Estudo pioneiro na América Latina eleva o atendimento a recém-nascidos do HU/UEL com monitoramento sem fio
Estudo pioneiro na América Latina eleva o atendimento a recém-nascidos do HU/UEL com monitoramento sem fio
Parceria com Universidade canadense avalia eficácia de sensores vestíveis na sala de parto e favorece precisão médica na "Hora de Ouro"O Hospital Universitário da UEL é o primeiro da América Latina a realizar estudos com um sistema de monitoramento sem fio para recém-nascidos na sala de parto. Fruto de um projeto de colaboração de pesquisa entre a Universidade Estadual de Londrina e a Universidade McGill, no Canadá, o projeto de pesquisa representa grande avanço na neonatologia ao substituir os tradicionais sensores por tecnologias vestíveis ou sem contato.
Na semana passada, pesquisadores da Universidade canadense estiveram no HU/UEL para acompanhar a primeira coleta de dados a partir dos sensores de sinais vitais sem fio em um recém-nascido logo após o nascimento. O projeto vai coletar dados de 100 bebês ao longo de no mínimo 12 meses e os valores coletados pelo HU/UEL se somam ao banco de dados de outros países que participam da pesquisa, entre eles a Suíça e Itália.
Tecnologia e humanização
A inovação tecnológica tem como principal objetivo garantir a segurança clínica imediata do bebê e, ao mesmo tempo, viabilizar o contato pele a pele com a mãe logo após o nascimento, na chamada “Hora de Ouro. No ambiente hospitalar e científico, os sistemas buscam precisão médica instantânea sem atrapalhar os procedimentos de reanimação ou o vínculo familiar. Os pesquisadores ainda querem avaliar a viabilidade, a segurança e a precisão do sistema de monitoramento sem fio para recém-nascidos na sala de parto.
“Atualmente, os bebês são monitorados por meio de equipamentos convencionais com fios. Queremos verificar se a tecnologia sem fio consegue oferecer o mesmo nível de segurança e confiabilidade, ou até mesmo trazer vantagens para a assistência neonatal”, explica Lidiaine Oliveira, enfermeira especialista em neonatologia, doutoranda do Programa de Pós-graduação em Enfermagem da UEL e coordenadora de enfermagem da UTI Neonatal do HU/UEL. Para a professora Adriana Valongo Zani, coordenadora do Programa de Pós-graduação de Enfermagem, a expectativa é que esse sistema possa facilitar o atendimento da equipe de saúde, proporcionar maior mobilidade durante os cuidados e contribuir para uma assistência mais eficiente e humanizada ao recém-nascido logo após o nascimento.

Ganhos na prática médica
O equipamento de monitoramento sem fio apresenta algumas vantagens, entre elas o contato imediato pele a pele, permitindo que o bebê seja colocado no peito da mãe logo após o nascimento, sem o risco de desconectar cabos ou alarmes falsos. Além disso, menos telas e cabos embolados na mesa de reanimação ajudam a equipe médica a focar exclusivamente no paciente. Outro ponto de destaque é a da segurança física, ao eliminar o risco de lesões na pele sensível do recém-nascido causadas pela remoção de fitas adesivas médicas tradicionais.

(Foto: UTI Neonatal do HU/UEL – Divulgação)
A pesquisa envolve, além do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, as Unidades Neonatais e as do Centro Obstétrico do HU/UEL. Para Fernanda Pegoraro, docente da Neonatologia do curso de Medicina, a parceria entre a UEL e a McGill University, representa uma importante contribuição para um estudo multicêntrico mundial voltado ao desenvolvimento e à avaliação da monitorização neonatal sem fio. “Mais do que um avanço tecnológico, essa pesquisa apresenta uma possibilidade de transformar o cuidado dos recém-nascidos que necessitam de cuidados intensivos, especialmente em um momento de extrema fragilidade. A perspectiva de uma tecnologia segura, confiável e que reduza a necessidade de fios e cabos pode facilitar o manuseio e os cuidados com o bebê, favorecer sua mobilidade e, principalmente, aproximar pais e filhos”, comenta.
O futuro da neonatologia
Em meio a tantos equipamentos e intervenções indispensáveis à vida, poder proporcionar maior contato, colo e vínculo entre o recém-nascido e sua família é também uma forma de cuidar, continua a professora. “Participar de uma pesquisa dessa dimensão coloca a UEL e o HU na construção do futuro da neonatologia, unindo ciência, inovação e, sobretudo, um cuidado cada vez mais humano e centrado no bebê e em sua família”, completa Pegoraro.

Para o pesquisador da Guilherme Sant`Anna, da McGill University que lidera a pesquisa em colaboração com a Northwestern University de Chicago, a maior autoridade mundial nessa tecnologia, a participação da UEL coloca a Instituição no topo da pesquisa mundial sobre a nova tecnologia. “Esses sensores serão usados em todo o mundo dentro de alguns anos. O equipamento permite que as mães tenham muito mais tempo com seus bebês no colo em segurança absoluta. A UEL é a única universidade brasileira envolvida, inserida na colaboração desde 2024 através de aulas e agora, na coleta de dados da pesquisa”, revela. O próximo passo da parceria tem relação com o “SmartDashboard”, um monitor inteligente para as famílias. “Só a UEL no Brasil está nessa pesquisa conosco”, diz. Todo o financiamento do projeto é fruto da doação de famílias canadenses à Fundação do Hospital Infantil de Montreal.
*Assessora especial na Coordenadoria de Comunicação/UEL – (FOTOS: (Foto: UTI Neonatal do HU/UEL – Divulgação).




