Via Rural aposta em Jardim Sensorial para aproximar público da biodiversidade

Via Rural aposta em Jardim Sensorial para aproximar público da biodiversidade

O projeto convida os visitantes a uma experiência interativa com plantas medicinais, aromáticas e condimentares, estimulando os sentidos do olfato e do tato.

A Fazendinha Via Rural se consolida como um espaço de troca de conhecimentos e valorização da sustentabilidade na ExpoLondrina. A iniciativa, graças a uma parceria entre a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), traz uma novidade na edição 2026: o Jardim Sensorial.

O projeto convida os visitantes a uma experiência interativa com plantas medicinais, aromáticas e condimentares, estimulando os sentidos do olfato e do tato. A proposta é aproximar o público da biodiversidade, promovendo o reconhecimento das propriedades dessas espécies e incentivando o uso consciente dos recursos naturais.

Na Via Rural, o estande reúne cerca de 65 espécies de plantas medicinais, utilizadas para diferentes finalidades terapêuticas. Entre elas, destaca-se a artemísia, amplamente associada à saúde feminina, o jambu, planta originária do Pará conhecida por seu efeito anestésico natural, a popular “vick” como também é conhecida a cânfora, empregada no alívio de sintomas respiratórios e a ora-pro-nóbis, reconhecida pelo alto teor de proteínas, em meio a muitas outras drogas vegetais.

Educação ambiental

O Jardim Sensorial também é uma importante ferramenta de educação ambiental na
Universidade Estadual de Londrina (UEL). O professor do curso de Agronomia, José Roberto Pinto de Souza, destaca o potencial inclusivo do ambiente, uma vez que podem ser planejados para atender diferentes públicos, incluindo pessoas com deficiência visual ou com outras necessidades específicas.

No contexto universitário, Souza comenta que a iniciativa ainda reforça a integração entre ensino, pesquisa e extensão, “ao envolver estudantes em atividades práticas, conseguimos ampliar o diálogo com a comunidade por meio de ações de educação ambiental, consolidando o papel social da Universidade”.

O espaço também destaca o cultivo e a valorização de plantas aromáticas voltadas à produção de óleos essenciais, apresentando aos visitantes todo o processo de extração por arraste a vapor. A demonstração prática amplia o conhecimento sobre técnicas produtivas e abre novas possibilidades econômicas, incentivando alternativas sustentáveis baseadas no uso responsável da biodiversidade.

Identificação correta

O extensionista do IDR-Paraná, Paulo Roberto Mrtvi. Foto: Gabriel Vinci/SRP

A área integra as ações do IDR-Paraná nas áreas de pesquisa e extensão. Segundo o extensionista municipal Paulo Roberto Mrtvi, a iniciativa tem como objetivo preservar a diversidade de plantas medicinais por meio da criação de um banco de germoplasma, estrutura voltada  à conservação de espécies, prevenção da extinção e apoio ao desenvolvimento de pesquisas científicas.

As ações desenvolvidas no setor reforçam a importância da identificação correta de plantas medicinais, aromáticas e condimentares, garantindo segurança no uso e preservação das espécies. Ao integrar conhecimento científico, práticas sustentáveis e interação com o público, a Vila Rural se firma como um ambiente educativo que promove inovação, consciência ambiental e fortalecimento da agricultura familiar.

No IDR-Paraná, há o Projeto Horto de Plantas Medicinais, Aromáticas e Condimentares que realiza a preservação e identificação dessas espécies. Em breve deve ser criado um local que abrigue as plantas, um viveiro e um laboratório para analisar os princípios ativos das mesmas. “Nós pretendemos estudá-las e verificarmos uma finalidade para elas, que pode ser um novo remédio, um novo inseticida ou um novo fungicida natural”, detalha Mrtvi.

Ele alerta que qualquer tipo de tratamento deve ser realizado por um médico especializado. “Nós apenas falamos sobre as características agronômicas das plantas”, reforça. “Apenas o médico poderá fazer qualquer tipo de recomendação para tratamento”, salienta.

Uso medicinal

Mrtvi ressalta que algumas plantas medicinais já são usadas como fonte para a elaboração de medicamentos. “O princípio ativo da espinheira-santa já virou remédio no Japão. Temos ainda a babosa e o crajiru que estão em estudo para o desenvolvimento de medicamentos”, afirma.

No espaço criado na Fazendinha há uma grande variedade de plantas medicinais. Muitas usadas para fazer chá, como o burrito, muito consumida no Rio Grande do Sul no mate, a pia alva, um calmante, o capim-limão, muito conhecida por erva-cidreira.

Embora diversas dessas plantas já sejam de conhecimento de boa parte da população, nem sempre as pessoas conseguem identificá-las. “Às vezes a pessoa olha e não sabe que planta é ou acaba errando. Aqui na Fazendinha ajudamos as pessoas a identificarem as plantas e ainda trazemos orientações agronômicas”, declara o extensionista. “Já houve um caso de uma pessoa que passou muito mal . Ela coletou e fez um chá de uma planta que nasceu entre as pedras de uma calçada achando que era a planta de quebra-pedra, famosa por auxiliar na eliminação de cálculos renais”, conta.

O extensionista ainda comenta que é possível que as pessoas cultivem em casa ervas medicinais, sempre seguindo orientações técnicas básicas. Ele sugere, inclusive, que sejam plantadas espécies que produzem óleos essenciais. “O norte do Paraná tem clima propício para plantas medicinais que produzem óleo porque a incidência de raios solares é maior, o que ocasiona maior concentração de óleos, como o Capim-limão, por exemplo”, assegura Mrtvi.

*Com informações da Agência Focada e A.I. da SRP

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