Projeto utiliza microtomografia computadorizada para estudo de densidade de minerais
Projeto utiliza microtomografia computadorizada para estudo de densidade de minerais
A pesquisa consiste em submeter amostras minerais variadas a um exame de tomografia, igual ao usado na Medicina, mas em escala micrométricaEm seu Doutorado, concluído em 2016 pelo Programa de Pós-Graduação em Física da UEL, professor Eduardo Inocente Jussiani (Departamento de Física), desenvolveu uma pesquisa sobre a determinação da composição química de materiais através de imagens microtomográficas. Na época, com apoio da Petrobras para aplicação em rocha do pré-sal. Orientado pelo professor Carlos Roberto Appoloni, que está completando meio século na Universidade, Jussiani prosseguiu com seus estudos, e obteve uma Bolsa Produtividade do CNPq.
Encerrado o primeiro projeto, o pesquisador conseguiu uma nova bolsa e iniciou nova pesquisa este mês. Intitulado “Determinação da densidade e número atômico efetivo de minerais usando fontes de raio X policromáticas”, o estudo prossegue com o uso da chamada “micro – CT” (microtomografia computadorizada) para criar imagens tridimensionais em escala micrométrica, estabelecer a correlação entre densidade e número atômico efetivo e produzir um banco de dados útil para outros pesquisadores, sejam da Física ou de outras, áreas, como Química e Geologia.
A pesquisa consiste em submeter amostras minerais variadas a um exame de tomografia, igual ao usado na Medicina, mas em escala micrométrica. Ao atravessar o material, o feixe de RX perde intensidade – é a chamada Lei de Beer-Lambert. Por isso, quanto mais denso o material sob análise, mais clara fica a imagem gerada como registro. Para além de observar um dos 256 tons de cinza possíveis, a experiência leva ao número atômico efetivo, ou seja, ao número de elétrons de todo o composto molecular, e não apenas o material base. Conhecer este número ajuda a prever a estabilidade do material e saber como radiação interage com a matéria.
Uma das vantagens é que o mineral analisado pode ser girado à vontade, diferente do exame em humanos, em que eles precisam ficar imóveis. Por isso é possível gerar imagens 3D.

professor Eduardo Jussiani (Foto: André Ridão)
O projeto testa diversos modelos e os dados obtidos vão para a professora Vanessa Matias Leite e o estudante de graduação Gabryel Camillo Leite, do Departamento de Computação, que colaboram com a análise e identificação de minerais pela técnica de micro-CT. O estudante de mestrado Enzo Gabriel Avelar Correa, do PPG em Física-UEL, também faz parte da atual equipe do projeto.
Mais de 60 minerais já foram submetidos ao estudo, como a hematita, magnetita e a goethita, compostos à base de ferro e oxigênio. E ainda a fluorita, calcita, grafite e o quartzo. Alguns materiais, relata o professor, oferecem um desafio adicional, como os cristalinos, que difratam o RX, ou seja, forçam a radiação a contorná-los.
A pesquisa recém contemplada pelo CNPq está no início e ainda abrirá vagas para colaboradores, mas o projeto anterior contou com estudantes de graduação e pós-graduação, incluindo bolsistas de Iniciação Científica e CAPES. Além de publicações em parcerias, como aqui, o projeto foi apresentado em um congresso internacional na Sicília (Itália), o European X-Ray Spectrometry Conference – EXRS.
Para o novo projeto, o professor Eduardo planeja incluir pesquisadores de outras áreas, como Geologia, Química, Medicina e outras que apresentem demandas que podem ser supridas com esta pesquisa. Enquanto isso, ele desenvolve outras atividades, como a coordenação do projeto Ciência Pé Vermelho, responsável pelo Pint of Science, um evento de divulgação científica mundial que objetiva tirar os debates dos ambientes acadêmicos e levá-los a outros bem diferentes, como bares e lanchonetes.





