Projeto investe em energia limpa a partir da produção de hidrogênio e metano da fécula de mandioca

Projeto investe em energia limpa a partir da produção de hidrogênio e metano da fécula de mandioca

Vinculado ao Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU), estudo começou em 2017. Proposta é investir na geração de bioenergia.

O Paraná é o principal produtor brasileiro de fécula de mandioca, com 70% da produção nacional. O produto, derivado da produção de agroindústrias espalhadas principalmente nos polos Noroeste, Oeste e Leste do Estado e utilizada na indústria de tecido, papel, cola e tintas, é o tema do projeto de pesquisa “Produção de biohidrogênio e biometano em sistemas combinados acidogênico-metanogênico a partir da água residuária de fecularia de mandioca”. O projeto é vinculado ao Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU) e ao diretório de pesquisas do CNPq, na área de “Engenharia Sanitária”.

Segundo a professora coordenadora do projeto, Deize Dias Lopes, do Departamento de Construção Civil/CTU, o grupo começou a trabalhar especificamente com produção de hidrogênio e metano nos fins de 2017. “Os estudos envolvendo hidrogênio ainda são bastante iniciais em todo o mundo, mas o metano produzido de efluentes e resíduos da fécula de mandioca já é objeto de estudos e utilizado há algum tempo. Como um carboidrato, com bastante matéria orgânica, produz a água residual que, se bem tratada, pode reduzir o impacto ambiental das indústrias e, ainda, servir de biocombustível”, explicou a professora.

A doutoranda Isabela Bolonhesi, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, na área de Tratamento de Efluentes e Águas Residuais, produz tese a respeito da geração de bioenergia através desses efluentes. Ela analisa o processo de decomposição anaeróbia da água residual da fécula de mandioca. “A partir desse processo, dividido em duas fases, é possível extrair o biogás proveniente dessa quebra”, completou. 

Energia limpa e renovável

Um dos principais pontos da pesquisa é a aposta na produção energética limpa e renovável, especialmente em um contexto em que o País passa por uma crise hídrica e necessita de revisão de sua matriz energética, segundo a pesquisadora. “Em 2020, tivemos no Paraná a geração de 300 mil toneladas de fécula de mandioca. Os efluentes líquidos dessa produção, se transformados em biocombustível, podem gerar até 15 GWh/ano de energia”, afirmou.

A produção de bioenergia através de gás metano no Brasil ainda é bastante tímida, segundo a pesquisadora. “Temos, em média, uma produção de 0,9% de energia proveniente dessa fonte”, avaliou. “Essa água residuária tratada corretamente tem uma redução da sua carga orgânica e ainda pode gerar um biocombustível. Isso reduz, também, o impacto ambiental do descarte desse efluente na natureza. Mesmo que o resíduo seja corretamente descartado, isso ocupa espaço em um aterro, então é um reaproveitamento total da produção”. A pesquisa de Isabela foi realizada no Laboratório de Hidráulica e Saneamento do CTU e em outros laboratórios da Universidade, além dos laboratórios multiusuários.

Viabilidade econômica

Outro estudo, ligado ao projeto de pesquisa, é a tese de Ivan Taiatele Junior, estudante do mesmo programa de pós-graduação, intitulada “Viabilidade econômica da produção de biogás de efluente de indústrias de fécula de mandioca”. O estudo avalia a viabilidade econômica do reaproveitamento energético desses resíduos para empresas de portes variados.

Nesse sentido, Deize relembra que, para pequenas fecularias que desejam exportar a produção, é possível unir-se para participar da chamada “economia circular” ou “bioeconomia”. O momento, inclusive, é favorável: como a China comprou a produção de fécula de mandioca da Tailândia, o Brasil deverá bater recordes na exportação do produto. “As grandes fecularias já exportam sua produção, em geral, para a China. Para as menores encontrarem competitividade, uma possibilidade é uma união como cooperativa”.

(FOTOS: Divulgação/Projeto).

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