Iniciativa da UEL analisa desafios e carreira de jovens talentos no futebol profissional
Iniciativa da UEL analisa desafios e carreira de jovens talentos no futebol profissional
Projeto atende jovens da base de clubes e centros formadores oferecendo suporte na jornada rumo ao profissionalismo.O sonho de se tornar um jogador de futebol profissional é compartilhado por milhares de jovens, porém a realidade dos campos mostra que o caminho é mais árduo do que parece. Dados apontam que mais de 95% dos atletas que deixam a categoria Sub-20 não conseguem seguir carreira profissional no futebol, muitas vezes abandonando o esporte precocemente. Tal situação, consequência do chamado “fenômeno do funil”, se dá nas transições entre as categorias ao longo da trajetória, da base para o profissional, também reconhecido como um dos processos mais complexos, críticos e vulneráveis na formação de um atleta, moldado pela interação de fatores físicos, psicológicos, sociais e organizacionais.
Na tentativa de atenuar os impactos dessa realidade e oferecer suporte integral a esses jovens, partindo de uma visão sistêmica do ecossistema que envolve a formação e desenvolvimento de talentos no futebol, é que foi pensado e estruturado o projeto de extensão “Futebol Conexão – Da Base ao Profissional: gerenciamento do ciclo de formação-transição em jovens jogadores de Londrina”.
Coordenado pelo professor Leandro Altimari, do Departamento de Educação Física do Centro de Educação Física e Esporte (CEFE), que também é executivo de futebol pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o projeto tem como alvo jogadores do sexo masculino, com idades entre 14 e 20 anos, que atuam nas categorias Sub-15, Sub-17 e Sub-20, assim como profissionais (treinadores, comissão técnica e gestores) vinculados aos clubes e centros de formação de Londrina e familiares dos atletas.
Tubarãozinho
O projeto foi implantado no início da temporada de 2026 e a primeira adesão foi a do Londrina Esporte Clube (LEC), categoria Sub-20. O clube é formador certificado pela CBF e contempla em sua estrutura uma equipe profissional, sob a coordenação do ex-jogador Germano, executivo de futebol pela CBF.
“Fiquei muito feliz e entusiasmado quando o projeto nos foi apresentado, porque também buscávamos suporte alinhado aos objetivos da coordenação do LEC que visa o fortalecimento da base, focado no trabalho de desenvolvimento e formação, assim como a reestruturação da equipe Sub-20, criando uma conexão direta com o elenco profissional”, diz. “Isso vai ao encontro do que propõe o projeto de extensão da UEL. Certamente os clubes e centros de formação de Londrina, que atuam em diferentes categorias, atletas e seus familiares, serão beneficiados com a iniciativa, especialmente pela visão focada no desenvolvimento humano do cidadão”, completa o executivo.
Rede de cooperação

De acordo com o coordenador do projeto, a região de Londrina já possui forte tradição como polo formador de talentos no futebol. “Ao unir a expertise universitária a esse ecossistema, o projeto cria uma rede de cooperação que assume um potencial extensionista-inovador no social, uma vez que a intervenção não visa apenas a aplicação técnica-científica, mas a proteção do capital humano local, garantindo que, independentemente do sucesso profissional nos campos, os jovens sejam assistidos em seu desenvolvimento integral como cidadão”, afirma Altimari.
Estudos sobre o tema indicam que lidar com as transições bem-sucedidas durante o processo de formação-desenvolvimento, tanto dentro como fora do campo, proporciona ao atleta maior oportunidade de ter uma vida longa e vitoriosa no esporte e fora dele, bem como de se adaptar eficazmente à vida pós-carreira. “Por outro lado, o fracasso em lidar com a transição pode levar a consequências negativas como o abandono precoce da modalidade e dos bancos escolares, dificuldade de inserção ao mercado de trabalho, depressão, neuroses, abuso de substâncias entre outros problemas”, revela o professor.
Estas condições impõem a necessidade de suporte aos atletas, os preparando para as diferentes fases de transições ao longo do processo de formação e para lidarem com elas em um contexto prático de desenvolvimento. “É necessário preencher as lacunas entre a teoria acadêmica e a prática cotidiana dos clubes e centros formadores, que muitas vezes carecem de ajuda especializada para gerenciar as dimensões extracampo”, analisa.
Ações práticas
Para o desenvolvimento das ações, a fim de conectar os saberes da prática cotidiana dos clubes e centros formadores com o conhecimento-ação acadêmico, o projeto conta com o apoio da Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Sociedade (PROEX) e a participação ativa de estudantes de graduação da UEL de diferentes cursos e áreas de formação, proporcionando a eles interação direta com o ecossistema para uma experiência de aprendizado e a vivência no segmento esportivo.
Com duração prevista de 24 meses, o projeto utiliza as instalações do CEFE-UEL, dos próprios clubes e centros formadores, promovendo uma integração inédita na região. O projeto Futebol Conexão acaba interagindo com outros projetos da UEL, como o Profut, a escolinha de futebol do CEFE que atende meninos e meninas sem custo, coordenado pelo professor Júlio Costa do Departamento de Esporte, que também integra a equipe do projeto com os jovens atletas das categorias de base.
As principais frentes de atuação incluem o mapeamento de desafios, com a identificação das barreiras e facilitadores enfrentados pelos atletas; um protocolo customizado para que os clubes e centros formadores possam monitorar o desempenho e o bem-estar dos jovens em fases críticas; capacitação e educação através da realização de workshops para profissionais e gestores dos clubes e centros formadores, além de palestras de orientação para atletas e familiares, visando reduzir a pressão sobre os jogadores. O projeto ainda prevê a produção de materiais educativos-informativos simplificados sobre os desafios nas transições enfrentadas ao longo da trajetória esportiva. Mais informações sobre o Futebol Conexão pelo e-mail: altimari@uel.br




