Inteligência Artificial aplicada à produção animal é tema de evento

Inteligência Artificial aplicada à produção animal é tema de evento

Iniciativa do Grupo de Pesquisa e Análise da Carne (GPAC) reúne especialistas do setor, dia 7 de agosto, no Campus Universitário

Quando a carne chega à mesa, já fatiada e assada, é fácil esquecer todo o processo produtivo que existe por trás dela, desde a criação do animal, ao transporte, ao frigorífico, até aos supermercados. Essa indústria movimentou mais de 500 bilhões de reais em 2025, e assim como outros setores, ela também tem suas inovações e atualizações. Dessas, a mais recente é a Inteligência Artificial (IA).

De olho nessa evolução e demais tendências relacionadas à IA, o Grupo de Pesquisa e Análise da Carne (GPAC) da UEL promove dia 7 de agosto o evento “Inteligência Artificial na Produção Animal”. Já foram confirmadas as presenças dos convidados Ana Paula Ayub da Costa Barbon, doutora em Ciência Animal, e Sylvio Barbon Junior, ex-professor da UEL que atualmente é professor na Universidade de Trieste, na Itália

(Fonte: GPAC/Divulgação)

O evento acontecerá no Anfiteatro do Cesa, às 8h, com duas palestras sobre o tema e, em adição, o lançamento do livro “Inteligência Artificial em Ciência Animal” pelos convidados.

A inscrição é gratuita, realizada pelo sistema da UEL. O evento é aberto aos alunos, pesquisadores e professores, assim como para a comunidade externa – técnicos e produtores do setor.

A organizadora do evento Ana Maria Bridi, docente do curso de Zootecnia e orientadora do Grupo de Pesquisa e Análise de Carne (GPAC), relata que o objetivo é criar um espaço de discussão e divulgação para os usos da IA na pecuária, baseando-se na popularidade crescente de sua utilização nas diferentes etapas de produção. 

Segundo a professora, o questionamento fundamental que inspirou a formulação do evento foi “como a IA pode nos tornar mais competitivos?”, explorando temas como a importância da zootecnia de precisão, meio-ambiente, mão de obra, bem-estar animal, e eficiência produtiva.

Mais informações na rede social do GPAC.

Inteligência Artificial na pecuária

Professora Ana Maria Bridi, do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da UEL e coordenadora do GPAC
(Foto: André Ridão/COM)

A IA utilizada na pecuária não é como o ChatGPT ou outros modelos de linguagem do cotidianao, mas um programa especializado, criado e treinado para o contexto da produção animal. O uso vai das tarefas simples, como verificar em tempo real se os animais estão confortáveis com a temperatura e umidade do local, ligando e desligando ventiladores e aspersores com base nos dados, até as mais complexas, como indicar possíveis doenças no rebanho a partir de mudanças na temperatura corporal, comportamento e frequência de tosses.

A professora afirma que em setores produtivos, entre eles a avicultura e a bovinocultura de leite, diversas decisões já são tomadas por sistemas automatizados há anos. “Esse modelo já é comum na produção animal brasileira. Nas propriedades aqui da região, as vacas todas andam ou com brinco ou com colares sensores, que registram a temperatura, o tanto que ele come ou rumina, se ele está se movimentando, até o número de respirações por minuto”, explica.

A necessidade de um sistema com IA está no volume de animais que o produtor rural reúne por barracão – em média, os números passam dos mil com bovinos ou suínos, e mais de vinte mil no caso de aves. Ao levar em conta outras preocupações e obrigações do trabalhador, torna-se impossível tratar dos animais individualmente sem o auxílio de um sistema como o da Inteligência Artificial.

A organizadora relata que nas etapas seguintes do processo da carne trabalha-se com números ainda maiores, chegando a até mesmo 250.000 mil frangos, no caso de alguns frigoríficos. “É impossível que nós, como seres humanos, consigamos receber, processar e tomar decisões sobre tantas informações no dia. Enquanto isso, a inteligência artificial faz isso em questão de segundos, às vezes até mesmo acionando os mecanismos para resolver o problema”, argumenta. 

Reflexos do novo método

Para o consumidor final, os benefícios deste novo modo de produção, apesar de menos perceptíveis, também estão presentes, pois representam aumento significativo da eficiência de toda a cadeia produtiva. Do animal que não fica doente e que recebe melhores cuidados, do transporte que causa menos estresse, ou da carne que é separada e limpa mais rapidamente.

A pesquisadora relata que o principal argumento a favor da utilização da IA é a capacidade de aumentar a produtividade, com menos desperdício. “A palavra que mais combina com a Inteligência Artificial na produção animal é sustentabilidade, isto é, sustentabilidade econômica, social, e ambiental. Tudo que fazemos com precisão, fazemos bem feito”, declara.

Contudo, a docente coloca em foco o fato que a máquina não atua sozinha, e sim utilizando como base o trabalho e as informações produzidas pelos humanos para tomar suas próprias decisões. Ela afirma que a IA é uma ferramenta constituída a partir do conhecimento humano. “A inteligência é humana, apenas com a aceleração de uma máquina para analisar as informações”, diz.

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