento Político Moderno e estudioso do pensamento dos séculos XVI a XVIII, incluindo a retórica, a intelectualidade e a cultura aristocrática da época, bem como utopias políticas antigas e modernas. Publicou mais de 20 livros. Também coordena o projeto de pesquisa “Análise dos preceitos dominantes no pensamento histórico da Época Moderna”, como a arte de louvores aos grandes personagens e seus feitos incomuns. O projeto toma como base a exploração dos fundamentos narrativos das obras históricas.

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