Estado investe R$ 10,7 milhões em NAPI voltado ao desenvolvimento sustentável
Estado investe R$ 10,7 milhões em NAPI voltado ao desenvolvimento sustentável
NAPI Agenda 2030 tem foco prioritário nos ODS 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis, coordenado pela UEL e ODS 14 - Vida na Água.O Governo do Estado, por meio da Fundação Araucária e da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), lançou nesta segunda-feira (16) o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Agenda 2030. Serão investidos R$ 10,7 milhões na iniciativa voltada à pesquisa e à implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no território paranaense. A Universidades Estadual de Londrina colabora na coordenação e participa ativamente com diversos pesquisadores.
O lançamento aconteceu durante a cerimônia de abertura do “III Fórum Internacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – Da Pesquisa à Ação“, com programação que segue hoje (terça, 17) no Campus da Indústria – FIEP, no Jardim Botânico.
O NAPI atuará como uma rede interinstitucional articulada pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), reunindo 111 pesquisadores de universidades públicas estaduais e federais, institutos federais e instituições parceiras nacionais e internacionais, com foco prioritário nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) e ODS 14 (Vida na Água).
Protagonistas

A professora Olívia Orquiza, do departamento de Arquitetura e Urbanismo da UEL é da coordenação do NAPI e a articuladora do ODS11. Dos 71 pesquisadores envolvidos no ODS Cidades e Comunidades Sustentáveis, 14 são da UEL. Também estiveram presentes no lançamento as docentes Ana Paula Vidotto da Biologia, Eloisa Ribeiro da Arquitetura e Urbanismo, e da Engenharia Civil, Camila Atem e Caio Rodrigues.

O ODS 11 é voltado a enfrentar questões urbanas como crescimento desordenado, falta de infraestrutura adequada, segregação social, mobilidade insustentável e degradação ambiental. “As cidades são estratégicas na busca pelo desenvolvimento urbano sustentável, como por exemplo, promover o acesso de todos à habitação segura, ao sistema de transporte seguro, proteger o patrimônio histórico e natural e o NAPI surge para apoiar o Estado e os municípios na implementação de ODS”, explica a professora Orquiza. Ainda de acordo com a articuladora, o recurso que virá para a UEL será administrado pela FAUEL e corresponde à quase R$ 1,9 milhão de reais.
Já o ODS 14 ganha relevância particular no Paraná por conta de seu litoral estratégico, com cerca de 100 quilômetros de extensão. A preservação e o uso sustentável dos oceanos e ecossistemas marinhos estão diretamente ligados à economia local, especialmente pesca e turismo.
O articulador do NAPI no ODS 14 e professor do Instituto Federal do Paraná, Allan Krelling, destaca que compreender melhor os impactos no oceano é fundamental para a sociedade porque permite medir o tamanho dos problemas — como a poluição — e, a partir de dados científicos, orientar políticas públicas mais eficazes. “Essas pesquisas ajudam a criar indicadores, melhorar a gestão ambiental e desenvolver soluções, como sistemas de tratamento de esgoto para comunidades isoladas, por exemplo, trazendo benefícios diretos para a população”, ressalta.
Na prática
Entre as metas específicas do NAPI Agenda 2030 estão, por exemplo, o apoio ao desenvolvimento urbano de 55 municípios (23 municípios-piloto selecionados em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e outros 32 com mais de 50 mil habitantes) com capacitação de agentes locais de governança e o desenvolvimento de uma certificação de “Cidade e Bairros Sustentáveis”, inspirada no modelo do selo francês “Label Ville Durable et Innovante” (Cidade Sustentável e Inovadora). Além disso, 36 municípios contarão com o apoio do NAPI Agenda 2030 para implantar Lei de Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS).
Em relação aos objetivos voltados ao oceano, a intenção é mobilizar uma rede de pesquisadores e educadores para difusão da Cultura Oceânica nas escolas e ainda apoiar o Governo do Estado a ter ferramentas para acompanhar o descarte incorreto de lixo no mar, para formulação de estratégias para sua mitigação, além de apoiar a expansão do saneamento em comunidades isoladas do Complexo Estuarino de Paranaguá.
Ao promover essa abordagem integrada e colaborativa, o Paraná reafirma seu protagonismo como HUB de referência na territorialização dos ODS, em consonância com a estratégia global da Local2030 Coalition, plataforma das Nações Unidas dedicada ao fortalecimento de ações locais em torno da Agenda 2030 que reconhece o Paraná como único HUB de excelência pelos trabalhos realizados na implementação da Agenda 2030 localmente.
Mobilizar profissionais
Segundo o presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, o Estado possui um grande número de pesquisadores que já atuam em temas relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e que poderão trabalhar de forma colaborativa dentro do novo arranjo.
“O NAPI Agenda 2030 surge para mobilizar esses profissionais em arranjos colaborativos, reunindo pesquisadores de várias instituições e regiões do Estado em torno de objetivos comuns. Hoje não se pensa mais em desenvolvimento sem sustentabilidade. Esse é um caminho que precisa ser construído com base na ciência, no conhecimento e na cooperação entre instituições”, destacou. Além das universidades, o NAPI Agenda 2030 é realizado em parceria com a Superintendência Geral de Desenvolvimento Econômico e Social (SGDES) e o Instituto de Tecnologia do Paraná (TECPAR).
NAPIs
Já foram investidos, entre recursos da Fundação Araucária e de parceiros, R$ 306,2 milhões em 56 Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs). Destes, 51 estão em execução. Os NAPIs têm como objetivo conduzir a produção de conhecimento de forma colaborativa pelos pesquisadores paranaenses e de outras regiões, incitados por demandas prioritárias de desenvolvimento de setores estratégicos para o Estado.
*Com informações da Fundação Araucária
