Londrina celebra patrimônio histórico nacional com reinauguração do Museu de Arte

Londrina celebra patrimônio histórico nacional com reinauguração do Museu de Arte

Para professor da UEL, prédio é um exemplo de patrimônio com potencial para se reintegrar na vida do londrinense.

Com a reabertura do Museu de Arte agendada para amanhã, dia primeiro de abril, às 19h, Londrina concede uma nova vida a um dos prédios mais importantes da história de cidade, após quase sete anos fechado. Com ele, a memória da cidade permanece ativa e à disposição da população. 

A antiga Estação Rodoviária de Londrina foi inaugurada em 1952. Há mais de 50 anos se tornou Patrimônio Estadual do Paraná, o primeiro prédio público de arquitetura moderna do Estado e, desde 2021, foi tombado como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Projetado pelos arquitetos Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, a arquitetura moderna que destoava do padrão tradicional da época, se tornou um símbolo do centro (hoje antigo) de Londrina.

O prédio do Museu de Arte não é o único local tombado em Londrina. Também existem outros três patrimônios históricos reconhecidos pelo valor histórico pelo estado do Paraná: a Praça Rocha Pombo que foi tombada em 1974, o Cine Teatro Ouro Verde em 1999, o Palacete da Família Garcia em 2012 e o Museu Histórico, em processo de tombamento desde 2023.

Fonte de pesquisa e interesse

Márcio Santos de Santana, docente do Programa de Pós-Graduação em História Social da UEL (PPGHS/UEL) Foto: Arquivo Pessoal

Márcio Santos de Santana, historiador, professor da UEL e pesquisador da situação do patrimônio histórico no país, afirma que a cidade se encontra em um período de maiores cuidados com seus prédios tombados, argumentando que “Londrina está em uma posição diferente de outras cidades do interior, em vista de seu tamanho e fluxo de capital, que possibilitam custear a manutenção do seu patrimônio histórico.”

Santana, que também é docente do Programa de Pós-Graduação em História Social da UEL (PPGHS/UEL), explica que a presença da Universidade Estadual de Londrina é um dos fatores que mais contribui para que haja tanto o interesse quanto a pesquisa sobre a preservação destes locais, citando esforços realizados continuamente, tanto por parte dos professores, quanto também dos alunos de cursos como História, Ciências Sociais e Arquitetura e Urbanismo.

O professor relata que o estudo do patrimônio histórico é um tópico abordado de forma constante por seus estudantes, relatando que “mesmo nos anos em que se tem menos interesse por esse assunto, pelo menos dois de cada dez alunos da área de história abordam ele em suas pesquisas.”

Patrimônio, história do povo

Santana argumenta que não é somente pelo interesse de pesquisadores e órgãos públicos que os patrimônios históricos ganham sua importância, e sim pelo interesse da população. “Um museu sem visitantes, mesmo aquele com maior significância histórica e cultural, não é nada mais do que um prédio qualquer se não tiver visitantes, se a população não se interessar por ele”, afirma.

Segundo o historiador, o valor desse patrimônio vai além de sua arquitetura. “Prédios históricos são mais do que apenas construções, eles carregam o valor sentimental e memorial de todos aqueles que viveram em seu entorno, daqueles que tornaram ele parte fundamental de sua própria história”, diz.

O professor afirma que a antiga Rodoviária é um exemplo de patrimônio que tem potencial para reintegrar-se na vida do londrinense e se manter como um símbolo vivo da história da cidade e de seus cidadãos, relembrando de suas origens ao mesmo tempo em que se torna algo novo.

O argumento principal de Santana é que a melhor forma de conservar um local de importância é criando interesse da população sobre eles, relatando o que observou em sua pesquisa. “Em todo o país, percebe-se que entre todos os patrimônios históricos, aqueles que são melhor conservados são justamente aqueles ressignificados para atender à população”, revela.

Ele relembra a importância não somente da divulgação nos meios oficiais com turismo e incentivo a cultura, quanto também a feita pelos próprios visitantes, ao conhecer e levar outras pessoas a conhecerem estes locais, compartilhando suas experiências para a preservação da memória das cidades.

*Estagiário de Jornalismo na Coordenadoria de Comunicação Social
Foto: Rodolfo Gaion/CMTU (Divulgação)

Serviço:
Reabertura do Museu de Arte de Londrina
Data: 1º de Abril de 2026, às 19h.
Endereço: Rua Sergipe, 640, Centro, Londrina (prédio da antiga rodoviária).

Evento gratuito
Classificação livre

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