NEAB promove lançamento de livros sobre educação antirracista e memória
NEAB promove lançamento de livros sobre educação antirracista e memória
“Tecendo Redes Formativas para uma Educação Antirracista” e “O Cardápio da Vó Olga” reúnem experiências pedagógicas, afeto e reflexões sobre resistência negra.A educação antirracista, a memória e a ancestralidade negra são temas centrais das obras “Tecendo Redes Formativas para uma Educação Antirracista” e “O Cardápio da Vó Olga”, lançadas em evento organizado pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) no último dia 22.
A obra “Tecendo Redes Formativas para uma Educação Antirracista”, organizada pelas professoras Margarida de Cássia e Marleide Perrude, sistematiza experiências das ações do projeto de extensão “Tecendo Redes para a Educação das Relações Étnico-Raciais”, realizadas entre 2022 e 2023. O livro detalha oficinas pedagógicas e vivências aplicadas em escolas públicas de Londrina, que tinham como objetivo oferecer ferramentas reais para a implementação de uma educação que confronte o racismo estrutural.

Para Margarida de Cássia, o registro impresso dessas ações é uma ferramenta de luta contra o apagamento histórico. “A importância do registro está em dar visibilidade a iniciativas brilhantes nas universidades, em parceria com a escola básica, que promovem ações efetivas de discussão sobre a presença do racismo estrutural na sociedade brasileira e sobre as possibilidades de promoção de uma educação antirracista”, afirmou a organizadora.
Ela ressaltou que valorizar produções intelectuais negras fortalece o “movimento de descolonização intelectual e de combate ao epistemicídio”, termo que se refere ao apagamento sistemático de saberes produzidos por populações negras.
Fios condutores da ancestralidade
Simultaneamente, o lançamento de “O Cardápio da Vó Olga“, de Jackie Rodrigues, trouxe à tona a importância da narrativa ficcional e biográfica. Vencedora do Prêmio Carolina Maria de Jesus pelo Ministério da Cultura, a obra utiliza a gastronomia e os gestos cotidianos como fios condutores da ancestralidade. A autora explica que o livro é fruto de um processo de resgate emocional. “A ideia nasceu da saudade. Percebi que algumas das minhas lembranças mais profundas estavam ligadas à cozinha da minha avó: o cheiro do café, o bolo simples, o barulho da panela, os pequenos gestos de cuidado”, revelou Jackie.
Para ela, transformar essas vivências em literatura é uma forma de homenagear mulheres negras que, mesmo diante da escassez, transformaram “pouco em suficiente” como gesto de proteção e resistência.
Ato político
A realização do evento na réplica da primeira Igreja Matriz foi descrita pelas participantes como um ato político de ocupação de espaço. “Estar em um espaço universitário falando sobre literatura negra, memória e afeto é ocupar um lugar que durante muito tempo foi negado a muitas pessoas negras. É importante que estudantes negros possam se enxergar nesses espaços não apenas como leitores, mas também como autores e produtores de conhecimento”, enfatizou Jackie.

Margarida de Cássia complementou que o maior desafio atual ainda é a persistência do “mito da democracia racial”, que mascara as desigualdades e dificulta o investimento público em ações afirmativas.
Aos interessados em adquirir as obras, o livro “Tecendo Redes Formativas para uma Educação Antirracista” está disponível em formato digital e pode ser acessado gratuitamente aqui. Já a obra “O Cardápio da Vó Olga” pode ser comprada diretamente com a autora, Jackie Rodrigues, através de seu perfil no Instagram (@jackie_rodrigues), em eventos literários e feiras das quais ela participa.
*Fotos: Sara Beatriz Barbosa/ NEAB Divulgação




